Pierrot

Pierrot
la tristesse

domingo, 27 de dezembro de 2020

Desabitue

 

O hábito não faz o monge. 

O monge faz o hábito 

E o habita

E o habitua a si

E nos habitua 

E se habitua 

Ao hábito de habituar

Os outros 

Habituado ao próprio hábito. 


sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Don't Stop Dance


"É preciso caos e frenesi 

Para dar à luz 

Uma estrela dançante. "

Nietzsche. 


Se não sabe ou não quer dançar 

Conforme a música,

Encontre uma música 

Conforme a sua dança.

Só não pare de dançar.

Só não censure a dança e a música 

Dos outros!

 

sábado, 5 de dezembro de 2020

sábado, 28 de novembro de 2020

Saraus Patrocinados

 

Lá, onde me esperam,

Não vou!

Que faria lá?

Um poema agradável?

Seria um deus de rituais?

Amo que me convidem,

Mas só vou onde 

Não querem a minha poesia.


Boa Influência

 

Não sei fazer 

Da luz de Luiz 

A minha melodia,

Mas faço 

Da Melodia de Luiz 

A minha poesia. 


Paz do meu destino


Quando a encontrei,

Sabia que me faria chorar muito,

Mas estava tão em paz

Com o meu destino!...


Primitivos do Futuro

 

Ainda faço 

O que o macaco fazia. 

O que me preocupa 

É o outro macaco 

Transformado 

Em máquina. 


segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Concretas Abstrações

 

Imagens 


Entram no Imaginário 


E deixam


Marcas Indeléveis 



ÉTERES

 

No fundo, 

A vida é um grande vazio.

Se fosse um abismo,

Haveria, ao menos, 

A vertigem da queda,

O espanto,

Alguma borda ou esperança

No que me agarrar...


Eu sou um nada

No oco do mundo. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

sábado, 7 de novembro de 2020

A queda para dentro

 

Tempos de luta silenciosa 

Distanciamento 

A sensação de estar

Sozinho no mundo 

Ah esta saudade

Ah esta solidão! 

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Cirandeiro

 

 Na dança da vida 

Uns dançam 

Outros pensam

Eu pensei dançar

E dancei pensar.


Almas Desordenadas

 

A minha inadequação 

Juvenil 

Ao mundo 

Era a poesia 

Reclamando um hospedeiro. 

Será a tendência 

Suicida 

A poesia liberando-me

Do encargo? 


segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Perdido de Mim

 

Que eu sou

O amanhecer não revelará.

E quando o pesadelo do dia acabar,

Volto às sombras:

Me descubro e me perco

Procurando uma metade minha

Perdida em convenções...

Ai-me! Poeta faminto!

Sem títulos e sem amor!

Se, ao menos, eu fosse algo

Além do aplauso e do riso

De quem me prende

No picadeiro de horrores

De sentir e saber

Que sou algo... incompreensível e insensível

E choro a minha comédia

E rio a minha tragédia

Enquanto os outros riem e choram

 apontando para mim,

Como se eu fosse espelho...

E o meu reflexo neles

É só solidão só.

Se muito me engano...

 

Alguém só mente para mim

Quando eu quero que minta.

Só digo mentiras

Quando finges me ouvir,

Quando não suporto mais

O que sou,

Digo a verdade num poema:

Aí, mente quem leu;

Aí, mente quem gostou

E eu me torno Camões.


Gauche

 

Escreves teu poema com alma,

Com todo esmero que guardas

E planta-o numa rocha

Que nem Morgana,

Nem Merlim,

Nem Arthur

Conseguirão arrancá-lo.

Esta é a tua Excalibur:

Algo tão tu

Que nem mesmo

O mais vil dos editores

O aceitará de outras mãos.

Só tu o resgatarás,

Oh maldito!

Oh irresponsável!


De Roma a Brasília

 

O maior de nossos crimes

- Nós, macabros palhaços -

É transformamos o inferno em piadas,

E tropeçarmos, e cairmos,

E derrubarmos

A nós e ao público

Que, feliz, aplaude e ri:

Maldita distração!

Depois, voltarmos às jaulas

- Caras de choro, máscaras de riso -

Enquanto nossos senhores

Riem de bolsos cheios,

Quando deveríamos atear fogo

Aos circos, bancos, igrejas e palácios.

Assim, talvez,

Fosse cômico e justo

Rirmos de tudo e de nós mesmos.


Poeminha Glacial


O calor


Corre


Para longe


Do fogo


 

"filósofos da Moda"

 

Discutir filosofia, cultura e artes

Aos socos e pontapés

Ou comendo farinha seca

É um tanto obscurecedor.


Cinzas e Esquecimento


Um homem é uma máquina

De alta performance

Movida a fumaça 

De diesel

E mentiras. 



Debaixo do Tapete


A felicidade

De comprar uma vassoura nova

E entregar a casa

Ao abandono.

Acho que,

Mais uma vez,

Deixamos algo importante 

Pela metade. 


terça-feira, 25 de agosto de 2020

4:25

 

Não quero mais escrever!

Queria só dormir, 

Como os homens felizes

Que assistem televisão

E se acorrentam à escravidão moderna

Voluntariamente,

Sem questionar, sem pensar,

Sem sonhar com um único

Instante de amor e fúria.

Sorte a deles me deixarem em paz

No meu calabouço:

O primeiro que abrir esta grade,

Eu mato!


... e a pedra lascou...

 

Dançando conforme a música

Ou cantando conforme a dança

- Ritmo fora do compasso -

O troglodita das cavernas cibernéticas

É o mesmo das cavernas dos australopitecos,

Mas sem muitas perspectivas da realidade.


Desde os primórdios

Até hoje em dia

Eu ainda destruo 

O que o macaco fazia.

Santo Porre

 

Escrevo à noite,

Rasgo pela manhã.

Se cada palavra fosse

O meu coração

- Como dizem -

Quão bom seria!

O coração do poeta

É um abismo

De solidão dos outros.

Amar? Eu?

Dá-me meu dinheiro de volta

E te faço um poema...



Páginas Comestíveis

 

Um livro só

É como um único prato

Que alimenta dez pessoas,

Mil pessoas,

Um milhão de pessoas,

Um mundo inteiro...

Mas, cuidado!

Há livros tóxicos,

Pessoas gulosas e gostos mesquinhos.


Credos Descreditados

 

Todas as religiões existem!

Há templos

Livros

Dogmas

Sacerdotes

Sectários

Vítimas 

E detratores.

Ateus e deuses, não!

Onde estão?

O que fazem?

A quem inquirem?

Num mundo de terra, fogo

Água e ar, se não causa bens nem males,

Simplesmente não existe!


Saudade em flor

 

Não sei por onde ela anda

E a quem tortura agora

E esta paz está me consumindo

Como uma saudade

De um tempo de solidão e tormento.

Se ela volta para tirar a minha paz,

Sou capaz de amá-la, novamente,

Acima de qualquer dor...

Mas, me vingaria.


Seco minhas lágrimas

Umas nas outras

Nesta saudade que choro.


descansado amo

 

O trabalho me consome

Seis dias por semana.

Só então, volto para casa,

Só então , alguém me ama.

Para que tanto trabalho

E tão pouco amor?


Quarentena

 

Quando os lupanares 

Fecham

Muitos amores verdadeiros 

Morrem

E todos voltam para casa,

Para se prostituir.


Pantanal e Dacal


Disse-me Zaratustra

Que os poetas não mentem;

Disse-me que só há 

Duas mentiras:

A verdade e a poesia.

- Ah, a vida também.

- Argumentei.

- Os poetas vivem?

Perguntou-me Zaratustra.



ONG`S E IGREJAS

 

Quando Narciso chegou ao lago,

Lá estavam os últimos caridosos

Esperando o lago encher,

Novamente.


senzala.com

 

O eito

Será sempre braçal,

Mesmo quando o descanso

For virtual.


quinta-feira, 26 de março de 2020

Sui Géneris


O amor
Espera a paixão
E o tesão
Se transformarem
Em respeito, carinho e admiração,
E não passa.

A Melissa


O mundo é leve
Livre
Solto
As pessoas criaram 
A gravidade
E gravitam 
Em torno de abismos
Abismos de si mesmas.

Verbos-Sujeitos

 
Antes da criação do Tudo
Só havia Solidão.
Aí, um poeta
- Sozinho -
Criou a Solidão Infinita
E uma multidão de Solitários
Para adorar sua obra
E maldizer seu Destino.

No Princípio era a solidão.
Daí, veio o Verbo

AMAR

E a Dor como Antídoto.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

O Amor de Frente


Quais são os teus medos?
Tens medo até de contá-los?
Eu escrevo no escuro,
Enquanto penso que tenho tantos medos
Que talvez seja melhor 
Cuidar os medos de outros. 
Me encarar no espelho...
Eu com medo de mim...
Dos dois lados da moldura...
Meu nome, meu ser:
Qual sou eu, no espelho ou fora,
Senão apenas medos?
Mas tu me assustas mais 
Não contando para mim teus medos. 
Não me temas:
Só sou fantasma de mim mesmo. 
Foge para mim 
E nos esconderemos juntos,
Até aprendermos 
Aterrorizar os outros. 

sábado, 4 de janeiro de 2020

Radical Resistente


As relações de reação à opressão
Devem ser tão brutais
E surreais quanto.
Aos que me chamam utopista,
Por acreditar numa Revolução
Possível e Radical,
Eu chamo distopistas,
Por só enxergarem saída
Em mais escravidão.

Vejo Assim




O amor

se mede pelos olhos...

no encanto

e

no pranto.


Meu amor

e

meu ódio

se fundem

com a minha luta.



Energia Escura


O Universo é constituído,
Basicamente,
De coisas que matarão você.
Melhor assim!
Do contrário,
Você já teria
Destruído tudo!

Men At Work Slaved


"Desculpem-nos os transtornos.
Estamos distribuindo
Entre vós
Os impostos roubados dos pobres."
Diz a placa da Prefeitura
Num bairro rico.
A socialização da miséria
É o liberalismo na economia
E o conservadorismo nos costumes:
A globalização do meu quintal.

Do Latim: MORS


Morrer
Não é a partida
Dos que se vão,
É a desistência de viver
Dos que ficam.
Cuidemos dos que ficam
E os que se vão
Serão eternos.