Pierrot

Pierrot
la tristesse

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Wellinghton Menezes Contra Os Hipócritas



Estar protegido em casa.
Lá fora, a noite,
O frio, o crime nas escolas;
Nas faculdades,
As catracas eletrônicas,
Os apostilados,
Homens de grande ciência;
À margem, os outros:
"Coisas incompreensíveis
Que desvelamos, classificamos:
Quanto vale.
O que não é."
Música para adolescentes,
Comerciais para formar consumidores
Ainda nos berços.
"Não se fala disso! não se mostra assim!..."
É dos outros, dos que estão lá fora,
A realidade que trucida,
Choca até,
Porque é prática, ao vivo, na pele.
Sábado à noite? futebol na rua?
Em vez disso, o revólver.
"Mas para a segurança...
Em casa...
A salvo..."
Mas não de nós mesmos.



Coreto


As músicas de outros amores
Não nos servem mais.
Esquecimento:
Um novo amor veio me recompensar.
Eu preciso descobrir a sintonia
A nova canção
A nova estação.
Vale apagar o que doeu
Abrir os braços
A esta outra promessa
E sorrir àquela que vem
Querendo saber que sabor
Querendo provar o meu ser.
As músicas de outros amores
São só um silêncio
Que precisamos romper.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A febre do tolo



...Um eldorado, ou ideia
E me enredou nesta teia
Em busca de um tempo perdido
Que, talvez, nunca tenha existido
Um amor como cocaína
Êxtase, café, nicotina
Um paraíso esquecido
Que não era para ser vivido.



terça-feira, 10 de abril de 2012

Moinhos de vento


Às vezes venta.
Ontem, enquanto ansiava tempo,
Soprou um vento de ruína.
Abaixada a poeira,
Parte de nós ainda estava de pé,
E éramos mais fortes
Do que os que sopravam,
Tínhamos desapego por tudo
E amor por algo que críamos:
Não houve nos vencer,
Não arredamos um pé.
Muitas vezes eu quis voltar o tempo,
Ter o universo à mercê
E rasgá-lo com as mãos,
Revirar o tudo:
Entender ou não.
Hoje soprou um vento de calmaria...
Um pouco de silêncio...
Apago duas estrelas... e adormeço.

Canto de Solidão



Quando sulcava a vastidão dos caminhos

ou me enclausurava sozinho,

pensava no amor.

Foi quando ela passou...

em mim, ouvi uma orquestra

que parecia tocar sempre em outra festa.




TITÃ


Somos tão cruéis
Quanto os deuses da antiguidade:
Nós vendemos quando damos,
Tomamos quando pedimos
E castigamos quando erramos.
Os santos me roubaram muito da inocência.
A terrível besta que habita os abismos sou eu!
A minha mãe me ensinou
A me proteger do mundo
E não de mim mesmo.
Deviam ter ensinado o mundo
A se proteger de mim!
Aonde estão as mães de vocês?
Aqui há um infanticídio
- A segunda morte, na primeira inocência -
E eu triunfante a descrever.

POSSESSÃO


Há um poeta em mim porque a Vida mo deu.
E a ninguém importa se ele morreu bêbado,
Dormindo numa calçada, numa tarde de verão.
Não é da conta de ninguém
Que ele tenha apossado-se de mim,
Roubado a minha vida
Para continuar a sua obra.
Pouco interessa que ele
Tenha vivido como vagabundo
E a cada geração reencarna
Tomando a vida de alguém
Para que este escreva seus versos tolos
E responda pela sua alma errante e desordenada.
Há um poeta em mim
E eu não sei de onde veio.
Há um poeta em mim
Que me faz latir este latim.
A inquietude,
a febre na cabeça e na alma...

- "Há um poeta aqui
Porque eu fiz deste corpo
O meu hospedeiro."

Arlequim - palhaço de trágicos carnavais


O teu carnaval é uma mentira
Onde todos preferem máscaras.
É que também temos lixo
E varremos a sujeira
Para debaixo do tapete
- Outro carnaval -
Que recomeça na quarta-feira
E as cinzas duram eternamente!

Sequelas



E o que é isto
- O coração -
Um músculo estúpido que bombeia sangue
- Insignificante -
E capaz de fazer sucumbir
A um bárbaro como eu?

Longe do coração


Pintou uma indiferença -
- quase ódio -
Eu só vou me lembrar de você
Se me deixar em paz.
Vê-la hoje
Não me doeu tanto.
Só disse as palavras que podia dizer
- umas quase-verdades -
Nem sei se devia.
Amanhã, tudo volta ao normal...
Só não sei como estaremos,
E não questionarei o que fiz.

Conquistador


Para uma mente medíocre seria humilhante.
Para uma alma pequena seria impossível:
Vislumbrar o mar
Sem medo da imensidade líquida
Como uma janela - os paralelos do mundo, desenhados -
Um campo de visão
Fora de uma realidade pré-determinada...
E se nada der errado,
Onde é que vou passar a noite?
Estou acostumado a sair pelas ruas escuras,
Desolado, chutando latas,
Buscando no olhar a piedade dos miseráveis,
Sem saber aonde ir, sem querer voltar...
E se nada der errado
Vai-se instaurar uma confusão daquelas
Na minha alma...
E se tudo der certo
Eu não tenho um plano...
Talvez, agora, algo tenha dado errado de fato,
E mudou!