quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
BUROCRATA 722178
Gastei a vida a preencher papéis,
A transformar as vidas de outros
Em meros números
Em pastas amarelecidas e esquecidas.
Serei eu agora
Apenas um número
Em papéis que outros preenchem e esquecem?
A burocracia transforma pessoas
- Ainda vivas -
Em números sem validade:
Criamos a máquina de transformar tudo em nada
Ou que transforma o nada em tudo.
Somos só números e esquecimentos.
HOMENS-MÁQUINA
outros choram de desemprego.
será a escravidão
a mãe de todos os cantos?
Platonismo
que isso nos deixe
mais juntos
ou nos separe
sem
deixar
lembranças
por hora
isto está me matando
A Miséria da Beleza
estamos onde ninguém quer estar.
e, no entanto, nos romantizam.
Sóbria Solidão
A ansiedade vem da solidão?
Da falta de perspectivas?
Fui feliz sozinho
Até a solidão me apavorar;
Agora, que fui feliz com alguém,
Novamente a solidão
Me acovarda e me confunde;
Não me mata,
Não me deixa viver
E não me deixa forças para suicidar.
Maldito Público
Sou um palhaço sem picadeiro.
Faço todos rirem de mim
Enquanto lastimo uma vida deprimente...
Os termos fodido e confuso
Te dizem alguma coisa?
Mas, sem alarde.
Esta é a condição típica dos poetas.
Demais,
Esperarei piorar um pouco mais
Para tomar atitudes drásticas,
Também típicas dos vates.
ponto sem nó?
quando a esmola é demais
o santo volta o troco;
senão vira empréstimo,
cobram-se juros,
e desconfiança
nunca pagou conta de ninguém.
desconjuro!
lendas urbanas
A última mulher que conheci
Evaporou no ar
Ninguém mais a viu
Depois daquela noite,
Não tem telefone,
Nome,
Endereço,
Rosto para lembrar...
Nem eu.
Esmolando
Me dê qualquer coisa:
roupas
comida
livros
beijos
palavras
Até trabalho:
folhas em branco
talheres limpos
cama quente...
Erros Ideais
Quem tenta moldar
A si mesmo ou a alguém
À guisa do Dr. Frankenstein
Pode acabar,
Sem saber,
Com uma Quimera:
- "Desmonta-me,
Decifra-me,
Ou te devoro!"
Arte pela Arte?
Se a minha poesia
Não pusesse pedras
Em minhas mãos,
Poria algumas espadas
Sobre a minha cabeça.
Sem denúncia, sem combate,
Troque-se por um bufão qualquer
Este poeta.
A minha poesia
Não serve em salões de festas!
Ainda
... Ainda temos tempo...
E é preciso aproveitar esta ainda,
Esta gota de tempo
Que ainda
Pinga e respinga.
Prisão das Mentes
Mesmo nas ruas,
Sempre que passo por telas e grades,
Sinto-me preso.
Do lado de fora.
Do lado de dentro.
Não faz diferença.
É a prisão em nós
Que nos leva ao nós na prisão.
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