Pierrot

Pierrot
la tristesse

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O Retratista de Cecília Meireles



Ela era bonita:
A exuberância transposta
A seus versos.

Traços marcantes
Meiga e triste:
Muito bela!

Linda!
Por ser forte
E sorrir.






Louco Silêncio


Um desejo,
( desejo viável, é verdade )
mas um desejo irracional, absurdo
de gritar teu nome
sem ouvir resposta,
sem retorno de eco:
um só grito só.
Um de nós
não está entendendo o outro
e, como o desejo não cessa,
não sai de mim,
eu só quero gritar teu nome
e alcançar qualquer indecifrável alívio.

confrontando o mundo




Feche a porta, querida,
e deixe o mundo lá fora se acabar.
Eles resolvem tudo à bala
e precisamos deixá-los
com os seus próprios problemas.


- Ei insurgente,
arme a barricada na rua de baixo;
eu exijo o meu direito de ir e vir!-


Eu fecho as janelas, minha amada.
Este mundo está realmente complicado.
Antes, cada um em frente à sua tevê;
agora, todos nas ruas, sob controle remoto.


- Ei garoto,
vá detonar esta bomba no bairro vizinho.
Eu reivindico o silêncio necessário
à concepção dos meus poemas.
E tente voltar, vivo, antes das dez:
você tem aula comigo amanhã! -


Vem, meu amor, vamos ouvir boa música.
Existem belas canções de guerra,
com suas letras de rebate;
e nas canções de paz,
há uma sonoridade quase divina.


- Ei soldado,
não cave trincheiras no meu quintal;
não se me dá que vocês acabem com o mundo,
mas não atinjam a minha escrivaninha,
não cometam mais esta violência! -


Vem cá, minha adorada,
fazer amor é a maior afronta
aos que fazem guerras;

depois, dormiremos em paz.



MORS


Inanimou.
É quando aqueles
A quem amamos se vão
E nos esquecemos
Que morrer é ser iniciado
Reanimar, renascer.
Desanimamos.




Voltaire jamais viu televisão



Nestas eras
a mídia é um câncer!
Às vezes benigno,
mas que também mata
para mostrar que é câncer.
Dos anos oitenta para adiante
- arte-pop e globalização -
a juventude perdeu suas defesas
diante da maior arma de guerra
jamais vista:

A TELEVISÃO.

TELEVISÃO

TELEVISÃO.

Revolução por um minuto



Um corpo já sem cabeça,
jurando inocência,
Os fez ver que não há verdades no Guilhotin.
- " Cortem-se mais algumas centenas
Antes que a sedição invada as ruas!"
Aquele baderneiro na frente do palácio,
Clamando por uma nova ordem,
Parecia zombar da nossa majestade.
E foi justamente esta cabeça
Que, rolando cadafalso abaixo,
Enquanto a Coroa, em pessoa,
tentava, estrepitosamente, silenciá-la,
Que revelou toda a podridão do regime
- Que não caiu -
Mas a multidão dos espectadores da praça
Virou-lhe as costas...
Por um dia.




segunda-feira, 10 de maio de 2010

Marginalidade



Homens sem honra. Faroeste decaído.
Na outra margem
A lei
Homens com poderes
Homens não, fardas
Corrompidos também.
Cá no meio, os inocentes
Esses devem morrer primeiro
Primeiro as crianças
Mulheres e omissos
Os demais
Continuam o carnaval.
Um artista vendido
De tanto vender
Vendeu-se a si mesmo: calou-se.
O último poeta a sair
Profetize pragas
E bata a porta!

A face escura de um lago


Das trevas mais obscuras da paixão,
d`onde emanam fogo e desejo,
nos momentos em que
a carne é tudo
e o desejo pela carne
inunda a alma,
a bíblia do pecado
proclama o sexo:
corpos loucos e beijos orgâsmicos,
transas e superficialidades,
falsas juras;
depois... um cigarro.


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Arrogância



Eu sou o viandante

Que, a perpassar

consome,

Na lousa dos túmulos,

O nome e a memória

Dos homens

De ideias, Pensamentos

E obras medíocres;

E nada mais restará deles!