Pierrot

Pierrot
la tristesse

terça-feira, 25 de agosto de 2020

4:25

 

Não quero mais escrever!

Queria só dormir, 

Como os homens felizes

Que assistem televisão

E se acorrentam à escravidão moderna

Voluntariamente,

Sem questionar, sem pensar,

Sem sonhar com um único

Instante de amor e fúria.

Sorte a deles me deixarem em paz

No meu calabouço:

O primeiro que abrir esta grade,

Eu mato!


... e a pedra lascou...

 

Dançando conforme a música

Ou cantando conforme a dança

- Ritmo fora do compasso -

O troglodita das cavernas cibernéticas

É o mesmo das cavernas dos australopitecos,

Mas sem muitas perspectivas da realidade.


Desde os primórdios

Até hoje em dia

Eu ainda destruo 

O que o macaco fazia.

Santo Porre

 

Escrevo à noite,

Rasgo pela manhã.

Se cada palavra fosse

O meu coração

- Como dizem -

Quão bom seria!

O coração do poeta

É um abismo

De solidão dos outros.

Amar? Eu?

Dá-me meu dinheiro de volta

E te faço um poema...



Páginas Comestíveis

 

Um livro só

É como um único prato

Que alimenta dez pessoas,

Mil pessoas,

Um milhão de pessoas,

Um mundo inteiro...

Mas, cuidado!

Há livros tóxicos,

Pessoas gulosas e gostos mesquinhos.


Credos Descreditados

 

Todas as religiões existem!

Há templos

Livros

Dogmas

Sacerdotes

Sectários

Vítimas 

E detratores.

Ateus e deuses, não!

Onde estão?

O que fazem?

A quem inquirem?

Num mundo de terra, fogo

Água e ar, se não causa bens nem males,

Simplesmente não existe!


Saudade em flor

 

Não sei por onde ela anda

E a quem tortura agora

E esta paz está me consumindo

Como uma saudade

De um tempo de solidão e tormento.

Se ela volta para tirar a minha paz,

Sou capaz de amá-la, novamente,

Acima de qualquer dor...

Mas, me vingaria.


Seco minhas lágrimas

Umas nas outras

Nesta saudade que choro.


descansado amo

 

O trabalho me consome

Seis dias por semana.

Só então, volto para casa,

Só então , alguém me ama.

Para que tanto trabalho

E tão pouco amor?


Quarentena

 

Quando os lupanares 

Fecham

Muitos amores verdadeiros 

Morrem

E todos voltam para casa,

Para se prostituir.


Pantanal e Dacal


Disse-me Zaratustra

Que os poetas não mentem;

Disse-me que só há 

Duas mentiras:

A verdade e a poesia.

- Ah, a vida também.

- Argumentei.

- Os poetas vivem?

Perguntou-me Zaratustra.



ONG`S E IGREJAS

 

Quando Narciso chegou ao lago,

Lá estavam os últimos caridosos

Esperando o lago encher,

Novamente.


senzala.com

 

O eito

Será sempre braçal,

Mesmo quando o descanso

For virtual.