Pierrot

Pierrot
la tristesse

domingo, 4 de abril de 2010

O Mundo Por Empréstimo


E se amar fosse dar o mundo?
Eu te daria o céu
pelo branco além.
O mar
Pelo cáustico sal.
Nuvens de algodão
por nimbos em choque.
Brandas canções soltas no ar
por heavy metal´s tempestuosos.
Serenatas ao luar
por açoites do sol desértico.
Teu riso
pelo meu pranto.
Das tuas revoadas nas asas do vento
uma carona em cauda de foguete.
De tanto dar-te
( estrelas, mares, luas, liras, alma )
sem nada ter,
sem nada em troca:
DEUS quer tudo de volta!

as duas faces do mesmo palhaço


talvez tenha nascido da mentira do pierrot
da sensibilidade da falsidade
da hipocrisia da ingenuidade
de um estado quase mórbido de romantismo
surgindo de um salto, a susto
mais vivaz, mais colorido, mais diverso
com novos enredo e evolução
a encantar as multidões dos sentidos
a desembainhar a espada do riso
em peripécias mil
combatendo a tristeza e a monotonia
o farsante
talvez mentisse de si mesmo
mas a alegria pintada na cara
representada nos gestos
não o revelou.


No Espelho Do Agora


Eu sou a solidão da noite;
Eu sou o silêncio
Dos que choram por amor;
Eu sou a calma dos desesperados,
Após terem gasto suas forças extremas.

Agora nada mais resta
Senão engolir os soluços
E recomeçar.

Eu vejo a estrada
- Esta esplêndida prisão -
E pareço tentar reunir forças
Para não partir.

Eu posso enfrentar os velhos fantasmas.
Mas, neste momento
De solidão e calma,
O medo parece ser mais forte.

Versos Para Voltar O Tempo




Eu também fiquei esperando o meu amor passar.
Neste momento, eu queria sentir revolta.
Mas o amanhã não é um talvez, vai chegar!
E nada traz o passado de volta.


Sob a via láctea, uma estrada sinuosa.
E eu esperando, anos-luz ali sentado,
Que ela aparecesse, sempre virtuosa,
Dizendo com ar de deusa: - "perdoado!" -


Se também fiquei esperando o meu amor passar,
Desejei que ela trouxesse consigo
O amor que ainda guardo comigo;


Que ela viesse como eu a vejo:
Um abraço eterno, um infinito beijo...
E já não precisaria o passado voltar.



Toda Música


Um dia desses
Me convide para dançar.
Mesmo sem música,
No meio da rua,
Entre os carros no estacionamento,
As prateleiras do supermercado...
Só me leve nos giros seus
E eu tento te acompanhar.
Todo o mundo é um salão
E cada suspiro teu
É qualquer ritmo.
Logo aprenderei a dançar
Bem devagar
Para não me desprender
Do teu corpo.


Me Soltar



Deixá-la ir? Depois de ter
Mudado a minha melodia,
Depois de me explicar o que eu sentia,
Depois de me ensinar a viver?

Deixá-la ir? E os sonhos após ela:
Um a um como voassem,
Par a par como zombassem
De mim, pulando a janela?

Deixá-la ir? E ficar desejando vingança,
Morrendo consumido pela lembrança,
Viver esperando ela voltar?

Deixá-la ir! Poucas emoções,
Depois de tantas ilusões,
Deixá-la ir, se soltar!



Zumbis



O tempo... São apenas horas;
Deixe-o seguir, isto não demora.
Os bêbados conhecem a sua verdade
Vivendo fora da realidade.

Deixe os sonhos para trás;
Não tenho mais tempo.
A eternidade desta vida
Foi apenas um momento.

Esqueça que temos futuro;
Somos prisioneiros do passado.
Quando acordarmos para o presente
O nosso tempo terá se esgotado.

São os jovens sentados na praça
Velhos corpos já sem alma:
Venderam suas vidas por diamantes.
Agora mendigam fé e calma.



sábado, 3 de abril de 2010

Intruso



O poeta não tem lar.
Ele invade as casas de outros,
Perambula por bares e sarjetas,
É conviva de covís e conluios:
O poeta é hóspede indesejado no mundo!
Ele está sempre mudando tudo,
Zombando e praguejando
Contra as unânimes assembleias gerais
Dos homens nobres e comuns,
Ferindo-lhes a dignidade constituída.
É banido de tantos lugares
Que não causaria espanto
Se um dia fosse exilado na lua, ou em plutão,
Lançado no espaço sideral
Para ser desintegrado pelo vácuo,
Tragado por um buraco-negro;
Para o diabo que o cale!
- Ah, qualquer lugar que não seja o paraíso,
Mas bem longe deste inferno! - diria ele.



Metrópoles Virtuais



Nas grandes metrópoles, as vidas empilhadas:
É muita coisa para explicar o nada!
Eu bato a cabeça nos vidros das portas,
Procuro uma saída, olhando para o meu interior
Onde há um vazio que já não sou eu.
As pessoas que passam apressadas
Me fazem sofrer como eu as faço
E somos vingados pela indiferença.
O barulho das ruas, o silêncio e a solidão das casas...
A televisão tenta mostrar a tal verdade,
Com sua luz hipnotizante e cegadora:
É o homem sitiado pelo homem!
Uma válvula de escape, um carro, a violência,
Mais uma droga para antecipar a morte.
E não nos conhecemos mais:
Eu e o meu ser - dois rostos estranhos na multidão -
Estranhos porque nunca olhamos para os outros.

Olhos invisíveis me vigiam
Como se eu fosse fugir de mim.




Atanásia

( imortalidade )


Sonambólico manto. Morro agora.
A ferida aberta
A mágoa e a lembrança
E somente a morte amou-me
( uma vez só )
Eu tenho padecido
Por não compreendê-la.

Sonambólico,
O fim convida-me a esquecer.
Descansarei meus ressentimentos
Sob a tua frialdade pétrea,
E então, partirei.


sexta-feira, 2 de abril de 2010

Um Relógio Na Parede Dos Céus



O infinito é tempo ou espaço?

É tempo
Que se transforma em espaço
Transformando espaços
Em reminiscências vibráteis
Por materialização do tempo espiral
Num horizonte contínuo
A modificar essências
Tirando paço dos que estão presos.

É espaço
Que se transforma em tempo
A escoar imperceptível
Por entre os dedos dos tolos
Que logram detê-lo
Em impulsos táteis
De abstração do espaço vertical
Tomando passo dos que têm pressa.

É pêndulo
- Mecanismo vivo do etéreo movimento -
Regendo as realidades dos mundos
Em compasso tal
Que somente os que sabem
Ser efêmeros e infindos podem conceber.

É tempo e espaço - pêndulo!

É um deus
E um deus é todo em tudo
Eternamente.



Cyber Cave`s Troglodite`s

(Like Rat`s)


As pessoas sem trabalho
Têm medo de encarar as vitrines
E entram nos bares
- Ruas sem saída -
O mais próximo do nosso cotidiano
De asfalto e dor,
Na selva de homens-robôs,
Trogloditas das cavernas cibernéticas,
Almas danificadas pelo efeito corrosivo
De seus sonhos de consumo
E descartabilidade.