segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Cama de pregos
Eu acordei dos sonhos
Que outros me sonharam.
Estava feliz!
Mas era uma felicidade por concessão.
Contudo, se não despertasse,
As minhas costas não estariam sangrando tanto.
Talvez eu morresse dormindo,
Mesmo estando tão feliz...
Acho que estraguei os sonhos dos outros
E lancei fora todas as venturas
Que os que me amam
Conseguiram me desejar:
Um mundo aos meus pés
Mas que não era meu.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Palavras contra o muro
Existem caminhos
Existem soluções
Existem espinhos
Façamos revoluções.
Existe aqui
Tudo o que ansiamos ser
Mas as pessoas
Que passam nos carros
Não conseguem ver.
As coisas estão perto do chão
Não precisamos subir tão alto
Se buscarmos pela razão
Não sofreremos sobressaltos.
Está debaixo dos nossos narizes
Tudo o que precisamos ter
Mas as pessoas
Que passam nos aviões
Não conseguem ver.
É o medo de encontrar o Nada
Quando não há outra saída
E enfrentamos longas estradas
Que roubam o tempo de nossas vidas.
Está ao nosso alcance
Tudo o que sonhamos viver
Mas as pessoas
Que passam neste caminho
Não conseguem ver.
Faça você e não me espere
Pois o meu tempo acabou
E antes que a vida se encerre
Eu atambém me vou.
Tudo que ainda existe
Está aqui por nosso Querer
Mas nós, que somos parte
Essencial de Tudo
Não conseguimos ver.
Filhos do mundo
Queria dar ao meu filho
Um pai jovem
Que o respeite e o compreenda
Que tenha sobriedade e sensatez
Traços que a cerveja
Com seus conservantes
Ainda mantém em mim.
Temo deixar ao meu filho
As cinzas de um mundo
Que eu mesmo arruinei
E um hereditário potencial
Para totalizar a hecatombe.
Queria estar em outro lugar
- Não feliz -
Apenas longe da maldade.
Verdade é que vim a este mundo
À procura de um instante
E já se passaram algumas eternidades.
de como ELE amou os homens
Foram revelados tantos mistérios
E ainda a verdade permanece oculta.
O que está em nossas mentes e corações
Tem maculado os corpos santos,
Errando os caminhos da alma
Com nossos pés bem calçados e cegos.
ELE estava conclamando aos anjos
Que contemplassem estas tragédias,
Quando foi pego pela turba
E colocado na cruz;
Daí começaram as celebrações!
Ouve-se falar DELE com certa frequência,
E acrescenta-se ao peso do seu madeiro
Todos os males modernos...
E, apesar disto, ELE nos ama.
Réquiem
Quem vem trazer-me flores
Nesta tão tenebrosa hora morta,
A mim, que em vida pisoteei jardins
E liras de amor conspurquei
Com deboche e asco?
Quem fala-me ao pé do túmulo
Palavras de poetas de almas tão serenas
Ouvirá apenas silenciosa frialdade
Da terra que cobre
O que um dia foi o meu ser.
Por que vens confortar-me,
A mim, que sempre fui-lhe espectro?
Mentes o teu amor.
Pois amas por vida,
E eu, habitei nulo sob esta lájea
Que ora cobre-me sepultado e,
Outrora foi-me base sob os meus pés.
sábado, 14 de janeiro de 2012
anjo-lobo de mim
Cristiane Gandolfi, poetisa
Não mais verei seu olhar cansado
Suas mãos sedentas ficaram paralisadas em minha memória.
seu riso discreto, quase incrédulo da arte de sorrir, partiu de mim.
Não terei mais o desejo de encostar meu corpo ao seu.
tudo é bruma presa ao copo resistente do nada de teu pensamento.
Ficou uma alegria quase infantil de quem sorriu na primavera,
quem partiu margaridas em bem-me quer e mal-me quer e pressentiu a visita do anjo roubando a noite, tocando as estrelas.
Não era um anjo, era um lobo invadindo o meu jardim.
Senti seu cheiro, toquei sua carne, tomei suas presas no mais íntimo da noite.
Momentaneamente a maturidade foi visitada com o frescor da adolescência.
Agora o relógio retomou o ritmo das horas.
Ficou o doce vazio,
Domar o lobo, anjo noturno que molha meus olhos num riso largo, a retina em sua luminosidade revela seus segredos, seu jeito de ser aqui.
Neste deleite,
Pleno, vigoroso, ávido de roubar horas,
Sentir os sentidos,
Tremer, vibrar, adormecer sorrindo para a noite.
O lobo se faz anjo e ressuscita o tempo em mim.
Não mais verei seu olhar cansado
Suas mãos sedentas ficaram paralisadas em minha memória.
seu riso discreto, quase incrédulo da arte de sorrir, partiu de mim.
Não terei mais o desejo de encostar meu corpo ao seu.
tudo é bruma presa ao copo resistente do nada de teu pensamento.
Ficou uma alegria quase infantil de quem sorriu na primavera,
quem partiu margaridas em bem-me quer e mal-me quer e pressentiu a visita do anjo roubando a noite, tocando as estrelas.
Não era um anjo, era um lobo invadindo o meu jardim.
Senti seu cheiro, toquei sua carne, tomei suas presas no mais íntimo da noite.
Momentaneamente a maturidade foi visitada com o frescor da adolescência.
Agora o relógio retomou o ritmo das horas.
Ficou o doce vazio,
Domar o lobo, anjo noturno que molha meus olhos num riso largo, a retina em sua luminosidade revela seus segredos, seu jeito de ser aqui.
Neste deleite,
Pleno, vigoroso, ávido de roubar horas,
Sentir os sentidos,
Tremer, vibrar, adormecer sorrindo para a noite.
O lobo se faz anjo e ressuscita o tempo em mim.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Timidez
Se éramos nós,
Uma parte se perdeu.
Se fui eu ou algo em mim,
Talvez você possa dizer.
Uma fúria silenciosa me cegou
Das sensações táteis mais gritantes.
Éramos nós:
Não sou eu , não é você;
Foi o tempo que trouxe o abismo.
O vizinho do louco
Está a um passo da sandice:
Um sentimento calado,
Uma solidão de chumbo.
Se você visse o outro lado da rua,
Se não virasse as costas,
Se não trancasse as portas,
Se você voltasse atrás...
Nos revelaríamos?...
Ou eu cobriria os olhos,
Selaria as chances,
E pediria
(psiiiiu)
Não torne a mim?
Ensaio ridículo para me tornar um Tirano sério
Senhoras e Senhores aqui presentes,
Brasileiros e Seres Humanos,
Meus Irmãos,
Nestas Nação e Raça... indignas!
Todos nós,
Analfabetos e famintos,
Uns ufanos da mediocridade,
Outros pedantes da ignorância,
Até quando!?
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Barricadas
Barricadas caindo
Homens caindo
Governos caindo
Povo caindo
Rebeldes caindo
Barricadas armadas
Homens tão jovens
Armas tão obsoletas
Seria pior?
Marasmo
Agora eu não encontro sensações...
As palavras não me socorrem
- Nem ódio nem amor nem nada -
Uma total ausência das coisas.
Eu procuro um talento na alma
E esta me nega humanidade.
Só consigo me imaginar solitário,
A vagar vazio,
Sem que os múltiplos de mim me completem.
Era apenas um sonho;
Eu criei uma possibilidade e saí à luta:
Não poderia me fazer tanto mal!
Esta certeza é tudo que tenho
Para convencer a mim mesmo
De que não sou um traidor,
Que não desisti do que desejo
E que realmente aprendi a voar.
A Nova Epopeia
O tempo pode virar a qualquer momento
E trazer um panorama favorável!
Não precisa nem... e já começo a sonhar.
Talvez este meu pensar
Nem seja um existir.
No meu lugar ninguém admitiria a confusão:
Do outro lado da rua
Eu fico observando a minha casa,
Faço correr a caneta nos papéis
E vejo a vida passar apressada entre os carros.
Para onde vamos hoje?
Se fizer sol saio por aí;
Se chover, talvez eu volte
E, caso me encontre,
Venho correndo te contar...
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