Feche a porta, querida,
e deixe o mundo lá fora se acabar.
Eles resolvem tudo à bala
e precisamos deixá-los
com os seus próprios problemas.
- Ei insurgente,
arme a barricada na rua de baixo;
eu exijo o meu direito de ir e vir!-
Eu fecho as janelas, minha amada.
Este mundo está realmente complicado.
Antes, cada um em frente à sua tevê;
agora, todos nas ruas, sob controle remoto.
- Ei garoto,
vá detonar esta bomba no bairro vizinho.
Eu reivindico o silêncio necessário
à concepção dos meus poemas.
E tente voltar, vivo, antes das dez:
você tem aula comigo amanhã! -
Vem, meu amor, vamos ouvir boa música.
Existem belas canções de guerra,
com suas letras de rebate;
e nas canções de paz,
há uma sonoridade quase divina.
- Ei soldado,
não cave trincheiras no meu quintal;
não se me dá que vocês acabem com o mundo,
mas não atinjam a minha escrivaninha,
não cometam mais esta violência! -
Vem cá, minha adorada,
fazer amor é a maior afronta
aos que fazem guerras;
depois, dormiremos em paz.