Pierrot

Pierrot
la tristesse

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Para não ter você nos meus sonhos nunca mais!


I

Olhemos no espelho
Enquanto a consciência nos permitir.
Eu estava trabalhando contra mim.
Quero mudar o quanto tive que mentir.

Nestes dias
Em que encontrei um pouco de paz,
Não quero você
Nos meus sonhos, nunca mais!


II

Até que chegue o esquecimento,
Fico me repetindo estas estórias,
Porque você está presente
Em todas as minhas memórias.

Ontem eu trocaria por você
Todos os meus dias de paz;
Hoje não quero você
Nos meus sonhos, nunca mais!


III

Para que sonhar? eis que chego
Para fazer luzir a madrugada.
E se já não estava aqui
É porque não queria nada!

Amar você estava me matando
A alguns dias atrás,
Por isso, não quero ter você
Nos meus sonhos, nunca mais!


( postludium )

'Você terá a seus pés
Todas as coisas que quiser,
E sem arriscar o seu coração...
Mas, a mim não!



Trégua


Repetir Lennon é bobagem!
Eu atiro as pedras que carrego,
Maldigo minhas algemas culposas...
O mundo festeja
E todos os corações se abrandam,
Unem hoje os irmãos
Que os fuzis separarão amanhã.
Eles trouxeram o inferno para a terra
E reinam lado a lado com Lúcifer.
Agora dizem-se deuses,
Rasgam os céus com suas espadas:
São um punhal no peito de Jah,
E reinarão até vitimar a última rosa.
Pois um dia, virá a Perfeição,
Trazendo-lhes a morte derradeira,
Todas as pragas e medos,
E o pranto e a fome e a dor,
Vingando todo sangue inocente já derramado;
Voltarão sobre eles as suas guerras,
Iniquidades e atrocidades,
E seus tormentos lhes pesarão aos ombros;
Refletirão seus espelhos
Monstros e temores:
A ruína dos sistemas babilônios.
Então, cairão diante do "Senhor da Vida"
Implorando perdão e ele dirá:

- Afastai-vos de mim, malditos,
Eu não vos conheço! -

Mas hoje é natal
E o seu coração está em festa.



A guerra contra todos



O mal
que me fizeram
eu devolvi...
E, algum dia,
a guerra acabará,
aí veremos
os estragos que causamos;
chorando,
recolheremos os cadáveres
dos nossos irmãos;
saberemos
que matamos a nós mesmos,
e estaremos mortos também.



Escuridão dos dias


Nestes dias,
Em que nada acontece
No mundo inerte
Das gerações letárgicas,
Eu fecho os olhos
E fico imaginando
O tempo em que sentia
Calafrios e medos:
Uma vida para viver!
E penso no que
Nos trouxe a este sono
Onde os amores e os homens
Têm medo de despertar.

Jogos perversos


Eu sou um homem inteligente e sábio.
Já dei algumas voltas ao mundo...
Conheço muitas verdades
E muitas mentiras.
Sei o quanto verdades ferem
E sei o quanto as mentiras
Podem tornar tudo maravilhoso,
Por um certo tempo.
Possuo um intelecto abrangente
E uma alma desenvolvida,
E não estou aqui pedindo desculpas
Por nada do que disse.
Crianças como vocês
Podem brincar deste jogo tolo,
Ferindo-se com a verdade
E valendo-se da mentira
Para sanar as coisas;
Eu não!

Espetáculo Funéreo

(A Adonélio Sousa, amigo)

Havia lá um candelabro
Com quatro velas acesas
Exalando um odor macabro
Sobre aquele deitado na mesa.

Ah, como se fez assim
A escala vital de alegre a triste
Se começa para ter fim
Por que razão existe?

Já não pinto estas telas
Depois que tudo se acabou
Se a vida é a luz das velas
Morte é o vento que soprou...

Passou... e fim!

Amores e Medos


Amores não têm preconceitos
Amores estão sempre na moda
Amores são quase tão perfeitos
Que transbordam em mim.

          Amores eu posso te dar
          Amores que eu tenho em mim
          Amores feitos em segredo
          Começam pelo fim.

Amores feitos com palavras
Amores que não valem nada
Amores feitos com segredos
Só nos trazem medos.

          Medos são palavras fúteis
          Medos são só preconceitos
          Medos são coisas inúteis
          Que posso te dar.

Amores é o ficar por perto
Amar está sempre tão certo
Amores têm medidas normais
Medos são demais.

          Medos nos trazem tristezas
          Medos nos dão incertezas
          Medos são só ilusões
          Que posso te dar.

Amores que tenho por ti
Amores que venho pedir
A diferença para quem quer mais
Medos são iguais.

Entorpecido


A minha cabeça gira
Sem inspiração alguma.
Outra dose, sim?
Eu quero mais uma!

Chorar foi tudo
Que gozei do amor;
Um jogo sujo:
Perdi... e acabou.

Vamos juntar nossas coisas,
Pegue tudo que temos.
Fugir nos próprios sonhos
É só o que fazemos.

Sem uma verdade para viver
Sonho desfazendo sonhos,
Todo o mal é só um pouco
Do que cairá deste céu medonho.

Fortes e Omissos, Honrados e Estúpidos


O que vivemos a sentir
Já não é o coração pulsar,
É um verme interior,
O céu onde iremos acabar.

O que seria sangue
É apenas um rio de dor,
Fruto putrefato, vingativo
Da triste árvore do amor.

Mas ainda somos nós,
Crianças crescidas, tornadas insensíveis;
A carne que ontem quis ser aço,
Hoje, almas podres, perecíveis.

Entretanto, não acabou ainda.
A paz que assinamos também fede.
E, aquele que foi massacrado outrora,
Terá a revanche que pede.

Pelo que sofremos até aqui
Deus parece está inerte,
Declarando a vitória da guerra sobre nós,
Desde a clava até à internet.

Reeducação


Houve um tempo
Em que eu brincava
Com as nuvens,
Pintando sonhos prateados
Na enorme tela azul
Do firmamento.
Hoje, recriei imagens
De elefantes e aves
Num céu
Já um tanto cinza!

Trajeto


Eu conheço o seu destino!
Você está nesta estrada
( ou prisão )
Vai até um certo limite
E volta.
O seu destino
É morrer neste percurso,
Precipitando-se
Toda vez que sair da rota
E sempre, sempre
Retornando.



Estilo de época


Eu sou um poeta
Da atualidade
Do meu tempo.

Tempo em que
O futuro
Já aconteceu

E todo verbo
Deve ser conjugado
No tempo

AGORA.

Altar profanado


Não que me tenha faltado fé.
Contudo, andei rezando de forma errática:
Pedia por todos
Enquanto pensava só em mim;
Desejava ganhar mais
Quando deveria agradecer,
E enquanto pedia perdão
( ou implorava misericórdia )
Planejava vingança impiedosa.
E nem era a Deus,
Em nome de Jesus Cristo;
Era a São Filho-da-Puta qualquer!
Além de abaixar a cabeça
E erguer os olhos
É Preciso uma grandeza de espírito
Que eu não tenho.
Ainda tenho fé.
Porém, os meus joelhos
Não suportam mais...
Dá-me logo o que peço
Ou vou embora!



Consumismo


Livros de culinária
Num país de analfabetos famintos,
E novelas,
Para curar as dores
Neste famigerado e degradante
Mal moderno:

A nossa fome

O nosso amor

A nossa escravidão

Diante destes malditos
Aparelhos teledifusores.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Disperso


Com facilidade a minha cabeça se dispersa
De qualquer realidade que me cerca:

Eles falavam de trabalho
E eu pensava uma loucura ou ilusão
Como ver o céu em outro lugar
Como ver o horizonte no chão;

Eles falavam de guerras
Pestes, fomes, terras...
E eu a me perguntar
Se a Madonna
Ainda tem o que mostrar
( como dizem )
Nestas eras de Britney Spears
E Sandy virgens.

Eu acho que eles têm muitas verdades,
Talvez por isso,
Não compreendam a realidade.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dádivas


Sempre que fui pedir algo a DEUS
ELE recebeu-me com um sorriso.

  Quando pedi-lhe um leito,
  ELE deu-me uma mãe;
  Quando pedi-lhe um lar,
  ELE deu-me o universo;
  Quando pedi-lhe um amigo fiel,
  Fez-me imaginá-LO;
  Quando pedi-lhe sabedoria,
  ELE deu-me o instinto;
  Quando pedi-lhe um amor,
  ELE deu-me uma alma;
  Quando pedi-lhe alegria,
  Fez-me palhaço;
  Quando pedi-lhe esquecimento,
  ELE fez-me ator;
  Quando pedi-lhe vida,
  Fez-me poeta;
  Quando pedi-lhe inspiração,
  Trouxe-me a música.

E quantas vezes mais busquei-O,
Sempre recebeu-me feliz.

Quando pedi-lhe para morrer,
ELE, simplesmente, fez-me caminhar.

Não pediu-me para esquecer;
Também não esqueci.

Fantasma de um poeta


O homem que caminha descalço

Para experimentar

Um pouco de liberdade

E assiste ao mundo

Do alto do telhado

Sente-se frágil

Diante dos homens de aço

A que nos reduzimos.


Minha Casa



Na casa de minha mãe



A alegria é reinante:




Os netinhos correndo pelos corredores,




Plantas por todos os lados,




Andorinhas de porcelana penduradas na sala.




O regaço maternal formando um lar




De amor e cumplicidade...




Ah,... e o meu retrato na parede.

                               

  

Adaptação

de volta à fôrma

Trinta anos.
Devo repansar minha vida:
Um emprego formal,
Uma namorada fixa
E deixar para trás
As ideias de outrora;
Gravar um número
Ao lado do nome/sobrenome,
Comprar um sofá e uma t.v....
Foi nisto que deu
A minha ansiedade pelo tempo.
Ontem comprei roupas novas
Para este velho corpo
E, logo que fizer a barba
E colocá-las,
Começarei a adaptação.

Bruna


Ei garoto,
Aquela menina agora é uma mulher,
Comprando cigarros no bar,
À meia-noite.
Ontem ela discutiu comigo,
Falando palavrões e dando socos,
E a sua inocência se dissolveu.

Ei garoto,
Os caminhos que esta geração trilhou,
Melhor seria não ter pernas
Nem vontade de andar.
No bar, ela é uma rainha
Que se auto-destronará...

Ei garoto,
Pega a tua ingenuidade
E tranca-te em casa,
Porque, naquele bar,
As pessoas estão naufragando
E a tua presença
Superlotará a balsa.

Pobre menina linda!
Os sonhos dela serão
Como as cinzas dos seus cigarros;
Nada menos!

Absorto


A ideia pode vir de qualquer pequena coisa:
De um pensamento, de uma voz, visão ou estalo.
A poesia não.
A poesia vem de mundo desconhecido,
Trabalhada a ferro e fogo
Dentro de um ser hospedeiro
E é necessário inspiração
Até mesmo para passar a limpo.
Portanto, quando reinar o mais absoluto silêncio
E houver um poeta,

(psiuuuu!)

Alí, alguém ou alguma coisa
Está nascendo...
Tomando forma...
Alma... cor...
Ganhando vida, enfim!

Neste momento de silêncio e efervescência,
Alguém ou alguma coisa
Está se transformando ou sendo transformado
Em poesia.

(Psiuuuu!)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Cegos e Perigosos


Com um sorriso frio de sudário
a noite morria na filosofia dos outros.
Estes, pedindo a Deus
que fechasse os olhos
por horas determinadas.
Aqueles, que lhes protegesse,
sem saberem exatamente do que.
Há prantos pelas sombras,
ranger de dentes... e esperanças:
Todos perdidos e acusando-se.
Os profetas e os poetas,
profanos e blasfemos,
repetem a cena em volta da fogueira,
como a imortalizar um século maldito.
Outros usam a fé cega.
Uns a faca amolada.
Somos nós e o mundo.
Falta a verdade.


para saber quem sou eu!


Depois de tantos que fui
Sinto-me tão só,
Sem poesias ou palavras
Para desatar este nó!

Quero um pouco de sono,
Mesmo adormecendo ao léu.
Um sonho para sonhar (aceito)
Asas para chegar ao céu.

Agora estou insone
E não tenho asas.
Vou parar à minha porta,
Talvez, nem entre em casa.

E de que me adianta?
Eu não sei de quem é a culpa.
Tanto tempo preparando a fuga;
Agora, este nó na garganta!

conto sobre mim mesmo


No início, foi só tristeza.
Depois, veio a depressão
- cansaço da juventude -
Até que
A deficiência imunológica da alma
Estiolou todo o corpo.
Corpo de bicho doente.
O quadro era patético,
Lastimável agonia de passarinho
Morrendo lentamente.
Ele, já moribundo,
Ensaiava um riso;
À sua volta,
Todos começavam a chorar.
Por fim, estava morto:
Aurora teleológica.
Sim! aurora sim!
Porque no delírio final
Ele sentiu febre
E aquela febre veio resgatá-lo
De toda a miséria
Da grandeza do espírito humano,
Que se traduz em
Solidão e esquecimento.



Letargia


Estes jovens - inimigos mortais da estagnação
Andam tentando vencer a distância
Que os separa dos ideais da infância
Lutando contra a própria acomodação.

    Por toda turbulência que provoca esta ânsia
    Há no peito dos cegos uma convulsão
    E um tropismo idiotizante para a compulsão
    Levando-os à escravidão e autorrepugnância.

Andam escondendo os seus rostos
Culpando o azar do mês de agosto
Com descomunal desfaçatez.

    A abundância material é o que vale
    O espírito da razão seu clamor cale
    E morram os que pregam a sensatez!


Outra salvação


Eu conheci a agrura dos dias atros
sem a ajuda da luz que,
poderia, até, cegar-me,
do modo, tão óbvio,
que as coisas apresentaram-se.

Eu era a terceira ponta
de um triângulo de amor sodomista,
em meio aos caprichos libidinosos
de um casal pervertido.

Quando em mim
tudo parecia corromper-se,
fui procurar outra salvação
e deixei-os consumindo-se
neste abismo
da frieza da alma.

Quase uma ciranda


A fumaça persegue
O atroz incendiário
Assim como o sangue
Da vítima jorra
Diante do algoz sanguinário.
Atroz
Algoz
E vós
Sem voz
Os outros somos nós
Na noite veloz
Antes e após
E quem nos impôs
A palavra depois
Desmente quem sois
Foi-se.
Machado
Marcado
Pau derribado
Jacarandá
E se Deus não dá
Ninguém emprestará
Alugará
Foice.

As Estrelas No Azul


Seres inconsequentes
Criaturas descivilizadas
Cidadãos inconscientes
Formam as nações descolonizadas.

Ninguém mais sabe amar
Nem se respeita o amor
E para te conquistar
Pagam seja quanto for.

Quero morrer de uma vez
E que seja sozinho
Longe da tua insensatez
Que é mais que pedra no caminho.

Brazil, país dos instintos imorais
Onde os belos já morreram
Onde não têm vida os imortais
E os babilônios enriqueceram.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A casa onde se vendem os chip`s de inconsciência



É o inferno consumidor de jovens vidas
 Onde enormes prateleiras subterrâneas
  Fazem exposição da morte instantânea
   Onde ilusões e decadência são vendidas.

      Sim, a minha geração inconsciente
       Procurou-as como a um remédio
        Contra a solidão, a covardia, o tédio
         De que todos estamos doentes.

           Lá, sepulcro de todo sonho,
            Há um coveiro, comerciante medonho
             Com uma pá, garimpando gerações...

                E, atolados neste lodo horrendo
                 Os nossos filhos estão morrendo
                   E uma geração compra as suas desilusões.

Febre na cabeça


Fazer um poema
É como conceber um filho:

Dá-te prazer vê-lo admirado por todos...

Mas o ato do nascimento
Rasga-te o corpo,
Consome a tua alma...
E o poeta mergulha
Nas trevas da inspiração
Para emergir com a luz
Da concepção dos versos!



Um em seis bilhões


Poesia,
Boa música,
Bons livros,
Bons programas de tv.
E certa elegância,
Quando quero!

Eu deveria ser branco,
Mais alto.
Cabeludo, talvez.
Talvez, se tivesse nascido
No sudeste ou no sul.

É verdade:
Eu bebo muito,
Sou meio vagabundo,
Me visto mal.
Com certa deselegância,
Quando quero!

Parece confuso?

Estranho mesmo
É que me condenam
Só porque
Mudei de cidade,
Arranjei novos amigos,
Ouço outras canções...



PATER NOSTER

(variação sobre o tema)


Não por esta santidade de gesso,
pela qual suscita-se um Cristo nórdico
de uma beleza física perfeita
e de uma bondade quase insana...
mas tenha fé
e a igreja estará em ti!

Os santos pecaram sem hipocrisia,
tornando-se malditos,
por isso estão no céu.

Cá embaixo, Pilatus,
lavando as mãos em sangue
para satisfazer uma lei
que privilegia a uns
recolher as moedas dos altares,
a outros, 
obriga carregar a cruz do mundo:

Pai-nosso que estais no céu,
santificado seja o teu nome,
seja feita a tua vontade
e, para que venha o teu reino,
não olheis os nossos pecados
assim como julgamos aos outros,
mas ensina-nos a ter para com eles
a mesma caridade que 
(dizem) 
tendes conosco;
livrai-nos de ser o mal
ao nosso semelhante
e isto nos livrará de todo o mal,

Amém.

último delírio


Para que dinheiro?
Somente o alívio sentido
No delírio da auto-morte
Poderá ressarcir-me da dor
De uma existência infame,
De sorrisos afáveis
E olhares apunhalantes!

E o poeta da geração enferma
Contaminou-se em seus próprios versos.
Agora está morto!
E quem lê-lo e entendê-lo
Verá o quão são insignificantes
Este mundo e os seres
Que dele usufruem!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Causa Perdida



Ah, poeta intrometido, deixa-me!
Que tens tu com a minha escravidão?
Que te importa
As correntes nos meus tornozelos?
As algemas nos meus pulsos?
As favelas ou senzalas onde vivo?
Que tens?
Deixa-me aqui, calmo e cativo!
Que te importa a minha dor?
Fala ao teu coração que nada podes fazer
Porque nada és e nada significas!
É do teu interesse tirar-me o sossego
Ou roubar-me a escravidão hereditária
Que ficará ao meu filho?
E me vens falar em liberdade,
Tu que és louco e bandalho
E vives a poetar
Para as messalinas e pilintras?
Ora, a tua liberdade é só uma embriaguez:
Aqueles que nada sabem, pouco te entendem;
Os que dizem tudo saber (e certamente sabem menos que nada)
Te atiram pedras.
E isto enfim é escravidão:
Tu serves neste mundo a troco de sonhos
Que jamais se realizarão
E receberá por isto
Apenas uma maldita lembrança póstuma!
Ah poeta de alma inquieta,
Senta-te aqui, junta-te a mim
E sede escravo também!
Ou, então, pega o teu livro dos tempos
E foge para outra eternidade
Para tentar salvar outras encarnações.



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O tesoureiro da humanidade


Pobre é a essência do teu ser!

Pobre, tão pobre como é pobre
A miserabilidade de só ter.
Como pode tal mesquinharia caber
Dentro de uma carapuça tão nobre?

Pobre é o estado do teu ser
Que não reconhece bem ou mal.
Teu espírito vende-se pela quantia fatal
Na aterradora ânsia de enriquecer...

Pobre no saber
Pobre por tudo querer
Sem realmente entender para quê!

À geração de amanhã


Dizem do meu futuro
Que não chegarei a lugar algum;
Dizem isto do meu futuro:
Que não tenho futuro nenhum.

Dizem do meu presente
Que as mentiras do passado estão valendo.
Todo o meu passado é uma mentira.
Não acredito no que estão dizendo.

Fiz uma trégua com o tempo
Para ficar algumas horas distraído.
Quando ele acordar deste momento
Eu o haverei traído.

Daí em diante,
Não mais quero mentir;
Nem para vencer o instante,
Nem para me distrair.

Sistemas Temerários


O temerário nestes sistemas
É que eles vendem (se) caro
Mesmo não valendo nada,
Mesmo sendo inúteis
Dizem-se bons produtos,
Com manuais de instruções
E garantias falsas.
Em oposição,
Eu comando um mundo em constante ebulição,
Que se vai moldando a mim
De forma lenta e gradual;
E temo ambos os destinos.

Quilombo Moderno



Mais de quatrocentos anos depois
A história não mudou nada
- Senzala ou favela, favela ou senzala -
Trazem a mesma escravatura...
Nestes sombrios supermercados de almas,
Comércio da (in)dignidade humana,
Isentos dos impostos já cobrados na produção
- Praticamente industrial -
Em que nascem e morrem os nossos filhos.

____________________________________________

Você precisa saber
Sobre o "rebate" que já se deu,
Mas está sempre a dormir (Negro)
Por isso não sabe o que aconteceu.

Resgate fatal, Édson Gomes.



Elefante Negro


Ando tão chateado ultimamente
Que estive mutilando partes do meu próprio corpo
Para matar o tempo.
Andei cremando estes pequeninos pedaços de mim
E jogando as cinzas entre as rosas,
Para que sequem.
Não me venha falar do paraíso.
Para mim, um 'delirium tremens' hoje,
Vômitos e alguns goles de água amanhã
Me trarão o alívio necessário.
Contenta-me mais o nojo de mim

E a solidão nesta existência infértil
Do que a felicidade que vocês me desejam.
Mostre-me o lugar onde a morte é natural,
Onde nada seja forjado
Na ganância e no cinismo
E nem tão falso
Como estas encenações pantomímicas
Das guerras santas e justas.
Mostre-me o lugar
Onde um homem farto e cansado da vida
Possa encontrar
Seu merecido aposento eterno...
E me dirigirei
Voluntária e calmamente para lá.



Poesia contra a máquina




Da frieza da lâmina
O desejo e o sangue
São um só corte.
Da lembrança de mais uma guerra
Outra ferida para esquecer
Ou lembrar, ou sanar
Ou uma impossibilidade.
O eu que não sou
Como o ensejo potencial irrealizável.
Do inexequível já a ruína
E, para os que troçam, outra dúvida
De um jamais tão cotidiano
Já a sombra sem a luz
O som de antes do silêncio
Uma vida para temer:

O hebreu disse não!
Espártacus disse não!
Dandara disse não!
O terrorista disse não!
O anti-mídia, com certeza, dirá não!
E talvez algo mude.

Em frente à tevê
Enfrente a tevê.

____________________________________

" Toda pessoa corre o risco de se tornar
bode expiatório da Globo. "

( inscrição num muro no centro de Santo André )

Não me toque!


O meu corpo
Não tem tatuagens ou adereços
Nem mais as cicatrizes às costas,
De quando me arrancaram o coração.

A minha alma,
Imperfeita e superior,
Faz do meu corpo
O meu próprio templo e,
Embora aloje o bem e o mal,
Deve permanecer inviolável.

A noite dos desesperados


Brindaram,
Com mãos ainda ensanguentadas,
Este amor insano
Que nasceu de forma errada!

As roupas negras sujas
Escondendo seus medos;
Eles, covardes antropófagos
Deliciam-se, chupando os dedos.

Vamos embora,
Aí vem os soldados.
Vamos, vamos embora,
Já estamos saciados.

Bebamos o licor
Dos filhos dos santos...
Aos deuses de aço
Ficará o espanto.

Vamos embora,
Vamos dormir!


Autômatos


O futuro já havia acontecido
Nós continuamos perdidos
Querendo saber...

Se o passado nunca retorna
E este presente pouco importa
Me diz como vai ser.

Eu fecho as portas
Saio à procura de respostas
Que escondem de nós...

À escuridão dos dias
Por vivermos na covardia
Nosso futuro será apenas pó!

Transversal



O tempo que ambos passamos
Perdidos na multidão
Fuga da cidade
Neuroses
Os carros que não têm placas
Andando devagar
Um perigo
Os ocupantes
Robôs, máquinas
Maquinados
Manipuláveis
Os carros comandam
Avançam
The Car`s
Drive
Nós recuamos.

Hereditariedade aplicada



Nós, jovens poetas da atualidade,
Velhos fantasmas de nós mesmos,
Assombradores de nossas próprias casas:
Por não termos lar,
Por não sabermos quem somos,
Por não termos espelho,
Nos tornamos figuras meramente espectrais
E inventamos toda esta loa
Enquanto nos preparamos para animar a guerra.
Particularmente, fico taciturno,
Apenas imaginando
Como enganar os moços
Que recrutarei para morrerem
Pelos meus ideais reacionários.




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Cinzas da evolução


Era um lugar no campo.
As casas afastadas.
O barulho das crianças:
Uma breve música no ar.

Impossível imaginar aquilo tudo
Virando cidade e não mais ouvir
O 'Velho Chico' tocando viola, à tarde...

É um jogo
Que nos obrigam a jogar:
É de tirar o fôlego.
E quando acaba
Estamos todos perdidos!

No silêncio da planície fértil,
A biosfera nascia e renascia
Ao sabor do sol,
Que alimenta e seca, sem pecado...

Até eles trazerem a lei
Que quebra a regra,
Fazendo tudo virar fumaça.


Naquela noite não dormi,
Imaginando cada passo deles...
Até baterem à minha porta
E falarem da nova ordem.

É um jogo
Que nos obrigam a jogar:
É de tirar o fôlego.

E quando acaba
Estamos todos perdidos!

Eles trouxeram o progresso,
Fazendo tudo virar fumaça
E, algum dia,

Tudo será apenas cinzas!



Homem Comum


Não nasci para Rei.
Não sou inteligente ou sábio.
A minha mente
E a minha alma
São bastante conturbadas
(Acho que é por isso
Que me chamam de maluco)
E eu não sei de onde vem
Todo este meu
Ufano senso de superioridade.

Criadores De Uma Realidade Fantástica

( Ao Poeta Marcos Alves Brasileiro, Amigo )


Por algum tempo haviam cessado de sonhar...

Depois, cansados do confinamento
Na vastidão do cosmos,
De serem homens comuns neste mundo
-Desconhecidos e esquecidos -
Lançando mão de uma licença poética
Somente a eles conferida
E de seus intelectos ilimitáveis,
Abriram uma fenda no tempo
E criaram uma Realidade Fantástica!

Por algum tempo voltaram a sonhar.

Até descobrirem que,
Vivendo muito tempo
Fora desta realidade,
Encontrariam nos sonhos,
Ou após eles,
Uma realidade ainda mais cruel!

E novamente cessaram de sonhar.



Ingratos e Infiéis


Não éramos apóstolos.
Saímos da última ceia
Sentindo muita fome
E as nossas esperanças de fartura
Jamais ressuscitaram.
Rezamos todas as noites
E, enquanto o milagre não vem,
Vamos praticando obras tortas.
Também sentimos sede,
E o sangue
Que está à venda nos bares
Nos tem embriagado a fé
E nos tem custado
As nossas vidas.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Muros


Aí está o futuro que profetizei!...
E por dar medo,
Eles entraram na minha casa
E rasgaram os meus poemas
Que foram, outrora,
O único obstáculo
Às suas bombas e fuzís.
Digam-me que não sou poeta
E matem-me,
Cortem-me a cabeça
E, cada gota de sangue que pingar
Falará desta paz que advogo!

O mistério da lâmina



Há um mistério no sádico prazer da lâmina
Que a faz ter amor pelo sangue
E que a faz pagar qualquer preço
Para satisfazê-lo;
Que a faz ser navalha
Na mão do artífice barbeiro,
A cortar os cabelos e as faces
Dos vaidosos homens civilizados;
Que a faz ser estilete
No bolso dos malandros,
Brigando, à noite, por amor
Das mulheres, nas tavernas;
Que a faz ser machado e foice
Na luta entre lenhadores e florestas,
Ferindo por uns e vingando-se por outras;
Que a faz ser espada e lança
Empunhadas pelos brutos,
Em guerras que não são dela:
Tudo isto por amor ao sangue!
Há um sádico prazer no mistério da lâmina!

Dias Passados



Acabou!

Já não há lembranças;

Eu sou outro;

O mundo é enorme

E se ela

Já não passa

Em frente à minha janela

- já era! -

Vou viver

E deixar que o resto morra.

O beijo e a demora



Vem, mulher... mas, devagar.
Deixe-me sentir
O veneno dos teus lábios
Para morrer
Tão logo o beijo acabe,
E viver
Enquanto o beijo dure!



Teia de Arame



O dinheiro compra drogas,
Roupas e pessoas,
E pessoas se vendem fácil!

Morte é esse amor
Que foge aos meus beijos,
E eu não amo ninguém!

Anjos inocentes sentados no colo
De um deus embriagado...

E a vida tornou-se
Um poema, além da música,
Que eu rimo e proso;
Algumas vezes, versejo
Como uma criança
De quem roubaram um brinquedo...

Daí os meus palhaços choram
E os meus sonhos são todos tristes!

Aprendizado



Um dia,
a minha mãe me disse
Para ter cuidado.
Mas eu também quero
Conhecer o abismo
Para entender
Porquê devo evitá-lo.


Outro dia,
Vi você atolada
E em total desespero,
Me estendendo a mão;
Ia salvar tudo,
Aí, hesitei...
Recuei um passo.



Sobriedade



Vivas ao café!
Vivas às ideias brilhantes!
Vivas à eternidade de um segundo!
À efemeridade!
À atemporalidade!
Vivas à insônia!
Afinal, uma noite não dormida
Acrescenta mil anos
A esta vida tão curta.
Eu sou amigo do tempo.
E deixa o domingo chover alegre...
Amanhã é segunda:
Belo, belíssimo dia!





Novel



Vamos fugir de novo
De olhos fechados e mãos vazias?
Meus problemas eu resolvo
Quando parar com as fantasias.

A televisão (embora envenenado) é o pão

Que nos é dado diariamente
E como morremos pela televisão
Nos é dado gratuitamente.

Sob a luz trêmula da televisão

Só uma fantasia
Tudo me escapou por entre as mãos
E só acordei no outro dia.




República Federativa Do Nosso Faminto Brasil




Ponha os pratos na mesa
E tenhamos uma conversa séria.
Honestamente, eu gostaria de comer
Antes de me pronunciar.
Me parece incoerente falar da minha fome,
Olhando para todas estas travessas cheias
E com o meu estômago vazio.
Suas palavras insípidas tentando aplacar
Os meus espasmos fisiológicos,
A tanto tempo esperando...
Nesta mesa está a cura dos meus males.
Eu receito a vocês um prato raso da sua ingerência,
Talvez isto cure a sua indigestão.
Agora vamos sanar as dores imediatas:
Se olharem pela janela do presente,
Verão os abstêmios de pão
Rasgando livros para as fogueiras;
Vislumbrando o futuro ( como se faz neste país )
Avistarão seus corpos tísicos
Sendo atirados em valas coletivas,
Fazendo pairar sobre suas consciências
As suas almas famintas,
Trincando dentes,
Salivando ao ronco estomacal,
A lançar olhares sedentos
Sobre as suas carnes e as suas roupas...
Retire os pratos da mesa e paremos,
Satisfeitos,
Com esta conversa fria.
Uma compota de hipocrisia e silêncio
Para a nossa desnutrição moral,
E discurse o Ministro,
Para fechar a convenção!



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sopro de Vida




Outro que soprou,
Locomoveu mundos,
Reanimou.
- Louco! - dizem.
E ele responde surdo:
- Vivo:
Levantar poeira de outras estrelas,
Águas, ventos, luzes;
Acordar tudo de novo! -
Outros dizem:
- É o fim! -
Ele, cego, responde:
- Começar:
E tudo chega hoje;
Os outros podem ir,
Eu refaço;
Mas não posso recriar
O que morreu de véspera! -
E dizem:
- Não queremos! -
E ele responde:
- Não querer mata tudo! -
Mas continua soprando!

Depois da segunda inocência



Perdi mais uma luta.
O que importa isto?
Ganhá-las tornou-se um tédio só.
Então, deixei de ser criança;
E agora que cresci
Percebi que as pessoas
São realmente estranhas.
Por isso, não me venha falar de amor.
O amor, na minha concepção,
Tem sinônimos vários
E nenhum deles é como você pensa.
Eu respeito todas as coisas.
Por isso, não me venha falar de amor.
Eu não amo,
Eu não sou assim!

S.O.S sem socorro



O tempo tem passado por mim
Sem olhar para o lado,
Como se eu precisasse provar que existo.
O mundo está à procura de um herói,
De um homem perfeito
E constituído do mais puro aço.
Eu tenho o defeito de sangrar
( Sonhar )
Crer na educação que me foi dada,
E que sensibilidade e sensatez - razão -
Farão da humanidade
Uma raça menos ordinária!

Futebol e Novelas



Segurando o pálio do diabo
Neste país de procissão e carnaval,
Transformando mentira em calmaria.
Os ventos de outras direções
Mudam os rumos dos barcos;
Não vou ficar esperando.
As prisões são idênticas
Em todas as épocas e circunstâncias;
Só aqui ninguém se rebela.
Também pudera:
Fui escolher para nascer
Numa noite chuvosa e no fim do mundo!
Mas, devagar com o andor,
Que a estrada é escura
E o santo parece
Não estar do nosso lado.



lição de cada um



Era só um gole - não faria diferença.
A consequência seria só uma embriaguez.
O fim do mundo já tinha conserto
- Mas a loucura daqueles dias era mortal! -
E desde que éramos jovens
Nos importava viver mais.
O amanhã foi apenas outro dia.
Mas viver não era só sobreviver!
E se havia mais, nós queríamos mais!
Depois do outro gole tudo acabou.
E eu,
Talvez convertido no último instante,
Não soube crer
E, já me encontrando à beira do precipício,
Também saltei para conhecê-lo.

Sangrando e confuso



No meu lugar
Qualquer um alegaria fome, medo.
Mas em mim é ódio, uma coisa que consome:
Derramar sangue, vísceras;
Partir crânios;
Saciar uma sede malígna!...

No meu lugar
Ninguém admitiria o fracasso:
O animal íntimo assumiu o controle
Dos meus pensamentos e ações,
E quer vingança!
Não mais como uma fera irracional,
Mas, de uma fúria requintada
Que vai se fortalecendo
À medida que o sangue esfria!...

No meu lugar
Ninguém confessaria tal desejo,
Ou mesmo,
Tomaria consciência de tal força!

No meu lugar
Ninguém refrearia tanto
Tais instintos,
Tão puros!


A Chaga que Trouxe o Ódio



Aquele homem caminhava
Carregando a sua cruz.
Sentindo frio,
Cobria-se com o céu;
Alimentava-se de sonhos
E bebia do suor
Que não caía ao chão.
Um dia ele falou.
A humanidade não suportou
As suas verdades
E conspirou-se
Para matar aquele homem.
Ele representa
As pessoas com pedras nas mãos
Sem forças para atirá-las;
Aqueles que calam. Calam e não consentem;
Os outros com fome,
Olhando vitrines de alimentos...
Agora, eles estão empregando
Canivetes e revólveres
Para impor ao mundo
A paz
Que nunca soubemos construir.

Pela Coleira




Lord Taylor Airão Airoso:
Impavesado de impáfia,
Vinte e quatro horas vestido
Naquelas roupas pomposas,
Iguais às de todos os outros;
Tomando posturas e trejeitos
Pré-determinados por aquelas pessoas chatas,
Donas dos seus narizes,
Mas sem nenhuma autonomia sobre eles.
Perplexo, me pergunto
Se aquilo só
É tudo que o dinheiro pode comprar.
Eu vim de um lugar
Onde, na maior parte do tempo,
Falta comida
E nada entendo de etiqueta.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

FIAT LUX

( Gênesis, em alguma parte que falta )

E disse DEUS:

- "Vai Zezinho, sê poeta
E, desarmado combate incessantemente
Um mundo traiçoeiro que...
Ei Zezinho, tire a mão da caixa dos milagres!
Zezinho, volte aqui com estes cadernos!
Zezinho! Zezinho! zé-!..."
E, abanando a cabeça e abrindo os braços,
Mãos espalmadas a derramar bênçãos,

Disse:

- "Vai zezinho, há uma vida à tua espera;
Aprenderás a viver e a amar."
E, tornando para os anjos:
- "Alguém proteja-o,
Não o abandone um só instante!"

Houve risos.

Alguns dos angelicais apiedaram-se
De quem recebeu "tão árdua tarefa"
E todos agradeceram
Por não terem sido o escolhido.

Aqui embaixo,
As coisas até que vão indo bem.

Cismas


O Cristo também teve seus dias de desgraça:
- " Quando não houver quem zombe
Deixará de valer a pena. " -
Eu encontrei um atalho,
Fazendo o tempo perdido correr atrás de mim.
O inimigo caiu: vou reerguê-lo.
Mas não sem antes
Contemplar o quadro... traçar panoramas...
Rir-me interiormente do vexame...
Talvez eu crie um lugar para mim.
Eu sou um invasor,
Aonde quer que eu vá
Me sinto um estrangeiro
E sempre encontro
Quem queira acender a minha pira
Com base nestas considerações.

Vendo os trens passarem



Dito não acreditar no "pra sempre"
Descaracterizo também
"O nunca, o jamais".
Tudo é até breve!
E nem precisamos saber até quando.
As flores que eu te daria
Nasceriam no concreto.
Isto jamais acontecerá!
Então, até breve!
Vou-me embora para nunca mais.
Até breve!
Eu verteria algumas poucas lágrimas,
Mas sou um homem de aço,
Sempre pago para nunca chorar.



Amar como penitência



Naquele triângulo de amor amaldiçoado
Cada um sobrevive como pode.
Três corações partidos em um...
Por um capricho sombrio:
Ela, com o seu jeito mórbido,
Atraiu para si dois tolos,
Incautos com os seus próprios sentimentos,
Que agora, como condenados ao purgatório,
Lançam cantilenas perturbadoras
Ora a Deus, ora ao Diabo,
Que os liberte deste jogo perverso.
O pranto deles soa como guizos horroríssonos
Que nos fere alma e ouvidos.
E as lágrimas que caem ao chão
Secam até mesmo aos espinhos e daninhas.
A maldição dos amantes:
Furor, libido e solidão.
Quantos amores já não morreram
Por medo de tal destino?
Eu os vejo como crianças puras.
O que fazem aos seus corações
É que desertificou o vale
Onde habitavam pacificamente os seus espíritos.
E seguem as suas vidas secas
Penitenciados,
Amando a um e odiando ao outro.



Taverna da Conspiração



São todas essas injustiças sociais
que trazem fomes e pestes,
esta corrupção maldita,
a inépcia deste povo inconsciente,
mal educado e mal alimentado,
sofrendo guerras e rumores de guerras...

Vamos derrubar o presidente
e instituir um genocida no poder!

Ah camaradas, o mundo está errado:
nascemos do barro e dos vermes,
somos, em verdade, sua semelhança imperfeita
e nada fazemos para sermos dignos de nada!

A nossa fé é falsa
e constitui um crime contra os céus
e, se rezamos
é para jogar a culpa uns nos outros.

Vamos destronar Deus
e elevar um poeta ao poder!

Mas...vejamos...
esperem um pouco!
esperem um pouco!...

Ia me esquecendo...

DEUS É UM POETA!

Curva do tempo



Hoje, acordei tarde demais
Para a poesia e para a vida!

Bem, para a vida
Estou sempre a dormir.
Quando, às vezes me debordo
De lá para cá
De cá para lá
Devo está sonâmbulo.

Ah, mas é pela poesia
Que tenho febre e dor.
As noites em claro,
Os dias de íntimas trevas...

Que me importa ser sonhador
Nestas eras de insônia?

Deveria ter despertado e saído.

Hoje, acordei tarde demais!
Eu já não era eu
Mas ainda estava lá.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Uma Trégua Com O Tempo



Os dias nunca mais foram os mesmos.
Cada um traz sua drástica realidade.
Eu continuo passando o tempo...
Só que agora, com mais calma.
Andam espalhando alguns boatos
Sobre coisas que supostamente faço.
Estou apenas amadurecendo um pouco...
O tempo faz todo o trabalho.
Vou levando a vida
De forma displicente,
Ajudado por pequenos milagres,
Favores, que tenho recebido sem reclamar.
O que faço da vida
São dois milagres somente:
Um deles é sorrir;
O outro é uma poesia
Tão preguiçosa e egocêntrica,
Que não movo um só dedo para publicá-la.

Certo Ceticismo



Se eu não tivesse alma
A minha cabeça seria
Um outro ser
Completamente à parte do corpo;

( deixemos a cabeça no lugar! )

Se eu não tivesse alma
Seria um gênio
Pelas verdades que conheço
E pelas mentiras que invento;

( eu devo ser louco! )

Se eu não tivesse alma
Pelas passadas ágeis
E pela fome fisiológica que suporto
Seria uma máquina
À frente de qualquer tempo.

( isto deve ser força moral! )

Se eu não tivesse alma
Por tudo que me desperta
Enternecimento e indiferença
Pelo ódio que nutro
Pelo amor que me lavra
'Ah coração
Cravo-lhe uma adaga!'

( mas é preciso sentir )

A minha cabeça quer ser dona de mim;
O meu coração faz o que quer;
O meu corpo reclama desejos;
Eu quero viver mais;

( eu não sou apenas eu! )