Escreveu, não leu É analfabeto. Leu, não escreveu É analfabeto. Leu, escreveu, não entendeu É analfabeto. Leu, escreveu, entendeu, não contextualizou É analfabeto. Leu, escreveu, entendeu, contextualizou, não praticou É analfabeto. Leu, escreveu, entendeu, contextualizou, praticou Algo nocivo ou insignificante É analfabeto. O analfabetismo e o iletramento Têm muitas faces; Saiba ler E saiba não ler!
Foi aquele beijo. Depois de tanta solidão, Foi aquele beijo: Cúmplice, ardente e sereno... o amor... A quebra do encanto real... Castigo. Foi aquele beijo que os libertou E os aprisionou no medalhão, Lançado às águas, Porque o amor dos outros é insuportável. Ele forçou saída, saiu, Respirou a superfície, sozinho. Voltou. Ela não quis mais. Trancou-se por dentro E, agarrados à chave que separava seus mundos, Ela afogou-se no vácuo, Ele esvaziou-se nas águas E Netuno, por maldição, Ordenou às águas que engulam Todos que tocarem a sua flor, Que afundem tudo que flutua, Que caía o que voa, Que arraste o que mergulha ao profundo! Para que se contemple Shakespeare submerso.
Chegou em casa alto, Exclamando: - "Sei tudo o que há para aprender" - E não aceitando opiniões contrárias. - "Hoje resisto à loucura; Amanhã serei o próprio louco!" - "O que vai te ajudar é um veneno. O que pode te ajudar é um horizonte. E há fatores..." - "Sim, o tempo trabalha: Nem sempre fomos O que hoje somos." Para Alguns, Pouco basta Para ter tudo.
Sob nossas precárias condições de Trabalho, Deslocamentos e vidas, As famílias tendem a ser reduzidas, Simplesmente, As unidades individuais de trabalho - Animais de cargas, robôs de trabalho - E é justamente neste meio Que começa e se concretiza A desumanização das pessoas E o fim das relações afetivas e sociais: Suportamos o trabalho, Amamos as coisas E obedecemos à televisão (ainda que não tenhamos uma em casa, este membro se tornou o mais importante das famílias; ainda que não tenhamos casa nem família) E convivemos uns com os outros Sem nos dar conta De que realmente existimos: Nos tornamos ou fomos tornados Máquinas manipuláveis e descartáveis E a Inteligência Artificial Não nos é uma realidade. Proletários do mundo, HUMANIZAI-VOS!
Nas ruas, às vezes me sinto Como os personagens do filme - Cidade dos Anjos - Sempre usando as mesmas roupas, Observando, como estátua, A rumorosa faina da vida humana, Sem licença e sem saber como participar. Quando, enfim, transgrido Esta maldita proibição, Me ocorre o mesmo que ao Nicolas Cage.
Volta e meia Tudo muda Mas eu só aquento Meia volta Bateu revolta E tenho girado tanto Tonto Nauseado Quero parar E vomitar o que sinto Quero estancar O que faz com que minto Quero parar Meia volta, volta e meia Tudo vai voltar
Da caixa de Pandora, Quando se pensou Libertos todos os flagelos, Saltou o pior de todos - A Esperança - Nela, todos os outros Se suportam e até a naturalização, Aí se firmaram A Religião, A Mídia E a Representatividade.