quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Caminhando a outros braços
talvez ele tenha se doado mais
enquanto eu era o egoísmo
da concepção dos versos.
autêntico, foi ele mesmo
e eu a complexidade volúvel
dos que duelam em mim.
era livre para ter amor
e declará-lo;
eu perguntei se era amor.
menti ao coração
para aliviar a pressão
e fugiste do meu rosto sem expressão
do desejo sem satisfação.
Teoria do Mundo Único
Fomos criaturas simplórias,
de conformação física rudimentar,
de intelecto nulo,
de espiritualidade pobre,
atos medíocres
e status nobre.
Somos uma raça bárbara,
de sonhos mortos,
de ideias, pensamentos e obras infames
e dissemos aos homens de Marte
que somos felizes.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
astrologia, Hawking.
O tempo leva a dor, traz o perdão,
Leva a loucura, traz a velhice.
Eu amo de forma estranha,
Um amante crudelíssimo!
Deve ser crime (até) mas eu amo...
E amando eu morro, rejuvenesço,
Faço um universo que cabe em qualquer sorriso...
E minto. as belas verdades que digo,
As dores e as alegrias que finjo.
Eu minto coma felicidade no rosto.
Isso que o vento não sussurra...
Eu sussurro... o teu nome... eu te amo...
Não, não ouça!
Eu não te diria!
Não sou louco!
Sim, sou louco, e por isso vivo,
De verdade!
Isso está escrito nas estrelas,
O cometa que eu sou
Passou soprando poeira de outros cosmos:
Um Sol dizendo: "uma volta, só mais uma volta..."
Talvez nem seja verdade. E daí?
Quantas tormentas não viriam junto?
Não se pode ser dinossauro e astrônomo!
Não quero mais saber das estrelas.
Eu quero é ter os pés no chão
E a cabeça em ti.
A realidade?
Eu quero é aparecer nos teus sonhos
E ter sonhos
Para você aparecer.
SOB E SOBRE ESCOMBROS
O quanto eu poderia ter feito
Para que o meu antigo mundo
Não desabasse?
Desabou!
Reconstruí-lo mais sólido,
Mais sóbrio,
Me interessa mais...
E dizer ao novo habitante
O quanto pode fazer
Para que ele não se arruíne
Mais e sempre,
Para que não reine
Sob e sobre escombros de mim.
da boca pra fora
Não vá para sempre.
Eu disse tudo aquilo
Porque a dor era demais.
Agora, olhe nos meus olhos
E veja como dói
Tanto tempo longe de você.
Vem, o que foi dito
Pode ser mudado,
Mas é o que sinto
Que deixará a porta entreaberta
Enquanto rezo pelo milagre,
Pelo simples e banal milagre
De ver você voltar.
O Último Senhor da Guerra
Admito ser uma espécie de monstro
e fico, às vezes, pensando, garboso:
e se alguém me der ouvidos?
Metal Líquido
Em tempos líquidos
Eu prometo não lhe escorrer
Por entre os dedos,
Não trocar o e-mail...
O telefone talvez.
Eu não fico muito tempo
No mesmo lugar.
O e-mail é móvel,
Não o trocarei.
Você vai me achar sempre,
Ainda que eu demore a responder,
Estarei perto, em algum lugar:
Eu aprendi a me prender a você.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
feitio de oração
É preciso lembrar
do pouco que somos
e do muito que podemos;
do pouco que temos
e do muito que queremos;
do pouco que sabemos
e do muito que fazemos;
do pouco que devemos
e do muito que tememos;
do pouco que dizemos
e do muito que esquecemos;
é preciso lembrar
dos muitos deuses que criamos
e do quanto os reverenciamos.
sob palmas ilusórias
sempre uma despedida melancólica
não-assistida
desce o pano
obscuro astro do monólogo oculto
e se vai como que se esgueirando
vencedor como vencido
amado como odiado
só o eco de um espetáculo
um baile pós-carnavalesco
de cinzas e esquecimento.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
labor poético
- "irresponsável!"
ouvi tanto isto
que me afeiçoei ao termo.
e eu, que parecia sofrer
de uma irresponsabilidade incurável,
de repente,
vi recair sobre os meus ombros
a maior de todas as responsabilidades.
OMBROS QUE SUPORTAM O MUNDO
Uma constante à minha condição de poeta
é que preciso de solidão para ser-me
e parece-me que os outros buscam-me
justamente nestes momentos
de profunda absorção.
Quando saio a buscá-los,
ninguém mais está disponível.
a poesia faz-me um Tântalo,
cercado de mundo extraordinários
e a solidão como única companhia.
Tanto Faz...
Uma oferta de terror:
Cismar sobre as cinzas disto
- Amar!
Mas não de graça! -
Era só um poema:
Rasgada a folha, morto o poeta
Já não adianta mudar.
O colorido das roupas de outros tempos
não quis me ouvir
não me disse nada
não sei por onde anda
nem o que faz de si.
hoje eu nem sei se ainda existe
- foi um tempo -
há um abismo de tempo,
uma ampulheta gotejando areia grão a grão,
como um esquecimento líquido, evaporado...
aquele tempo acabou
e eu teimo em saber de mim
como estou
e o que posso agora.
cedo demais.
ainda dava tempo mudar tudo
que fosse demasiado.
longo tempo!
e o que foi feito
acabou desfeito,
e a agonia,
esquecendo a um só golpe,
toda a obra de 'um dia'...
quem foi embora
eu não sei dizer aonde está
ou porquê jaz agora.
Passaporte pro Paraíso
por Vitória Souza
As pessoas que me julgam
não veem culpa em mim,
mas eu também lavaria minhas mãos para jesus.
Eu queria comprar minha passagem para o paraíso,
mas dei meu dinheiro a um mendigo...
e por todo esse tempo
eu só queria comprar minha passagem para o paraíso,
mas é muito mais fácil caminhar com meus próprios pés
e pensar com minha própria cabeça,
sem pedir a opinião de ninguém.
Bem, agora não preciso comprar a passagem,
deixarei de lado essa viagem
porque eu aceito que a morte é o fim de tudo
e que nada dura pra sempre
e consigo conviver bem com isso...
e por todo esse tempo
eu só queria comprar minha passagem para o paraíso.
As pessoas que me julgam
não veem culpa em mim,
mas eu também lavaria minhas mãos para jesus.
Eu queria comprar minha passagem para o paraíso,
mas dei meu dinheiro a um mendigo...
e por todo esse tempo
eu só queria comprar minha passagem para o paraíso,
mas é muito mais fácil caminhar com meus próprios pés
e pensar com minha própria cabeça,
sem pedir a opinião de ninguém.
Bem, agora não preciso comprar a passagem,
deixarei de lado essa viagem
porque eu aceito que a morte é o fim de tudo
e que nada dura pra sempre
e consigo conviver bem com isso...
e por todo esse tempo
eu só queria comprar minha passagem para o paraíso.
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