Pierrot

Pierrot
la tristesse

terça-feira, 19 de abril de 2011

A GUERRA DE UM SÓ



Estava tudo preparado
Passei noites entrincheirado
Esperando qualquer que se movimentasse
E parasse
Para que o tiro saísse perfeito;
E nada feito!

O meu coração está na casa do luto.
Mas não temos tempo para chorar
Porque aqui morremos um a cada minuto!

Eu vinha de um amor ruim,
Precisando apressar o fim...
...Alguém comigo, que caminhasse
E voltasse
Para que o ódio fosse perfeito;
E nada feito!

A noite tem vociferações atrozes.
E quando vem o silêncio
Eu continuo ouvindo vozes!

A causa começou perdida
E havia custado a minha vida.
Era preciso que alguém acreditasse
E se acovardasse
Para me transformar no mártir perfeito;
E nada feito!

Nesta guerra somos espectros e máquinas manipuláveis.
E de nada adianta ajuntar moedas
Porque a paz custa fortunas incalculáveis!

Ah! acabou a minha revolta
A solidez virou escombros à minha volta.
Era mister que muita gente pensasse
E lutasse
Para que o curso rumasse perfeito;
- Sim e não - nada feito!

Mesmo vencido, onde tudo se distorça,
Enquanto troçam sobre o meu fracasso
Eu continuo juntando forças!

E, recluso em casa, entre versos e suspiros
Eu continuo escutando tiros!

Solilóquio derradeiro


Na última noite
Em que ninguém me amou
Eu ouvi os seus passos indo embora
Ouvi a sua voz
Dizendo adeus a outras pessoas
E lembrei de quando
Havia dito me amar
- Mentira! -
Mentiras
Foram o que nós fomos.
Quando me vi sozinho
Não pude esperar
Que você voltasse atrás.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Breu definitivo


Alguma coisa em mim está morrendo.
E semelhante processo não cessa.
Vou recolher meus sonhos enquanto chove.
Ao estio, sairei a semear ideias,
...Inda que desprevinido e de mau jeito...
Eu estive sonhando uma vida inteira
E os urbanos passaram a me perseguir.
Fuja, maluco, da esquina!
As ruas não estão seguras:
Nós somos a minoria
E enquanto sobrevivermos
Isto não cessará.
Aqueles que atiram contra o breu
Não divisam mulheres nem crianças.
O inimigo só não conta
Com uma desgraça ainda mais avassaladora:
Cada vez que algo morre em mim
Eu renasço
Mais forte e menos escrupuloso.

Tome este anel




o Amor,
um universo dentro de mim,
faz-me infinito;
a minha mão estendida a ti
com um poema escrito;
a minha boca buscando a tua
a carne nua... a carne nua
a febre, a cura, o grito
o encontro dos meus olhos com os teus
a fome saciada
e unindo nossas mãos, a mão de Deus.

Um estranho ao espelho


Abominação.
No fundo tudo é abominável.
O mundo é abominável,
As pessoas, a vida...
O suicídio é abominável.
Não serás tu também abominável?
O desviar dos outros
- Os outros sou eu no espelho -
Eu mesmo já abominável.

Farto de tudo


Estou em guerra com a fome.
Trincar dentes é meu brado
E a minha arma;
Comer a minha própria carne
Foi minha vingança.
Mostro meu esqueleto como estandarte:
Não chorei, não clamei.
Às favas com a tua piedade!
A tua pena é covardia,
Medo de me enfrentar!
Qual é a tua arma?
Cadê tua coragem?
Olha pra mim,
Combate-me com o olhar (ao menos)
E vê como eu morro
- De pé -
E diz se sou escassez
Ou se me fartei de tudo!

Certezas


Tudo o que faço precisa de você.
De repente, um silêncio no quarto,
E o coração,
Que já não fala por si mesmo,
Segue a pulsar
Sem conseguir explicar
Os erros que cometeu:
É que antes não havia você
E tínhamos desculpas para tudo,
A solidão era um abrigo,
Até não podermos mais fugir da tua presença.

Tudo o que penso precisa de você.
E o sono não vem;
Talvez, por não haver sonhos;
Talvez, por não querer realizá-los;
Certamente porque tudo o que sinto
É você.

Quando a cena muda


Eu fiz daquela cena sangrenta
A minha poesia.
A solidão que ela me trouxe
Se instalou em mim
De um modo inebriante
E compôs toda a cena.

Então, me veio o tempo,
Revirando as feridas abertas,
Fazendo doer e esquecer
Na vertigem do vazio
Como um ópio sem ilusão
E descompôs toda a cena.

Por motivos de força maior ou loucura
Apoderei-me do Ser Tempo.
As trevas vieram, veio a luz;
Sanidade e insanidade cessaram o combate,
Abriu-se em mim a contemplação do nada
E a explosão da concepção
Do caos e do existir
E recompôs toda a cena,

Abnegação


Leve o tempo que quiser!
Você tem necessidade
De ver e viver todas as coisas;
Experimente a fundura do abismo
E quando não houver outra saída,
O que restar de mim
Estará presto a receber
O que restar de você.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A cura pelo mal


Tudo volta!
É que desta vez me pegou acordado,
Maior e mais sólido, mais experimentado,
Com força e planejamento para o embate.
Eu sou o vetor desta nova mudança.
Novamente sozinho, sem paixão,
E com considerável reserva de veneno:
Mortal para os outros, antídoto para mim
E, como só me preocupo comigo,
Não tenho nada a temer.
O ódio, enquanto esteve em mim
Me fez um mal terrível
E, como tardei em repeli-lo,
Me curou de chagas mortais, como a hipocrisia.
Dest`arte, aprendi, também, a odiar.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ciclo


À procura da cura
A ferida a dor a loucura
Onde está a cura?

À procura da vida
A dor a loucura a ferida
Onde gastei a vida?

Reabrindo a ferida a lança
A loucura a dor a vingança
Onde o ódio me alcança?

Rebuscando o amor
A vida a ida a dor
Onde a sorte me levou?

Revivendo a dor
A lição a recompensa no labor
Encontrei o amor:

A vida - a ferida viva
A dor - vida vivida
O amor - loucura incontida!

Hereges


Deixe o vento passar.
Nestas nuvens
Os anjos são anjos mesmo.
Mas existem demônios aqui
E, antes que nos acusem
Por não estarmos rezando
De olhos fechados para a vida,
Vamos embora!
Irônico é que não somos nós
Os coletores das igrejas,
Nem os carrascos das santas inquisições
E nem somos os feiticeiros
Que roubam almas através da televisão.
Só rezamos de olhos bem abertos,
E isto, sim, parece um mal maior!



Andrômeda


E se ela estiver sonhando os mesmos sonhos?

Ouvindo e cantarolando as mesmas músicas?

E se eu nunca mais a vir?

Diga-me quem é esta mulher:

O nome, o endereço, o signo, os sonhos;

Qualquer coisa sobre ela me alimenta!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Inseptilismo


O vácuo é o oco
O vazio
A ausência de tudo
De mundos, de pessoas
De tempo
De ar
Inclusive de mim

É vão

O oco do estômago
O vazio da cidadania
O oco da alma
A distância do homem
O oco do amor
O vão do outro

O nada do ser
O ter em vão

O eco do oco no vácuo
O vazio do vago em vão

O oco no vácuo do eco
O vago em vão do vazio





sábado, 9 de abril de 2011

Andróides


Uma grana que venda teu corpo.
A mentira que salva a vida
Cobra muito mais do que se tem
Mas, feche os olhos,
Esqueça o que os outros pensam
E eles não pensarão...
Eu fui roubado certa vez.
Não faz diferença.
De olhos abertos,
Ganhei algum dinheiro
Mas, pelo sim pelo não
Era o meu corpo que queriam.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Primeira canção sob a ilha


A cabeça libertária
Rachada
O joelho de 'não-me-dobro'
Cansado talvez
De tais flexões de balé
- Alma aeróbica -
E esta multidão de sentidos
Reclamando sentido
Ou uma total ausência de.
Foi nisto que deu
Poeta
Sonhar de olhos fechados
Abominar a espada
Negar uma fúria
Que é mais tua do que deles
Que é mais divina...
E tão humana!


Quando acordei no dia seguinte...


Sendo assim
Se ninguém me amou
Foi à toa que cometi suicídio
Foi em vão que cortei os pulsos
Que tomei veneno
Me atirei do penhasco
Mandei todos ao inferno
E não morri?

Assim sendo
Quero os meus poemas de volta
As flores que ofertei
Todas as orações
Que empreguei neste transe
Os sonhos que tive
O pranto o ciúme
Toda a felicidade que dividimos
Toma a tua parte
E deixa a minha!

Praça de Guerra



Pelas frestas da porta
revivo e me dou conta
de um mundo que há lá fora,
cheio de drogas e frio,
tomado pela malícia humana,
onde covardes e genocidas
confabulam os crimes mais hediondos...
há uma forca armada numa praça,
de onde nenhum pescoço sairá ileso;
há um povo clamando por justiça,
violando a natureza com as suas leis;
inocentes e malditos
confundidos no mesmo lado;
há um mundo de verdade ruindo
corrompido pela hipocrisia
dos sonhos que fingimos ter.

A sociedade dos bastardos


Ah, dias monótonos!
Dias sem luta nem paz.
Momentos intermináveis
De culpas e medos,
Dias da pavorosa vingança
Dos monstros que criamos
Em nossos quintais.
Hoje eles tomaram as ruas...
As nossas portas estão trancadas...
Ah, dias de chuva!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ilha no Tempo


É uma saudade de amanhã.
Tenha calma, deixe amanhã passar.
Eu não consigo ser quem sou.
Acho que mudei muito rápido
E já não pertenço ao lugar que sou.
Antes, eu tinha mais alternativas:
Chorar, mentir, culpar alguém...
Até podia tirar a roupa,
Mas já estou desnudo;
Podia morrer, mas não sou mortal...
Eu queria gostar de você,
Mas temo que isto
Me cure dos males do meu mundo.
É uma saudade de amanhã.
Ontem foi medo;
Hoje, só uma ansiedade.

Sepulcral


E o bar
Tornou-se o único refúgio
Após a poesia
Que era plena
E o poeta
Sem lar e sem inspiração
Pena duras leis, duras penas
Por esquecer-se da poesia...
"Ah, e antes que eu esqueça,
Vou sair por aí:
Foi o talento que me restou."

Prazer em futilidades


Reuniu os supérfluos
Em torno de si
Como se juntasse pérolas,
E pérolas
Atirou à lama
Como fossem apenas pedras.


Condenação


No íntimo me sinto corroído,
Culpado e com medo.
A fantasia de palhaço
Supre a falta
Da alma por dentro,
Nesta trama ilusória
De ser homem e existir.

Alvorecer


Tchau, estrelas!
Logo, logo o sol nascerá
Ofuscando tudo que possa luzir
E vocês estarão
Desobrigadas do seu brilho.

Trilogia da Ideia


I - LEITMOTIVEN

- Sei lá!
São impulsos que tenho,
escrevo ao acaso
e o vento se encarrega
de publicar.
Poesia é o caderno
que habita o chão da minha casa.

II - CONCEPÇÃO

Eu nunca assino ou dato
o que escrevo:
em se lendo, saberão que eu escrevi,
o que me isenta da assinatura;
quanto à data,
terá sido a oportuna.

III - VIVÊNCIA

A poesia atesta o ócio do poeta
vendo a vida de uma esquina
Para lá ou para cá
ou olhando de uma janela
para dentro ou para fora.
O poeta é este vagabundo
que, de carona numa ideia,
vaga pelo mundo.


JOSÉ


singularidade
universalidade
contradição.

simplicidade
complexidade
sofrimento.

lutas, heroismo
e fim,
gladiador!

Desalento


Era um dia
Para se escrever algumas linhas
Mas, estava tão cansado
De fazer nada
Que acabou deixando o tempo passar:


"Não sou mais poeta." - pensou intimamente -
"Tudo que senti
Foi um pouco de inveja dos imortais."


Sabia que o dia
Transcorria rápido e ávido
E decidiu simplesmente desprezá-lo.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Segunda canção sob a ilha




Que é tu enfim?
A boca de gritar
Amar sim, mas não sozinho
O peito de sangrar
O corpo de pagar pelo que foi bom
A cabeça libertária
Aberta
A liberdade de só querer
Quando quiser
E se tiver.

FIM



Desamor
Dissabor
Desilusão:
Fuga.

Amor:
Quando não se tem
Quando se tem:
Tudo machuca.

O Terceiro Céu


Eu vi o lugar reservado para o seu futuro;
Onde pessoas apunhalam-se
Por dinheiro e fama,
Matam-se e corrompem-se
Por coisas e causas
Que não valem um pingo de suor;
Mentiras tornam-se verdades
Por atos justificados
Em nome de uma fé na ganância...
Este lugar está sendo preparado
Como recompensa por todos
Os esforços e sonhos
Da sua juventude.
Logo, vocês gozarão o prazer
De serem sugados e extorquidos
Pelos velhos ditadores
Que arbitram este jogo,
Ou ainda, talvez, os derrubem,
Assumam seus postos
E deem continuidade
Aos seus lúgubres desígnios,
Como se isto não lhes adiantasse
O seu próprio abismo...
Eu sei como é o jogo
E lhes aconselho
A voltarem para as suas casas
E repensarem as diretrizes
Que destinarão às suas vidas.