segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
Pedras Brutas
Tentei partir pra outra
E me perdi pelo caminho.
Você diz amar a solidão,
Mas se perdeu sozinha
E sente ainda gostar de mim.
Só está com medo
Das maluquices
Que ainda eu possa ter na manga;
E tem razão:
Eu também sinto este medo.
Esta solidão, às vezes, me apavora,
Me acovarda
E temo estragar qualquer sonho bom.
Faz tanto tempo,
Tanto tempo se passou,
Que o humano em mim
Está se tornando bicho,
O poeta virou besta, pedra.
Momentos se vão
Enquanto a chuva vem,
As estações mudam,
Transformando o que eu era
Em musgo e limo...
Ouço o sussurrar das vozes muito longe...
O tempo não é amigo da minha solidão.
Dobrada à Moda do Sagrado Cálice
Disse Fernando Pessoa:
"Um dia, num restaurante
Fora do tempo e do espaço,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente...
Que a preferia quente...
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão...
Não comi... Paguei a conta..."
E saí.
Assim são os espaços
Do aSSistencialismo
Para seus Enredados:
Uma analogia perfeita seria
Entrar no restaurante mais caro do mundo,
Comer farinha de mandioca com água,
Sem recusar nem reclamar,
E pagar pelo prato mais raro.
Ah, e o vinho vem num "cale-se!"
Tem gente que,
Ou não sabe lidar com gente
Ou não sabe que já lida com gente,
Ou "é pedra, não é gente ainda",
Como canta Pepeu Gomes.
Troglodita das Cavernas dos Australopitecos
Enquanto muitos
Já estão nas cavernas cibernéticas,
Eu ainda nem cheguei
À caverna platônica:
A minha clava
É um fêmur
De hominídeo.
Meu HAL 9.000
É a televisão.
Meu HAL 9.000
É a televisão.
Um deus que vaga nu
Se esperam que eu faça milagres,
Paguem dízimos e ofertas,
Façam sacrifícios,
Imolem-se,
Erijam santuários,
Me idolatrem,
Me adorem
Ou solto raios em suas cabeças,
Raça maldita!
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