Que eu sou
O amanhecer não revelará.
E quando o pesadelo do dia acabar,
Volto às sombras:
Me descubro e me perco
Procurando uma metade minha
Perdida em convenções...
Ai-me! Poeta faminto!
Sem títulos e sem amor!
Se, ao menos, eu fosse algo
Além do aplauso e do riso
De quem me prende
No picadeiro de horrores
De sentir e saber
Que sou algo... incompreensível e insensível
E choro a minha comédia
E rio a minha tragédia
Enquanto os outros riem e choram
apontando para mim,
Como se eu fosse espelho...
E o meu reflexo neles
É só solidão só.