Pierrot

Pierrot
la tristesse

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

AUTO-REPUGNÂNCIA

 

Se o trabalhador 

Pensa como escravo 

E ama seus senhores,

Também odeia 

Seus pares

Por odiar a si mesmo?

MUNDOS EM CHAMAS

 


Que hábito terrível este meu

Debater com idiotas,

Quando deveria,

Como aconselharia Zaratustra,

Concordar, aplaudir e dar as costas!

Quem me outorgou 

Letrador da imbecilidade do mundo,

Quando deveria deixar tudo pegar fogo

E deliciar-me com as chamas

E rir-me das cinzas 

E, talvez, só talvez 

Tentar um rescaldo?

Fobia Pública

 

Não!

Não gosto da gentileza 

De estranhos.

Absolutamente!

 A mim, me basta

Que os meus me reconheçam 

Como um igual!

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Amor-Milagre



 Eu acredito em Amor

      

Eu não acredito em Milagre



Será 

Amor 

Milagre?




Hiato

 

Nunca mais escrevi 

Minhas palavras de fogo 

Que gritam silêncios 

Na minha solidão 

Muda.

Que me venham erupções 

D'alma,

Me arrancar 

Desta paz de vácuo!


Braço Invencivel

 

As mãos do poeta

São finas e delicadas 

E ásperas e calejadas,

Elas empunham a pena e a espada 

A enxada e o escudo,

Trazem em suas linhas 

Traços de labuta e fuga.

O Outro Eu

 


Sou um Ser 

Tão simplório, vulgar e achamboado 

Que, em se olhar para mim,

A grande maioria

Sequer consegue notar

O Poeta que apoderou-se

Da minha Existência.

Ossos do Ofício

 

Por ser poeta 

E viver de poesia, 

Sentindo todas as fomes do mundo 

E buscando sacia-las,

Falta-me tempo 

Para a poesia.


Picos de Vida

 


Quando ouço perguntarem

Por que escalar o mortal Evereste,

Respondo a mim mesmo:

Porque há Everestes.

E o mundo é pequeno demais

Para não ser totalmente explorado 

E grande demais para 

Se olhar de baixo

- "parado e seguro" -

Pois então,

Que hajam picos e hajam loucos!

sábado, 16 de novembro de 2024

Essencialmente


 Nunca 

Me considero 

Suficientemente 

Mau.

O outro é sempre pior,

Pelo simples pecado 

De não ser eu.


Oco do Mundo


 Ao vácuo 

Entre um amor e outro 

Chamamos solidão 

E não há nada no mundo 

De amores 

Que preencha este vão.


Ressaca Homérica


Como Bukowski 


Guardo a minha sensatez 


Para os dias de abstinência.



quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Atempos


O futuro ainda não existe 

E, sendo eu um nada 

No oco do Mundo,

Tentando forja-lo

No eco do vazio,

Me sento com alguns meninos 

E conto mentiras 

Sobre voltar o Tempo.


Planos


Pense

O dia de hoje 

Sem (des) pensar 

O dia de ontem 

Para que 

O dia de amanhã 

Traga realizações.


Sobre Viver


Sobreviver?

O sistema me quer 'sub',

Eu teimo em ser 'super':

Sou um

Subvivente 

Supervivente!