sábado, 28 de julho de 2018
Sobre Escravizados e Escravos
Uns têm ideias libertárias,
Outros se alienam à ideias de terceiros;
Uns lutam para se libertar,
Outros se voluntariam à servidão.
Fugir da exploração forçada
Para uma animalização consentida
Não me parece
Empoderador ou libertário.
O sonho inspira.
A luta realiza.
O que o sonho inspira,
A luta realiza.
O sonho inspira
O que a luta concretiza.
Amamos lutar por amor.
Amamos lutar, por amor:
Amar e lutar as coisas!
Nós somos pluralidades.
Só somos unidade com todos.
quinta-feira, 26 de julho de 2018
Educação Genital
Assexual
Homossexual
Bissexual
Heterossexual
Metrossexual
Ninguém é apenas sexos.
Há vida plena em todos.
Muito além do que
A tua preconceituosa mesquinhez deduz.
E o meu sexo não é da tua conta!
E o teu sexo...
Vá discuti-lo com teus nego,
Com tuas nega...
E foda-te!
Me deixa viver!
Me deixa amar!
Me deixa gozar!
Ou gozo na tua cara!
quarta-feira, 25 de julho de 2018
Sob o manto do abandono
As minhas roupas
Me pesavam demais.
Agora que sou um homem nu,
Quero apenas me revelar a ti,
Ainda que sejas só amargura.
Dois beijos:
Um para lembrar.
Outro para esquecer.
Banhar-me internamente
No teu néctar,
Sugar a tua essência a mim,
Ainda que estejas tóxica.
E confessar amor ainda.
Que não esqueci,
Que não desisti.
E volverei meus olhos aos teus,
Ainda que sintas ódio.
Ciranda Eleitoreira
Fiar
Com fiança
Muita confiança
- Desconfie!
Confabular
Com fábulas
Fabulosos Confabulares
- Não confabule!
Conectar
Com nexo, ou sem
Má conexão
- Desconecte!
Com forma
Desinforma
Conforme
Conforta
Quem fodeu tudo aqui.
Comenta!
Minta!
Condensa
Com densa máscara
Condescendência
Sem decência
Deixando descendência
- Condene!
segunda-feira, 23 de julho de 2018
A Chico E Milton
- Cálice, afasta de mim este pai.
- Cale-se!
- Cálice, afasta de mim este pai.
- Cale-se!
- Afasta de mim este pai, cálice.
Afasta de mim este pai
Que quer verter o meu sangue.
- Cale-se!
- Ou não vou beber até que ele me esqueça.
- Cale-se!
A Solidão Dos Que Partem
A minha solidão,
Como a do ultramaratonista,
Irriga e oxigena meus centros cerebrais
Com um sangue novo e fervente
Que me impulsiona saltos
Além do corpo e do tempo-espaço,
Quando as minhas pernas
São a minha própria poesia,
Um passo empurrado para a razão,
Um tropeço na superstição...
E as minhas distâncias vão ficando na poeira
Como os amores,
Como as saudades.
Não! A minha direção é o Nada.
Longe dos que se agarram
À realidade enquanto mentem.
Eu converso com o vento
Enquanto o deixo para trás
Com notícias da minha passagem,
Que ninguém parece decifrar,
E sigo correndo à frente do tempo
E volto, me posiciono atrás dele
E mantenho o ritmo,
A respiração, a pulsação...
E as minhas saudades vão ficando na poeira
Como as distâncias,
Como os amores.
Num torpor virulento de esmagar mundos,
Nada me detém,
Não me alcançam nem barram.
Uns me esqueceram, outros me virão passar...
E nem contam meus passos.
Eles são, eu estou
E, quando cruzar a última linha,
A minha estória começa...
E os meus amores vão ficando na poeira
Como as saudades,
Como as distâncias.
domingo, 22 de julho de 2018
De Éteres e Poeiras
O tempo é muito senhor de si
Para que eu use relógios,
Tentando confiná-lo
A uma bússola tão ínfima
Enquanto ele flui em todas as direções,
Ilimitavelmente,
Sem parada para choro ou remorso,
Sem mesquinhez,
Transformando cada fração em Eternidades,
Eternidades em grãos de areia
Incontiveis em ampulhetas.
Cada pulso seu é um Universo
Com todas as possibilidades de Tempos e Espaços
Num enigma tão plural
Quanto todo "S" imaginável.
Medi-lo seria aprisioná-lo, domá-lo:
Desafiá-lo a ignorar-nos.
Entre na maré, flua como ele,
Não se prenda ao Nada,
Ao quadrado e ao quadriculado,
Não se meça por sua eterna efemeridade
Sem alfa nem ômega,
Não o meça por tua ansiedade
Que ama o que nem começa
E já termina,
Deixando apenas poeira
A escorrer sem-fim.
quinta-feira, 19 de julho de 2018
Poética da Solidão
A solidão é um meio
De aprendermos
A conviver com o outro.
Nunca um fim em si.
Cura e doença,
Inspiração e expiração,
Lugar do pensamento
Filosófico do ser cotidiano
- História, pesquisa, ciência, arte -
Sonho e pesadelo
Numa sociedade do desastre.
A solidão das ruas,
A multidão de solitários
Fugindo das grandes cidades
Para fugir do que elas são:
Lixo - a grande pegada humana.
quinta-feira, 12 de julho de 2018
Felicidade, ainda que absurda.
A vida não é o bastante.
Daí, a arte, a guerra,
A religião, a mentira,
A poesia.
A realidade não permite
Sermos felizes,
Mas podemos agarrar cada chance
De estarmos felizes
Como em contos de fadas
Que criamos e recriamos
E tornamos
Realidade sem aprisionamento.
Assim, praticamos
O absurdo da felicidade.
Nota Filosófica
Verdade
É um
ou o nosso
ou o nosso
Ponto de vista
Sobre determinado fato,
Ou qualquer mentira
Na qual queremos acreditar.
segunda-feira, 2 de julho de 2018
Bismarkiana Em Tempos De Vácuo Criativo
Estou entediado!
Tudo que havia
Para não ser feito
Eu já (não) realizei.
Fuga Para O Abismo
O conhecimento,
Como o poder,
Acarreta responsabilidades
E, diferentemente deste,
Liberta.
Portanto,
Se tudo que você tem e preza
É a sua própria subserviência,
Fique bem longe
Deste monstro,
Seus tentáculos e tentações.
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