segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
Corações Palpitantes
Desafia teus mortos!
Canta uma canção,
Faz um poema:
MATA!
Mas, os que te matam.
Não o amor!
Não a curiosidade!
Não a rebeldia!
Ah, juventude maldita,
Teu coração ainda é
A única imortalidade
Neste mundo sem amor!
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
Homenagem
Por Queli Nacif, AMIGA.
Amigo, poeta e palhaço,
Tua presença não tem valor
Nesse mundo
Sujo, asqueroso e hipócrita.
Obrigado, amigo,
Por trazer vida à minha vida
Vazia, triste,
Desprovida de sensibilidade humana.
Quando estou contigo,
Amigo palhaço poeta,
Humano, homem, menino,
Sinto que não sou daqui,
Mas sinto que sou
Do mesmo lugar que você veio.
De onde tu vieste?
Para secar minhas lágrimas
E fazer com que eu não desista.
Porque amigo és tu:
Aquele que não me permite
Deixar de viver.
Amigo, poeta e palhaço,
Tua presença não tem valor
Nesse mundo
Sujo, asqueroso e hipócrita.
Obrigado, amigo,
Por trazer vida à minha vida
Vazia, triste,
Desprovida de sensibilidade humana.
Quando estou contigo,
Amigo palhaço poeta,
Humano, homem, menino,
Sinto que não sou daqui,
Mas sinto que sou
Do mesmo lugar que você veio.
De onde tu vieste?
Para secar minhas lágrimas
E fazer com que eu não desista.
Porque amigo és tu:
Aquele que não me permite
Deixar de viver.
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
Desencantamento
Ameis a poesia
Porém, não vos encanteis
Com o maldito poeta
Pois há nele
Um bendito humano.
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
Viscerais
O poeta
Não importa a casta
Em que nasça
A fartura
Com que passa
Se não é poeta
Só no nome
Um dia
Come
Fome.
domingo, 8 de setembro de 2019
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
A revolta constante por consequência lógica
Me tornei o adulto escroto
Prenunciado
Pelo meu menino-diabo.
quinta-feira, 5 de setembro de 2019
Black block's Iced
Hoje
Sairei às ruas mascarado
Farei violento protesto
Contra o sistema de pressão
Baixa, alta, média
Moverei massas incendiárias
Contra a frieza de outras massas
- Morte ao vento norte! -
Para que meus irmãos desafortunados
Não morram de fome
Indignidades e frio pelas ruas
- Norte contra o polo-morte! -
Da noite mais gélida
À arma de fogo
O que mais mata
É a frieza institucional
Ante a omissão dos nossos
- Norte ao polo-mórbido! -
segunda-feira, 2 de setembro de 2019
A Calma dos Desesperados
Para salvar a sua alma
Escravizam e matam
O seu corpo.
Da verdade,
Eu não sei nada;
Nem gosto muito!
Mas,
Cada cabeça
Uma ideia
Uma análise
Ou
Uma guilhotina.
Muita calma nesse desespero.
A incoerência
Dança
Com a sanidade
À beira do abismo.
Haja desespero nessa calma!
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Não bastou
Nos bastaríamos.
Mas estamos definhando neste quarto
Sem os outros...
Esta janela para dentro
Sem quem nos veja,
Sem que sintamos
Nem o que existe...
Sem que existamos...
Nos bastaríamos.
Mas esta solidão a dois
Longe da multidão de solitários
Não basta.
Já basta!
Nos bastaríamos.
Mas, ou nos tornamos dois
Para nos tornarmos muitos
Ou inexistiremos,
Definharemos neste quarto frio,
Nesta solidão a dois.
domingo, 18 de agosto de 2019
Guerra do Terror
Se eu fosse terrorista?
Bem, se eu fosse terrorista,
Primeiramente, acreditaria em deus
E o meu deus seria o único válido
E o imporia através de guerras de extermínio,
Sabotagens, invasões territoriais,
Saques, estupros, intrigas, aculturação,
Mentiras científicas, genocídios.
Usaria exércitos e mercados para escravizar,
Explorar e condenar à fome e à miséria Continentes inteiros.
Bombardearia Cuba, Venezuela, Nicarágua, Afeganistão, Vietnam,
Coréia do Norte, Iraque, Líbia, Palestina e alguns países da África.
A Síria não!
As ditaduras obedientes permanecem.
Culparia a Rússia, os comunistas, as feministas,
Os artistas, os pensadores, os ateus
Por qualquer coisa que eu fizesse.
Lançaria bombas nucleares contra populações civis, velhos,
Crianças, creches, hospitais e escolas,
E guardaria outras para ameaçar toda a Humanidade.
Criaria um sistema de justiça para me proteger
E condenar meus oponentes,
Uma representatividade onde seria eu o porta-voz das minhas vítimas
E um sistema de voto para torná-las minhas cúmplices,
E, claro, um credo religioso para sustentar meu credo ideológico,
Com o qual,
Sob promessas de paraísos e ameaças de infernos,
Convenceria a todos a consagrar heróis,
Vilanizar e demonizar os descontentes,
Crer em milagres econômicos e a se
escravizar e a morrer,
Esperando um Salvador inexistente.
Mas, eu não sou terrorista.
Por enquanto,
Apenas tento sobreviver
Aos que me rotulam assim.
Esperando um Salvador inexistente.
Mas, eu não sou terrorista.
Por enquanto,
Apenas tento sobreviver
Aos que me rotulam assim.
Amor Amigo
Você me pede
Em nome da nossa
Amizade
Coisas que só se pede
Coisas que só se faz
Coisas que só se pode
Por amor.
E, na dúvida,
Eu faço tudo,
Sem pedir nada em troca.
sábado, 10 de agosto de 2019
Amar como recompensa
Não se deixar amar
Não se deixar ajudar
São o egoísmo maior.
O amor é,
Verdadeiramente,
Uma desgraça.
Mas o não saber amar
O não se deixar amar
É que nos torna
Verdadeiramente desgraçados.
quarta-feira, 31 de julho de 2019
Imensidões
Cobrou aquilo
Que não conhecia
Ninguém que tivesse
De quem lhe deu
Tudo o que tinha
E foi embora
Ingratidão?
Ou
Amar é um gostar
Que exageramos?
Perdido O Olhar
Solitários
Costumam
Contemplar
Vastidões
Andar sobre trilhos
Lembrar
E tentar
Esquecer
Mas não esquecem
E encontram-se
Perdidos
Além do olhar
domingo, 28 de julho de 2019
Paradoxo Paradigmático
Na religião e na política,
Como nos prados e florestas,
Os lobos estão no topo
Da cadeia predatória;
Caçando em bandos
E sempre mirando
Os elementos mais débeis da manada...
E a mesma carnificina
Se repete invariável:
No capitalismo,
Novos conhecimentos
Mantêm velhas tradições.
domingo, 14 de julho de 2019
Pense, não reze!
Se a sua "fé"
Consiste em demonizar
A "fé" de outros,
O mal maior
Já está feito:
Demônio é quem demoniza!
sexta-feira, 12 de julho de 2019
segunda-feira, 8 de julho de 2019
Leptospirose
Cleptomania
É uma doença de ladrões .
Piromania é apenas uma
Numa incomensurável gama
De doenças do cristianismo;
Como se já não bastasse ser religião.
Quem não sabe
Está a um passo de errar.
Estamos sob uma infestação de bichos escrotos.
Mastigadores e roedores têm consciência do quê?
Quem Roubou a Roupa da Rés de Roma?
Romens ou Hatos?
domingo, 7 de julho de 2019
domingo, 16 de junho de 2019
A solidão solidária
As pessoas querem
Que eu salve o mundo.
Quem se importa se estou
Com fome, com sede
Ou sentindo solidão?
Eu já não me importo mais!
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Desconstrua
Vamos peneirar!
De grão em grão
O ajudante faz a massa
O pedreiro a casa, o palácio, o templo;
A elite, a empresa, a igreja e o presídio.
Fazem fortunas e patrocinam
O político que faz negociatas
Enquanto o mercado faz escravos.
Vamos peneirá-los!
Se somos numerosos como grãos de areia,
Precisamos descartar
Os que estão em cima,
Pedregulhos pesados,
Entulhando,
Inúteis!
Vamos desconstruir demolindo,
Implodindo tudo!
sábado, 1 de junho de 2019
Socialixando-se
Mais do que
Qualquer outra coisa
As pessoas descartam
Luxo
E são retribuídas
Na mesma medida
Sobra para o
Lixo.
quinta-feira, 30 de maio de 2019
DE FHC AO XXX
Não quero ser saudosista
Mas, com a ascensão
Do Inominável Iletrado,
Há quem sinta saudades
Do Abominável Homem das Letras.
No entanto,
Trata-se apenas de uma dose piorada
Do mesmo veneno.
quinta-feira, 9 de maio de 2019
ANO ZERO
"PAZ NO FUTURO E GLÓRIA NO PASSADO"
SEM PRESENTE
É QUANDO A ORDEM DOS FATORES
ANULA O PRODUTO
sexta-feira, 3 de maio de 2019
Dízimos e Ofertas
Até os "deuses" e seus "enviados"
Sabem
Que o que paga contas
São contos-de réis
E não contos-de-fadas.
sábado, 27 de abril de 2019
tiros nas escolas, tiros nas ruas.
"Tava na hora dele."
"Tudo é como deus quer."
"Só morre quem deus permite."
"Se morreu é porque fez algo."
"Tava no lugar errado, na hora errada."
"Ninguém morre por nada."
Concordo que ninguém morra por nada.
Estes, por exemplo, morreram por 80 tiros.
E 80 tiros custa dinheiro e dignidades!
Mas, se é somente deus que pode tirar a Vida,
Ou deus é o maior dos assassinos
Ou não deveria haver leis contra homicídios.
No entanto, as há!
E leis contra assassinos,
Não contra suas vítimas.
E não é uma questão de crenças e fantasias,
É uma realidade!
Seja tudo pela honra do nosso glorioso Exército!
E pela teocracia nazicristã
da pátria amada USA.
Bandidos não matam ninguém.
Bandidos mandam matar!
segunda-feira, 8 de abril de 2019
De Tempos em Tempos
Cada qual tem um tempo diferente,
Mas o mundo é indiferente.
O próprio tempo o é.
No final, seu tempo não é seu...
E não temos muito tempo.
sexta-feira, 5 de abril de 2019
terça-feira, 2 de abril de 2019
Aritmética Social Humanizada
dividindo igualitariamente
se soma e se multiplica:
FAZER ME CUSTA MENOS QUE NÃO FAZER.
Variação sobre tema invariável
Paulo José Poeta Leminski... E Palhaços.
Poeta Paulo Palhaço Leminski.... E Josés.
Palhaço José Leminski Poeta... E Paulos.
José Poeta Paulo Palhaço... E Leminskis.
Leminski Palhaço José Paulo... E Poetas.
Viu, Não Viu.
Quem está de fora
Vê, no máximo,
A superfície:
Não sabe de onde veio,
Para onde vai
Ou onde está agora.
Métrica Onírica
Sonhar não custa nada...
... desde que
Se ponha em perspectiva que
A realidade
É ininterrupta
Rigorosa
Impassível.
Para manter os sonhos vivos
É preciso cuidar dos pesadelos reais cotidianos.
Vidas ao Vento
A Ignorância
É balsâmica
É criativa
É inspiradora
E, como a mediocridade,
Fascinante
Para vidas tão banais!
O Estado Psíquico da coisa, cartesianamente...
Eis a divisão social da desgraça:
Os que pensam pensar nunca agem.
Os que pensam agir nunca pensam...
Penso eu
- Que não sou dos que pensam
Nem dos que agem,
Nem penso que sou
Nem ajo como se fora -
Que, se estes dois grupos de fodidos se unissem,
Eu me juntaria a eles;
Embora penso saber eu
Que estou à margem destes em separado
E estaria à margem deste quase-impossível consórcio.
Aí, talvez, pensasse Descartes:
Será que o meu pensar e o meu agir
São um existir?
Nota à Imprensa
aos lambe-botas arrependidos:
quem chupa algo tão indigesto
há de vomitar no pirulito.
quinta-feira, 28 de março de 2019
segunda-feira, 11 de março de 2019
Livro-Vivo
Escreveu, não leu
É analfabeto.
Leu, não escreveu
É analfabeto.
Leu, escreveu, não entendeu
É analfabeto.
Leu, escreveu, entendeu, não contextualizou
É analfabeto.
Leu, escreveu, entendeu, contextualizou, não praticou
É analfabeto.
Leu, escreveu, entendeu, contextualizou, praticou
Algo nocivo ou insignificante
É analfabeto.
O analfabetismo e o iletramento
Têm muitas faces;
Saiba ler
E saiba não ler!
Julieta, Romeu e o Medalão
Foi aquele beijo.
Depois de tanta solidão,
Foi aquele beijo:
Cúmplice, ardente e sereno... o amor...
A quebra do encanto real...
Castigo.
Foi aquele beijo que os libertou
E os aprisionou no medalhão,
Lançado às águas,
Porque o amor dos outros é insuportável.
Ele forçou saída, saiu,
Respirou a superfície, sozinho. Voltou.
Ela não quis mais.
Trancou-se por dentro
E, agarrados à chave que separava seus mundos,
Ela afogou-se no vácuo,
Ele esvaziou-se nas águas
E Netuno, por maldição,
Ordenou às águas que engulam
Todos que tocarem a sua flor,
Que afundem tudo que flutua,
Que caía o que voa,
Que arraste o que mergulha ao profundo!
Para que se contemple Shakespeare submerso.
Minha Incoerência
Não sou o rei da coerência.
Digo e me contradigo o tempo todo.
Mas, pratico todos os meus discursos ainda em voga
sexta-feira, 8 de março de 2019
Causa-mortis: Trabalho
dê-me o cinturão de bombas
que vou ao Congresso.
me explodir ou bater cartão
dá na mesma
Filósofo local
Chegou em casa alto,
Exclamando:
- "Sei tudo o que há para aprender" -
E não aceitando opiniões contrárias.
- "Hoje resisto à loucura;
Amanhã serei o próprio louco!"
- "O que vai te ajudar é um veneno.
O que pode te ajudar é um horizonte.
E há fatores..."
- "Sim, o tempo trabalha:
Nem sempre fomos
O que hoje somos."
Para Alguns,
Pouco basta
Para ter tudo.
Como diria Ben Johnson
Mentira tem pernas curtas...
Mas fortes, grossas, resistentes
Ágeis
De um vigor
INACREDITÁVEL!
Eficazes contra meias e pálidas
Verdades e fantasias.
Replicantes Marxistas
Sob nossas precárias condições de Trabalho,
Deslocamentos e vidas,
As famílias tendem a ser reduzidas,
Simplesmente,
As unidades individuais de trabalho
- Animais de cargas, robôs de trabalho -
E é justamente neste meio
Que começa e se concretiza
A desumanização das pessoas
E o fim das relações afetivas e sociais:
Suportamos o trabalho,
Amamos as coisas
E obedecemos à televisão
(ainda que não tenhamos uma em casa,
este membro se tornou o mais importante das famílias;
ainda que não tenhamos casa nem família)
E convivemos uns com os outros
Sem nos dar conta
De que realmente existimos:
Nos tornamos ou fomos tornados
Máquinas manipuláveis e descartáveis
E a Inteligência Artificial
Não nos é uma realidade.
Proletários do mundo, HUMANIZAI-VOS!
CAGES
Nas ruas, às vezes me sinto
Como os personagens do filme
- Cidade dos Anjos -
Sempre usando as mesmas roupas,
Observando, como estátua,
A rumorosa faina da vida humana,
Sem licença e sem saber como participar.
Quando, enfim, transgrido
Esta maldita proibição,
Me ocorre o mesmo que ao Nicolas Cage.
Necessidade-Vontade
Não fazemos o que queremos.
Fazemos o que podemos,
Às vezes, sem querermos.
Mas, se pudermos fazer
Tudo o que quisermos,
O faremos.
DESCARTES
A EXPLORAÇÃO
EMAGRECE, ADOECE E EMPOBRECE.
A CORRUPÇÃO
ENRIQUECE, ENOBRECE E APETECE.
O TRABALHO DANIFICA O HOMEM.
GEN-ESES-IAL
Deus mandou o Dilúvio
Quando descobriu
Que caretas bebem água.
Só Salvou Noé
Porque este tomou
Um Dionisíaco
Porre de Vinho.
Pensares
poesia
filosofia
todos fazemos
por profissão
vocação
hábito
ocasião
viver -
necessidade
desejo
Vertigem
Volta e meia
Tudo muda
Mas eu só aquento
Meia volta
Bateu revolta
E tenho girado tanto
Tonto
Nauseado
Quero parar
E vomitar o que sinto
Quero estancar
O que faz com que minto
Quero parar
Meia volta, volta e meia
Tudo vai voltar
de onde não se espera...
Da caixa de Pandora,
Quando se pensou
Libertos todos os flagelos,
Saltou o pior de todos
- A Esperança -
Nela, todos os outros
Se suportam e até a naturalização,
Aí se firmaram
A Religião,
A Mídia
E a Representatividade.
nem morto
Para mim, morte não é desculpa.
Devo ter morrido três ou quatro vezes
Mas sempre levanto e vou à luta
Penso, logo torto
Penso no que acredito
E acredito no que penso.
Também
Acredito
Pensar
Não acreditar
No que penso.
sexta-feira, 1 de março de 2019
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
MEIO LEMINSKI - MEIO PAULO
a minha poesia é meio assim
meio mutante
meio transmutante
e quando muda
me assusta
e me encanta.
Dedos em Riste
O brasil deve ser o único lugar do mundo
Onde maconheiro discrimina um farinheiro
Tabagista discrimina alcoolista
Puta amadora discrimina puta profissional
Assassino discrimina estuprador
(ou um estuprador discrimina outro)
Quem chupa discrimina quem dá
Quem fode em pé discrimina quem fode deitado
Quem não trepa discrimina quem goza
Homossexual ativo (hétero?) discrimina homossexual passivo
Quem ora discrimina quem reza (santa ignorância!)
Um faminto ri da fome do outro
Analfabeto discrimina professor
Catedrático zomba de iletrado (cinismo puro)
Absurdos condenam hediondos
E tem carnaval, procissão, futebol e novelas
Programas de alta gastronomia para subnutridos
"Quem quer ser um milionário"
No ajuntamento (ajumentamento) dos miseráveis?!
Aqui só não se cuida do próprio umbigo
Ou melhor, do próprio cu!
Romance
O meu encontro com a solidão
Tem data e hora cunhados:
02/02/1990, entre 23:30 e 00:00,
Quando Erie e eu nos olhamos em despedida.
Naquele instante fitei o infinito clamando pelo finito,
Em vão!
Nos vimos outras vezes.
Mas já não éramos nossos:
Havia um mar de tempo, uma maré de espaço
A nos separar.
Sim. Era a solidão.
Essa que alguns denominam 'mal do século'.
Não era mais a boa companheira da infância,
A que traz amigos imaginários
E as venturosas aventuras
Em Universos inimagináveis
Ao toque da imaginação.
Não!
Era aquela companheira de quem não tem mais ninguém
E precisa aprender
A chorar, sofrer, esperar...
Em vão!
Fome de quê?
Como poeta,
Considero discussões acadêmicas LINDAS!
Quando são sérias,
Acabam retornando a um ponto
Que um sábio, analfabeto ou Phd.,
Resume de forma bem simples, direta, prática.
Os intelectuais da elite têm tempo
Para digressões verborrágicas, e até poéticas;
Nós, que estamos com fome hoje,
Mesmo os poetas,
Precisamos ir direto ao prato.
O saber é tudo.
O feijão tem ferro.
Tem gente com fome.
Sabes de que é a tua fome?
A Ilusão do Barro
Esperar que os mortos façam o que os vivos não fazem...
Não reverenciar nem fundir-se
Mas despertar o divino em si.
Há seres humanos
Que são tão imprevisíveis individualmente
E tão previsíveis em rebanho
Quanto os animais ditos irracionais:
Há cegos que não admitem o que veem.
Nós viemos do barro!
Não do barro da fábula,
Mas da rua sem pavimentação,
Da moradia precária,
Sem escolas, sem hospitais,
Sem áreas de lazer e cultura;
Da lama da falta de investimentos,
Do limo da cidadania,
Do limbo da dignidade humana.
Eu até tenho feito mágica.
Mas, a mágica, no mundo real,
Não passa de ilusão
E a ilusão, no barro, pode ser mortal.
De resto, nada.
Sou a favor
Da liberação de tudo:
Do sexo
Das drogas
Das escolas
Do feijão com arroz
Da retomada de bens e propriedades
Do direito de existir
Do direito de ter direitos...
Agora,
Do resto eu sou contra;
Não suporto resto!
Sapato na Boca
(pé direito)
Como poeta,
Não colaria num evento
Com cachê pago
(Mesmo pão com ovo e corote -
Meu mais alto suborno)
Nem fodendo,
Não sem antes tentar
Roubar, matar e prostituir.
Agora,
Ultimamente,
Tenho dado preferência
Aos eventos que dão comida
(Se tiver goró, então...).
A coisa mais intrigante
Da arte
É a tara dos poetas por álcool,
Sua obsessão por pão.
Como poeta,
Não colaria num evento
Com cachê pago
(Mesmo pão com ovo e corote -
Meu mais alto suborno)
Nem fodendo,
Não sem antes tentar
Roubar, matar e prostituir.
Agora,
Ultimamente,
Tenho dado preferência
Aos eventos que dão comida
(Se tiver goró, então...).
A coisa mais intrigante
Da arte
É a tara dos poetas por álcool,
Sua obsessão por pão.
Sapato na Boca
(pé esquerdo)
Um poeta
Nunca deve perder
Nenhuma oportunidade
De ficar calado.
Espumando Ódio
Sem dinheiro eu rio mais
Rio de fome
Rio de desespero
Não tenho dinheiro pro busão
Pro circo, Pro prostíbulo
Não tenho um centavo
Nem pra entrar numa briga
Nem pra me chamarem de feio
Venha sorrindo
Que eu estou rangendo os dentes
Sem tempo para fábulas nem brincadeiras!
Num Estalo
tentando matar o tempo
fui aprisionado pelo tédio
e a razão da vida
me escorreu
por entre os dedos
entre o polegar e o médio.
Arremedo
o brasil não é um país
é um ajumentamento
um ajuntamento de jumentos
e que me perdoem os asininos.
Poderá ser um Soneto
Toda primavera, a frenética corrida até à rosa
Os olhos não veem a vertigem da distância à qual se lança
O corpo inteiro palpita numa douda nova dança
E o coração esperançoso planta o verso, rega a prosa
PRÓ-SECO
Os poetas escrevem
Quando acabam
O dinheiro e a bebida.
Depois,
Se embriagam
De poesias e desertos.
Dos ciúmes dos deuses
O que nos leva a condenar o Amor
É saber que,
Como deuses,
A existência nos priva
Deste belo, louco e simples
Prazer dos mortais.
A Eternidade é desgraçadamente
Uma solidão tão férrea
Que, se eu pudesse
Conceder a Felicidade a alguém,
Empregaria nisto todos os meus Poderes...
... Ou se eu fosse um pouquinho mais Sublime,
Ou simplesmente mais Jovem,
E a eternidade não me houvesse roubado a Coragem,
Cometeria Suicídio,
Umas três vezes.
Apreciação
Um livro de poesias
É sempre a melhor companhia dos porres.
Leio um antes
Recito um durante
Escrevo um depois.
Também existem
A solidão
A música
E a água.
A nada disto recomendo moderação.
Sem Escudos
Abri todas as portas;
Não queria mais esperar.
Qualquer novo amor que chegar
Deve entrar;
Me encontrará lá dentro,
Desarmado...
Se eu tiver saído,
Devo voltar logo,
Incauto,
E de peito aberto.
O Passeio das Sombras
Como tem infelizes nas praças!
Mais do que nos shopping`s!
Estariam os felizardos em prisão domiciliar,
Ou já teriam rendido espírito
E se riem de nosoutros,
Os insepultos?
Os infelizes, sempre solitários,
Ocupam os centros das cidades,
Parados, sentados, olhos distantes...
Os felizes, se vão aos centros,
Estão sempre andando, apressados,
E cruzam os outros,
Como estátuas vivas...
Não se veem, não se tocam,
Se evitam até no sentir,
Negando que são zumbis
Numa sociedade de mortos-vivos:
- "Não somos como eles!"
- "Não somos como somos!" -
Mentem a si mesmos
O que suas sombras
Insistem em revelar.
CRUCIFY
Deixar o amor morrer
De braços abertos e mãos estendidas,
Sem que ninguém se importe...
Eu ainda aguento,
Só não sei por quanto tempo.
Coisa de Pele
:binóculos
Para ver de perto
:tato
:olfato
:paladar
o olho para beijar
o suor para fundir
a boca para engolir
beijos
línguas
palavras
ah, deixa a alma
gozar o corpo
e a carne
degustar as sensações
todas as vibrações
pouco antes do desmaio
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
BUROCRATA 722178
Gastei a vida a preencher papéis,
A transformar as vidas de outros
Em meros números
Em pastas amarelecidas e esquecidas.
Serei eu agora
Apenas um número
Em papéis que outros preenchem e esquecem?
A burocracia transforma pessoas
- Ainda vivas -
Em números sem validade:
Criamos a máquina de transformar tudo em nada
Ou que transforma o nada em tudo.
Somos só números e esquecimentos.
HOMENS-MÁQUINA
outros choram de desemprego.
será a escravidão
a mãe de todos os cantos?
Platonismo
que isso nos deixe
mais juntos
ou nos separe
sem
deixar
lembranças
por hora
isto está me matando
A Miséria da Beleza
estamos onde ninguém quer estar.
e, no entanto, nos romantizam.
Sóbria Solidão
A ansiedade vem da solidão?
Da falta de perspectivas?
Fui feliz sozinho
Até a solidão me apavorar;
Agora, que fui feliz com alguém,
Novamente a solidão
Me acovarda e me confunde;
Não me mata,
Não me deixa viver
E não me deixa forças para suicidar.
Maldito Público
Sou um palhaço sem picadeiro.
Faço todos rirem de mim
Enquanto lastimo uma vida deprimente...
Os termos fodido e confuso
Te dizem alguma coisa?
Mas, sem alarde.
Esta é a condição típica dos poetas.
Demais,
Esperarei piorar um pouco mais
Para tomar atitudes drásticas,
Também típicas dos vates.
ponto sem nó?
quando a esmola é demais
o santo volta o troco;
senão vira empréstimo,
cobram-se juros,
e desconfiança
nunca pagou conta de ninguém.
desconjuro!
lendas urbanas
A última mulher que conheci
Evaporou no ar
Ninguém mais a viu
Depois daquela noite,
Não tem telefone,
Nome,
Endereço,
Rosto para lembrar...
Nem eu.
Esmolando
Me dê qualquer coisa:
roupas
comida
livros
beijos
palavras
Até trabalho:
folhas em branco
talheres limpos
cama quente...
Erros Ideais
Quem tenta moldar
A si mesmo ou a alguém
À guisa do Dr. Frankenstein
Pode acabar,
Sem saber,
Com uma Quimera:
- "Desmonta-me,
Decifra-me,
Ou te devoro!"
Arte pela Arte?
Se a minha poesia
Não pusesse pedras
Em minhas mãos,
Poria algumas espadas
Sobre a minha cabeça.
Sem denúncia, sem combate,
Troque-se por um bufão qualquer
Este poeta.
A minha poesia
Não serve em salões de festas!
Ainda
... Ainda temos tempo...
E é preciso aproveitar esta ainda,
Esta gota de tempo
Que ainda
Pinga e respinga.
Prisão das Mentes
Mesmo nas ruas,
Sempre que passo por telas e grades,
Sinto-me preso.
Do lado de fora.
Do lado de dentro.
Não faz diferença.
É a prisão em nós
Que nos leva ao nós na prisão.
Assinar:
Postagens (Atom)


