Pierrot

Pierrot
la tristesse

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sopro de Vida




Outro que soprou,
Locomoveu mundos,
Reanimou.
- Louco! - dizem.
E ele responde surdo:
- Vivo:
Levantar poeira de outras estrelas,
Águas, ventos, luzes;
Acordar tudo de novo! -
Outros dizem:
- É o fim! -
Ele, cego, responde:
- Começar:
E tudo chega hoje;
Os outros podem ir,
Eu refaço;
Mas não posso recriar
O que morreu de véspera! -
E dizem:
- Não queremos! -
E ele responde:
- Não querer mata tudo! -
Mas continua soprando!

Depois da segunda inocência



Perdi mais uma luta.
O que importa isto?
Ganhá-las tornou-se um tédio só.
Então, deixei de ser criança;
E agora que cresci
Percebi que as pessoas
São realmente estranhas.
Por isso, não me venha falar de amor.
O amor, na minha concepção,
Tem sinônimos vários
E nenhum deles é como você pensa.
Eu respeito todas as coisas.
Por isso, não me venha falar de amor.
Eu não amo,
Eu não sou assim!

S.O.S sem socorro



O tempo tem passado por mim
Sem olhar para o lado,
Como se eu precisasse provar que existo.
O mundo está à procura de um herói,
De um homem perfeito
E constituído do mais puro aço.
Eu tenho o defeito de sangrar
( Sonhar )
Crer na educação que me foi dada,
E que sensibilidade e sensatez - razão -
Farão da humanidade
Uma raça menos ordinária!

Futebol e Novelas



Segurando o pálio do diabo
Neste país de procissão e carnaval,
Transformando mentira em calmaria.
Os ventos de outras direções
Mudam os rumos dos barcos;
Não vou ficar esperando.
As prisões são idênticas
Em todas as épocas e circunstâncias;
Só aqui ninguém se rebela.
Também pudera:
Fui escolher para nascer
Numa noite chuvosa e no fim do mundo!
Mas, devagar com o andor,
Que a estrada é escura
E o santo parece
Não estar do nosso lado.



lição de cada um



Era só um gole - não faria diferença.
A consequência seria só uma embriaguez.
O fim do mundo já tinha conserto
- Mas a loucura daqueles dias era mortal! -
E desde que éramos jovens
Nos importava viver mais.
O amanhã foi apenas outro dia.
Mas viver não era só sobreviver!
E se havia mais, nós queríamos mais!
Depois do outro gole tudo acabou.
E eu,
Talvez convertido no último instante,
Não soube crer
E, já me encontrando à beira do precipício,
Também saltei para conhecê-lo.

Sangrando e confuso



No meu lugar
Qualquer um alegaria fome, medo.
Mas em mim é ódio, uma coisa que consome:
Derramar sangue, vísceras;
Partir crânios;
Saciar uma sede malígna!...

No meu lugar
Ninguém admitiria o fracasso:
O animal íntimo assumiu o controle
Dos meus pensamentos e ações,
E quer vingança!
Não mais como uma fera irracional,
Mas, de uma fúria requintada
Que vai se fortalecendo
À medida que o sangue esfria!...

No meu lugar
Ninguém confessaria tal desejo,
Ou mesmo,
Tomaria consciência de tal força!

No meu lugar
Ninguém refrearia tanto
Tais instintos,
Tão puros!


A Chaga que Trouxe o Ódio



Aquele homem caminhava
Carregando a sua cruz.
Sentindo frio,
Cobria-se com o céu;
Alimentava-se de sonhos
E bebia do suor
Que não caía ao chão.
Um dia ele falou.
A humanidade não suportou
As suas verdades
E conspirou-se
Para matar aquele homem.
Ele representa
As pessoas com pedras nas mãos
Sem forças para atirá-las;
Aqueles que calam. Calam e não consentem;
Os outros com fome,
Olhando vitrines de alimentos...
Agora, eles estão empregando
Canivetes e revólveres
Para impor ao mundo
A paz
Que nunca soubemos construir.

Pela Coleira




Lord Taylor Airão Airoso:
Impavesado de impáfia,
Vinte e quatro horas vestido
Naquelas roupas pomposas,
Iguais às de todos os outros;
Tomando posturas e trejeitos
Pré-determinados por aquelas pessoas chatas,
Donas dos seus narizes,
Mas sem nenhuma autonomia sobre eles.
Perplexo, me pergunto
Se aquilo só
É tudo que o dinheiro pode comprar.
Eu vim de um lugar
Onde, na maior parte do tempo,
Falta comida
E nada entendo de etiqueta.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

FIAT LUX

( Gênesis, em alguma parte que falta )

E disse DEUS:

- "Vai Zezinho, sê poeta
E, desarmado combate incessantemente
Um mundo traiçoeiro que...
Ei Zezinho, tire a mão da caixa dos milagres!
Zezinho, volte aqui com estes cadernos!
Zezinho! Zezinho! zé-!..."
E, abanando a cabeça e abrindo os braços,
Mãos espalmadas a derramar bênçãos,

Disse:

- "Vai zezinho, há uma vida à tua espera;
Aprenderás a viver e a amar."
E, tornando para os anjos:
- "Alguém proteja-o,
Não o abandone um só instante!"

Houve risos.

Alguns dos angelicais apiedaram-se
De quem recebeu "tão árdua tarefa"
E todos agradeceram
Por não terem sido o escolhido.

Aqui embaixo,
As coisas até que vão indo bem.

Cismas


O Cristo também teve seus dias de desgraça:
- " Quando não houver quem zombe
Deixará de valer a pena. " -
Eu encontrei um atalho,
Fazendo o tempo perdido correr atrás de mim.
O inimigo caiu: vou reerguê-lo.
Mas não sem antes
Contemplar o quadro... traçar panoramas...
Rir-me interiormente do vexame...
Talvez eu crie um lugar para mim.
Eu sou um invasor,
Aonde quer que eu vá
Me sinto um estrangeiro
E sempre encontro
Quem queira acender a minha pira
Com base nestas considerações.

Vendo os trens passarem



Dito não acreditar no "pra sempre"
Descaracterizo também
"O nunca, o jamais".
Tudo é até breve!
E nem precisamos saber até quando.
As flores que eu te daria
Nasceriam no concreto.
Isto jamais acontecerá!
Então, até breve!
Vou-me embora para nunca mais.
Até breve!
Eu verteria algumas poucas lágrimas,
Mas sou um homem de aço,
Sempre pago para nunca chorar.



Amar como penitência



Naquele triângulo de amor amaldiçoado
Cada um sobrevive como pode.
Três corações partidos em um...
Por um capricho sombrio:
Ela, com o seu jeito mórbido,
Atraiu para si dois tolos,
Incautos com os seus próprios sentimentos,
Que agora, como condenados ao purgatório,
Lançam cantilenas perturbadoras
Ora a Deus, ora ao Diabo,
Que os liberte deste jogo perverso.
O pranto deles soa como guizos horroríssonos
Que nos fere alma e ouvidos.
E as lágrimas que caem ao chão
Secam até mesmo aos espinhos e daninhas.
A maldição dos amantes:
Furor, libido e solidão.
Quantos amores já não morreram
Por medo de tal destino?
Eu os vejo como crianças puras.
O que fazem aos seus corações
É que desertificou o vale
Onde habitavam pacificamente os seus espíritos.
E seguem as suas vidas secas
Penitenciados,
Amando a um e odiando ao outro.



Taverna da Conspiração



São todas essas injustiças sociais
que trazem fomes e pestes,
esta corrupção maldita,
a inépcia deste povo inconsciente,
mal educado e mal alimentado,
sofrendo guerras e rumores de guerras...

Vamos derrubar o presidente
e instituir um genocida no poder!

Ah camaradas, o mundo está errado:
nascemos do barro e dos vermes,
somos, em verdade, sua semelhança imperfeita
e nada fazemos para sermos dignos de nada!

A nossa fé é falsa
e constitui um crime contra os céus
e, se rezamos
é para jogar a culpa uns nos outros.

Vamos destronar Deus
e elevar um poeta ao poder!

Mas...vejamos...
esperem um pouco!
esperem um pouco!...

Ia me esquecendo...

DEUS É UM POETA!

Curva do tempo



Hoje, acordei tarde demais
Para a poesia e para a vida!

Bem, para a vida
Estou sempre a dormir.
Quando, às vezes me debordo
De lá para cá
De cá para lá
Devo está sonâmbulo.

Ah, mas é pela poesia
Que tenho febre e dor.
As noites em claro,
Os dias de íntimas trevas...

Que me importa ser sonhador
Nestas eras de insônia?

Deveria ter despertado e saído.

Hoje, acordei tarde demais!
Eu já não era eu
Mas ainda estava lá.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Uma Trégua Com O Tempo



Os dias nunca mais foram os mesmos.
Cada um traz sua drástica realidade.
Eu continuo passando o tempo...
Só que agora, com mais calma.
Andam espalhando alguns boatos
Sobre coisas que supostamente faço.
Estou apenas amadurecendo um pouco...
O tempo faz todo o trabalho.
Vou levando a vida
De forma displicente,
Ajudado por pequenos milagres,
Favores, que tenho recebido sem reclamar.
O que faço da vida
São dois milagres somente:
Um deles é sorrir;
O outro é uma poesia
Tão preguiçosa e egocêntrica,
Que não movo um só dedo para publicá-la.

Certo Ceticismo



Se eu não tivesse alma
A minha cabeça seria
Um outro ser
Completamente à parte do corpo;

( deixemos a cabeça no lugar! )

Se eu não tivesse alma
Seria um gênio
Pelas verdades que conheço
E pelas mentiras que invento;

( eu devo ser louco! )

Se eu não tivesse alma
Pelas passadas ágeis
E pela fome fisiológica que suporto
Seria uma máquina
À frente de qualquer tempo.

( isto deve ser força moral! )

Se eu não tivesse alma
Por tudo que me desperta
Enternecimento e indiferença
Pelo ódio que nutro
Pelo amor que me lavra
'Ah coração
Cravo-lhe uma adaga!'

( mas é preciso sentir )

A minha cabeça quer ser dona de mim;
O meu coração faz o que quer;
O meu corpo reclama desejos;
Eu quero viver mais;

( eu não sou apenas eu! )



Pelo que não dissemos



Eu quero dizer que te amo
E preciso que você solte estas pedras...
...Estas... que está pensando em atirar
Contra os meus sentimentos.

Eu quero dizer que te amo
Mas não na frente da sua amiga;
Perto dela só consigo pensar em suicídio;
Ainda bem que já não sou tão louco.

Eu queria que você estivesse aqui
E você esteve aqui a todo instante,
Só não se deixou ao meu alcance
E eu desejei vê-la partir.

Você está querendo me dizer algo
E eu estou esperando.
De outra vez, você engoliu as palavras
Quando veio dizer me amar:

( Às vezes, é preciso deixar em silêncio
A quem mais amamos!)

Fraç ão DeSIguaL




SUBURBANO
SUBÚRBIO
SUB-URBE


SUB-CIDADÃO
DE UMA SUB-NAÇÃO

SOB INDIGNIDADE


SUB-HOMEM
DE UMA SUB-RAÇA

SOB FOGO


NUM SUB-MUNDO
SUB-HUMANO

SUPER-EU