sexta-feira, 17 de julho de 2015
... E CHOREI JULGANDO QUE NINGUÉM ME OUVIA.
Se não sabes dizer quem és,
Ao menos diga-me quem sou eu.
Como sabes aonde vão teus pés
Esquecendo os passos que já deu?
Sito-me como estivesse morto,
Enterrado antes da hora
Ou digo: muito prazer, seu moço,
Eu te faço qualquer coisa agora...
Eu já sei quem sou.
Eu sou aquele que pergunta:
Quem diabos eu sou?
Um Guerreiro Merece Inimigos Honrados!
Certa vez, tive a ingênua concepção
De que o inimigo
Era aquele que se lhe declara assim;
E criam-se ódios mútuos;
O que ele gosta, você passa a combater,
Ainda que ame;
E o que ele odeia, você ama,
Ainda que lhe seja insuportável.
Ah, como é cruel lutar contra os seus,
Quando o inimigo são os que o ombreiam,
Indignos mesmo de serem combatidos!
quarta-feira, 15 de julho de 2015
PROZAC, PINGA E UM COPO D`ÁGUA
Não estou desesperado
Ou perdido.
Só que nada tem dado certo
E isto causa cansaço,
A sensação de estar sozinho no mundo.
Ter amigos agora
Valeria muito.
Eu estarei sempre aqui
Com a mesma cabeça confusa,
Com o mesmo coração convulso
Que só você consegue
Entender e acalmar.
amor de papel
Devolva o meu dinheiro!
Eu não quero o seu amor.
Ele me custou muito caro
E nem sequer durou.
Eu não quero o seu perdão.
Os magoados mentem.
E se fingem o que dizem
Também o farão com o que sentem.
Eu quero o meu dinheiro.
Aquilo era tudo o que eu tinha.
Não me pergunte de outras coisas:
Esta... aquela... não, não eram minhas.
imagens da cor e do sabor da lua nova
Valeu a pena
Você ter existido
- Ainda que por um breve instante -
Fez nascer o amor
Em todas as suas possibilidades
E acendeu o céu.
No outro dia
O novo eu amou a vida.
Não-Mundo
Eu prometi
Um mundo melhor
A todos
E, não o conseguindo
Nem para mim,
Me pergunto se não sou
O maior dos mentirosos.
A verdade é que,
Nós humanos,
Enquanto discursamos pela verdade,
Nos abraçamos,
Voluntariamente,
A qualquer mentira
Que amenize uma realidade cáustica e caótica
Ao invés de compreendê-la para enfrentá-la.
Entretanto,
Isto não me redime,
Isto não contém a minha dor!
BILHETE
_ _ _ _ _ _ _ ,
Esta é a primeira vez
que me sinto feliz
e percebo.
Os meus olhos estão mais abertos,
mais vivos, mais castanhos.
Que não seja eterno,
mas infinito enquanto durar
e, sendo este momento da eternidade
a verdadeira essência do amor,
vamos vivê-lo intensamente
como se fosse o único.
EU TE AMO!
Do seu Cavaleiro de Armadura Negra.
Obs.: continuo te esperando.
Mal do Século
Pareço sofrer de um mal
Que neste mundo
Não encontra cura nem alívio.
Devo ter errado em alguma coisa,
Porque: ou não deveria ser assim
Ou eu já deveria ter ciência.
Desesperado e com medo de mim,
Mas alimentando a soberba de sempre,
Não sei como o meu tolo coração
Chegou a este extremo:
Todos os dias são dias comuns!
PATRULHA
Eu olho para São Paulo
Como quem olha
Para o próprio túmulo.
Morrer é preciso
E esta cidade me convida
Para o olho do furacão,
Com uma sepultura já aberta
Para quando a fumaça abaixar.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Cantata Errata
Um som trila na noite bela.
O luar brilhou.
Abriu-se uma janela.
A canção encantou.
Era o quarto do pai dela.
O samba atravessou.
Um grande vaso se esfacela.
O instrumento quebrou.
- Absurdo! -
O aedo gritou.
Ou o amor está surdo
Ou alguém o trancafiou.
Que tão tão horrenda procela!
O amor silenciou.
Nota tão triste aquela.
O seresteiro se calou...
Saiu maldizendo a pobre donzela
Que por toda a vida esperou
(Chorando ao ouvir da tal mazela)
Pelo rapsodo que nunca mais voltou.
inverno de chumbo
Maio se foi.
Mais um mês terrível
Neste ano ao qual preciso sobreviver.
Já estamos em meados de junho
E estive sepultando meus mortos...
E no meio deste pesadelo acordado
Andei dormindo mal,
Esquecendo de sonhar...
As nuvens passaram
Sem que eu brincasse de formar imagens.
brincando com nuvens
Vem me salvar, mulher,
Você - sol, fogo, gelo polar.
Vem me salvar, mulher,
Você - virgem, santa, dona de lupanar.
Vem me salvar, mulher,
Você - árvore, água, pedra angular.
Vem me salvar, mulher,
Você - matéria, som, vulto ao luar.
Vem me salvar, mulher,
Você - seca, sede, água do mar.
Vem me salvar, mulher,
Você - menina, mulher, idade estelar.
Vem me salvar, mulher,
Você - mãe, filha, ímpar.
Vem me salvar, mulher,
Você - amiga, inimiga, par.
Vem me salvar, mulher,
Você - aos gritos, assobios, a cantarolar.
Vem me salvar, mulher,
Você - fugindo, caindo, a planar.
Vem me salvar, mulher,
Você - estando, indo, a voltar.
Vem me salvar, mulher,
Você - morrendo, vivendo, a voar.
Vem me salvar, mulher,
Eu nem sei o seu nome,
Mas ouso esperar.
Cinzas
Estávamos preparados para outro carnaval,
Mas não abrimos alas.
Doutro lado, cerraram fileiras.
Os golpes vieram,
De todos os lados,
E acabou-se a fantasia.
Se vai acontecer de novo?
Os bufões estão em harmonia.
Mas não somos palhaços de ninguém!
Apuramos além dos adereços
E transformaremos o golpe
Numa pantomima insana
De personagens embriagadas,
Sem nenhuma credibilidade!
quarta-feira, 1 de julho de 2015
vingança
pobre e tola criatura,
não sabe que o veneno dos tolos
só é liberado
quando mordem a própria língua!
Voltei. Estive uns dias fora de mim.
Eu sou o contador
De inúmeras histórias de amor
Sem final feliz. Veem?
Algumas nem final têm.
Bem, o meu coração está aqui,
Mas eu precisei sair.
Deixo o coração velando e me solto:
Vou ser feliz e não sei volto.
Qualquer lugar onde já seja meio-dia
E tenha passado a hora da agonia,
Que eu possa andar no sentido anti-horário
E nada mude o meu itinerário,
Que possa dizer à minha saudade:
Não, disto eu não tenho mais vontade!
Atmosfera Tóxica
Ontem, mais que tudo,
Eu perdi um dia de sol.
Hoje, amanheceu este inverno de chumbo:
Vai chover!
E, se a sorte me sorrir duas vezes,
Vou poder chorar
Sem que ninguém perceba.
Todas as minhas canetas falharam,
O nariz escorre,
A cabeça dói...
Mas já estou de pé...
E é bom estar vivo!
Byroniana
O vinho está aqui, ela não!
Por que será que me tornei alcoólatra?
Eu tenho vinho e solidão.
Voltando do Fronte
Os poemas
Que não disse ou escrevi,
Minhas loucas filosofias...
Talvez mudassem algo,
Mas só talvez.
Algumas coisas têm me confundido.
Há um mundo estagnado
E giro em torno dele
Nauseado e contrafeito;
Cansei!
Talvez eu não me importe,
Mas sei que é mentira
: Eu minto!
Criei um mundo extraordinário
Ou só um castelo de palha,
Em chamas,
E fiz tudo sozinho.
Eu fui o último rebelde.
Os que vieram após mim
Já nasceram casados e empregados:
Uma geração nascida prar ser presa e morta.
Crudelíssima Morte do Universo
Era natural e foi humanizado
Era humano e foi divinizado
Era perfeito e foi poetizado.
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