Pierrot

Pierrot
la tristesse

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Tolos Poderes




Eu posso.
Só não sei o mecanismo de querer.

Heroínas existem.
Mas são meretrizes doentes;
Modelos não!
Até meia-noite tudo é matinê.
Quero ver depois que a carruagem virar abóbora
Que manterá a pose de princesa.

Heróis existem.
Mas são os derrotados;
Políticos não!
Enquanto há festa todos são super-homens.
Quero ver depois da irradiação da kriptonita
Quem exibirá o peito estufado.

Heróis existem
E mostram o rosto quando cai a máscara,
Flagrados em vilanias hediondas,
Manipulando poderes, preparando discursos demagogos:
"Um sorriso na foto e eles votam..."

Heróis existem
Mendigam piedade, reivindicam poder,
Banquetes e orgias para si,
A fome e a dor em cartazes,

Heróis existem
E são imortais enquanto matam;
Plácidos quando mentem;
Imaculados no auge da degenerescência.

Heróis existem
São de carne e osso e sangue nas mãos;
São morcegos, velozes, ministros e galãs;
São humanos, enfim...
Desta raça... indigna!

Heróis existem
E pede-se socorro ao vilão.

Heróis existem
Sindicalizados em hordas
Ou tornados empresários,
Partidários disto ou daquilo.

Heróis existem
Ocupando palácios e revistas.

Heróis existem
E, queda a ditadura, nada muda(m).

Heróis existem
E seus livros vendem
E sua covardia se justifica.

Heróis existem
Enquanto existirem televisão e fracos.

Heróis existem
E cobram muito caro.

Heróis existem
E somos subjugados, lobotomizados para acreditar.

Heróis existem
Meu Deus! quem nos salvará?

Há um sinal no céu.
A cada oito estações
Um deles vem nos ajudar;
O que será de nós?



Sombras de nós


Quando soube
Que sairia
Do meu mundo,
Estava pisado
Em sua sombra.
Mas sombras
Sobrevivem,
Sombras
Sobram,
Aos escombros
De tudo.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Celebrando Heráclito


A LUTA,
Ao passo que nos fortalece algumas virtudes
Parece nos roubar outras,
Transformando em solidez os escombros.
Eu preciso me mostrar ao mundo:
Já que não tenho bolsos
Para encher de ouro
E me desnudei dos revestimentos superficiais,
Posso passar despercebido,
Num mundo consumista,
Querendo apenas viver de sonhos possíveis
- Esquecer da vida para durar mais -
- Esquecer do tempo para viver melhor -
Deve ser a febre:
Uma oração para me achegar ao que é meu,
Uma incerteza num rio de novas alternativas
E só me basta tentar.
Eu vos proponho AMAR,
Deixar ser SONHO ENQUANTO FOR.

Todos Iguais


Estes velhos,
Que controlam as nossas vidas
Através do vil metal e do aço,
Nem homens são!
São qualquer coisa ordinária!
E nós, jovens e covardes,
Adormecidos diante da televisão,
Somos os ladrões.
Chamem a polícia!
Mas, cuidado com os seus pertences:
Ela também costuma nos roubar!
Matar-nos?
Não! não é necessário,
Ó malditos,
Nós já nascemos mortos!


Horário Nobre


A terra prometida
Sempre nos cai sobre os olhos
E nos come as carnes.

Nestes desgraçados hipócritas da tv.
( fazedores de novelas,
operadores da máquina de guerra,
que estão sempre mudando
do mesmo para o mesmo,
viciando as gerações
à prática da imbecilidade )
Gostaria eu de provocar
Sangramento de verdade.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Livro de Poesias Terriveis

                                                       

Tiros que escurecem como noite eterna,
Os clarões de nossas bombas estúpidas
E a cegueira dessa juventude enferma.
Agora eles trazem estampadas no peito
As coisas que dizem abominar:
Mundo imperfeito!
Tudo o que temos são essas guerras mercenárias,
A juventude e suas drogas;
Não sabemos mais quem são nossos filhos.
Quem tem amor para dar, que dê.
Eu tenho sangue para vender
Nas páginas de revistas e bancas de jornais:
É a sua fatia no inferno "Du Congo".
Cante Povo dos Terreiros!
Faça um reggae urgente,
Faça tocar os tambores,
Encha a noite com todas as cores
E traga a minha juventude perdida
De volta à razão,
Ou então,
Faço parar o mundo
Enquanto escolho palavras suaves
Para o meu livro.

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Primeiro poema do meu primeiro livro (homônimo),
inspirado em "O Mirante",
de Ferreira Gullar.

Fragmentos de sentimentos


O sentimento não cessa
não sai de mim
e a cada erro, a cada gesto
não muda nada... e assim


Está fazendo sofrer
como o amor de um só
e a cada erro, a cada gesto
tentando desmanchar este nó


Os fragmentos de um sonho
vão moldando um coração
e a cada erro, a cada gesto
flertando com a perfeição... e então


Cada parte de nós
ainda é um todo
e a cada acerto, a cada gesto
foi tomando corpo...


E o sentimento não muda
não sai de nós
e a cada erro, a cada gesto
ficamos cada vez mais sós.

NOVA ERA


Era só apertar os botões.
Na mira com o mundo,
Lutando contra todas as mídias,
Apontando armas para o espelho
E rezando para que ele não atire...
...Uma só verdade que seja!
É possível que o mundo fique em paz,
Mas, dispare primeiro...
Depois, convença aos outros
Da necessidade de tentar.
A verdade é uma só:
Nós todos erramos;
Todas as mídias cantam todas as mídias;
Lutemos contra o que elas proclamam!
O homem no espelho
Usa uma máscara contra o meu veneno.
Eu estou cercado por todas as mídias.
Será o acaso?
Será o destino?
Será o fim?
Será que vale a pena apertar os botões?

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História real de um cerco à CASA BRANCA,
em um tempo muito próximo,
que abalará drasticamente
o curso da humanidade.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Julyanne and Homer


July,
Pelo amor que lhe foi subtraído
Reivindicou diamantes
E pelos diamantes
Que lhe foram roubados
Exigiu sexo.
Isto faz parte do gênero humano.
Homer,
Com o espírito desarmado,
Vive sempre
No meio destes tiroteios,
E sem escudo.
Os diamantes são a ambição humana.
Julyanne é humana.
Homer parece um tanto inumano.




Aos Outros


Bebamos!
Deixe o resto para depois,
Bebamos!
Tudo é só uma embriaguez:
Com o nojo
Vem o vômito
E acaba a ressaca...
Se foi!
Logo logo
Seremos homens comuns novamente.
E para que
Gastar leite e trigo,
Se vamos morrer de cirrose?
Compremos o caixão!
Enquanto trabalhamos, compremos o caixão!
Depois, será problema dos outros.

Escolhas


Sempre
Tive que escolher
Entre:

Alguma coisa grande
(que, sabidamente
se tornaria algo mísero,
insignificante)
E coisa nenhuma.

E eu,
Ganancioso, soberbo
E plenipotente,
Acabava optando
Pelo nada.

Último Adeus


A Casa já estava vazia
Com você aqui.
Se vai embora:
Silêncio e ilusão.
Se eu voltar atrás
Não farei diferente.
Viver é partir e chegar
- um doce feitiço, longo caminho -
A estrada e o nada
São duas eternidades
E para sempre pode durar só até amanhã...
Mas, não volte!
Deixe apenas eu dizer
Que vou ficar bem, a meu tempo,
E que ainda te amo.

Deboche


Se vieram tripudiar
Sobre o meu cadáver,
Chegaram tarde!
Agora, jazem corpo e espírito.
Podem ler o testamento:
Devo ter deixado
Órgãos e tecidos
E algumas piadas de mau gosto
Zombando de tudo.
Mandaria todos ao inferno,
Se pudesse,
Caso não estivesse eu
Indo adiante de vós.

Eu ia dizer que te amo



É um momento de paz inesperado.

De repente,

Todos os meus tormentos sumiram.

Eu vim dizer que te...

Já voltaram!

Agora não importa mais!

Existe confusão


A minha juventude passou por cima de tudo,
inclusive de mim,
quando resolvi envelhecer.
Brigou com o tempo,
deixou de contar os dias,
condenou a minha letargia
e execrou as revoluções possíveis,
traindo os princípios da minha infância.
Ah pobre coração apaixonado e irresponsável,
quantos sonhos sonhaste
para dar nesta prisão?
Um passado eterno
sem futuro à vista
transforma um presente sem luta
numa corrente em nossos punhos.
E eu, que sonhava contigo,
sinto-me morrer na flor dos anos
e, nem sequer vivi!



GRATIA ARS


Não é necessariamente
Inteligência ou genialidade.
O verdadeiro artista
Vê o óbvio e expressa
De forma óbvia.
Os seres ditos normais
É que complicam tudo.
Ih, acho que disse algo
Inteligente e genial;
Não tive a intenção!

No mesmo lugar


Talvez eu tenha morrido um pouco
de cada vez que vim aqui
e, da última vez
morreu completamente
o que eu era
e surgiu este novo ser,
ainda obscuro até mesmo para mim.
Ah, daquele eu que você conheceu,
mataram muito;
e o que restou, eu suicidei!

O Que Você Mudou Em Mim


Se você ainda quiser voltar
Terá que me implorar perdão
Terá que me pedir desculpas
Terá que esperar que me refaça
Da mágoa do abandono
Que me esqueça das palavras duras
Que foram ditas
Da dor da traição
Terá que esperar que eu renasça de mim!
Que deixe de ser insensível
Que deixe de ser irresponsável
Que deixe de contar mentiras
Que me redima dos meus erros
Que eu volte a gostar de mim!
Se você ainda quiser voltar
Terá que esperar
Que eu perca as esperanças
E, quando não me lembrar mais,
Rezar para me vir
Como um sonho bom
E eu não me assustar:
Terá que amar o meu novo EU!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

César esmolando


Ah, como te implementar
Se o povo não tem pulso
Não sabe governar?

Dest`arte, tive motivos para lamentar
Quando penso em ti
Me dá vontade de chorar.

Ah, democracia
Tanto tempo te esperando
Implorando de mãos vazias:

Dai a este César
Todas as coisas que são suas
E a tua Roma será
Novamente tua.

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Democracia!
Poder-se-ia chamar Atlântida.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ruptura


Tenho uma saudade incontida,
Uma fome de viver,
Uma ansiedade pelo desconhecido...
Numa luta em que já não tenho amigos,
Não posso esperar o tempo mudar.
Pode ser o outono!
Talvez um eclipse!
Ou quem sabe o sol!
Estou perdido entre duas estações:
Melhor é aproveitar o dia.
Quando chegar o momento
Que me abrirá uma fenda no invisível
Para libertar o meu espírito,
Dar movimento aos meus nervos paralisados,
Organizando esta torrente de ideias soltas,
Tudo começará de novo
E poderá não ser aqui.

Carência de Razão


Eu tenho andado com pedras nas mãos
E isto tem afugentado as pessoas que amo.
Os meus amigos me evitam a tal ponto
Que os meus inimigos estão revendo seu ódio.

- Uma fera sem vingança
Não necessita de lembranças.

Eu tenho guardado muitos rancores
E magoado todos à minha volta.
Eu tenho odiado as pessoas só por odiar,
Culpando-as pelo mal que me causei.

- Uma serpente tão medonha
Não necessita de peçonha.

Eu tenho, sozinho, praguejado contra tudo;
Mordendo a língua para envenenar a mim mesmo,
De modo a esconder meu sorriso
Sem choro, sem perdão e sem remorso.

- Pior que não saber pedir desculpas
É não reconhecer a própria culpa.

Eu tenho esquecido quem sou,
Engajado na minha revolta.
Eu tenho me isolado como um rei insensato,
Orgulhoso, mesquinho, a contemplar o próprio umbigo.

- Não sofro no abismo em que me vejo
Porque já sufoquei todos os desejos.