segunda-feira, 30 de junho de 2014
ventos e velas
Branco mar de ansiedades
De um poeta preguiçoso...
Eu fiquei preguiçoso
E não tenho medo...
Tenho medo só de esquecer
Que sou nado
E só preciso fazer
O que não me canse.
Atlântico lago,
Mas serenei.
Um espírito de mar
Mareado das Eras,
Águas doces em torrentes
Quase elétricas
Do sonho
Do poder de querer.
Mar, grande mar
E o meu coração é navegante,
Cigano e Vela:
Ímpeto cigano, ação de vela.
Bienal de Bárbaros
Museus somos nós
Que vivemos das lembranças
Do que éramos
Ou do que deveríamos ser.
Queria ser um bárbaro contemporâneo
Como aqueles caras no bar
E comprar a felicidade
Com o troco da cerveja...
Me auto-remunerar com tesouros
E não ter sentimentos,
Ser mais um troglodita
Como são os homens, desde a associação.
Mas eu me devo fortunas
E, às vezes, bato à minha porta
Cobrando sem descontos
O quanto não deveria pagar.
O inconfessável medo de amar
Quando o amor bater
À sua porta e avisar:
"Não deixe mais nada passar,
Não deixe mais ninguém entrar."
Você pode até
Ter medo de sentir,
Você pode até
Dizer que vai fugir.
Vai dizer que
Não sentiu (frio),
Vai dizer que
Não pediu (abrigo).
Tudo pode ser
Errado agora
Mas você não quer
Saber a hora
De fugir
Ou de sentir...
Quando o amor bater
Você vai saber,
Vai abrir a porta:
Nada mais importa.
Utopia e Realidade
Queria salvar o mundo
através das palavras,
mas não pude
e, enquanto falamos,
apenas adiamos
o inevitável!
Palavras e Pecados
O amor que compro pelas ruas
não me satisfaz
nem me ama como eu quero
mesmo pagando mais.
O amor que faço a qualquer preço
insano, corrompido
faz do meu coração
um deus prostituído.
Já não é amor
é o meu ser dividido
e toda essa dor
tem o meu ego consumido...
Também não é vício
o amor ainda está contido
diante de tal suplício
de fazer para ser sentido.
Brincadeira Bizarra
Ganhar a sua afeição
É elogiar a sua boneca.
pensar no seu sexo
Torpe pecado.
Ela é uma criança
Em todo o seu esplendor!
Ainda dança cirandas,
Pula corda, brinca na rua...
E eu,
Velho brincante de trapaças,
Faço:
Planos para aposentadoria
Poesias para obras póstumas
Músicas para homens tristes
Letras para blues nostálgicos
: Desespero para uma vida inteira.
domingo, 22 de junho de 2014
OS CONTRA
Ao Bardo Daniel Viana Leitão Vida Simples
Educadores da pedra
Com a alma a esgar
A dignidade
Contra baioneta calada
Vociferando ao "cale-se"
Do dragão genocida
As pedras nas mãos
Contra os de dentro das fardas
Ambos com fome
Ambos subjugados
Matando-se titanicamente
Uns bradando "viva!"
Outros praguejando "morra!"
No dia de grito de "goool!"
Educadores da pedra
Com a alma a esgar
A dignidade
Contra baioneta calada
Vociferando ao "cale-se"
Do dragão genocida
As pedras nas mãos
Contra os de dentro das fardas
Ambos com fome
Ambos subjugados
Matando-se titanicamente
Uns bradando "viva!"
Outros praguejando "morra!"
No dia de grito de "goool!"
em companhia dos versos
A solidão
É o ócio criativo.
Quando se for a inspiração,
Junte-se às pessoas...
Mas, saiba,
Isto não é garantia
De que não se sentirá só.
domingo, 15 de junho de 2014
VERGONHA NACIONAL
Bombas
De efeito moral
(e cívico)
São imorais
E, com efeito,
Elas ferem, elas matam
A cidadania,
A humanidade:
Elas são criminosas!
antessala dos espelhos
Ao mirar-te no espelho
Não verás a realidade
Nem verás a ti mesmo
Verás através de ti
Para além do seres
Ou a ilusão
Te arrastará para a dimensão
Dos meros reflexos.
domingo, 8 de junho de 2014
carga de males
Não reconheço mais
O meu domingo:
Não jogo mais futebol,
Não bebo cachaça,
Não trabalho na segunda;
Se um dia foi,
Foi um dia,
E foi.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Efetivos Variáveis
O primeiro soldado pegou o fuzil,
Que guardava junto
Com a carta do Ministro
E ensaiava a morte
Entre os colegas de pelotão.
Ele contava para a sua namorada
Que haviam lhe transformado num guerreiro
E que havia um inimigo...
O jovem soldado rifou o fuzil,
Que guardava no armário
junto com as lembranças da infância.
Ele não lutaria perdido naquela farda
E sem saber ao certo
Quem era o inimigo.
O último soldado largou o fuzil,
Com o qual matara o próprio Irmão.
Ele já não tinha namorada para contar
Que não sabia mais
Como voltar para casa.
O ex-soldado usou o fuzil,
Que era a morte em suas mãos.
Ele já não era um soldado;
Nunca foi um herói;
Talvez, nem mesmo um assassino:
Ele se reconheceu no inimigo
E reconheceu um inimigo em si.
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Este
poema denuncia o alto número de suicídios de soldados do efetivo variado
durante o serviço de guarda, segundo as forças armadas, sem motivo aparente.
complicado mesmo é amar uma mulher
Era só uma mulher.
Mesmo que todas as canções escandalizassem
E inspirados nela nascesse poemas e enredos,
outros passariam por ela sem notar,
Entretanto, eu vi o amor nos seus olhos.
Acho que dá para esquecer:
É só desligar a memória...
Talvez não lembrar daquela noite
Quando ela me sorriu cinicamente
E fez acender dois faróis-de-milha
Dos meus olhos...
Depois, às escuras, saí da estrada
E me precipitei num mar glacial.
Era só uma mulher.
Mas tudo dito sobre ela
Foi além da compreensão humana
E deu-se na alma carona para o céu...
Depois, para descê-la da ilusão,
Lágrimas não foram suficientes,
Sacrifícios nada significariam.
No entanto, eu morri, naquela noite,
Quando ela me sorriu para inocentar-se
E fez acender dos meus olhos
O brilho de mil constelações...
Depois, aos gritos silenciosos
O céu se apagou;
Eu me implodi em trilhões de partículas microcósmicas
E ela continua com o seu sorriso condenável.
MAKING OFF
Já faz alguns dias
Que não consigo escrever nada;
Os dias têm passado iguais;
Não há um novo astro no céu
E a ciência tem a cabeça
Em outro universo.
Eu estou esperando,
Ficando mais frágil
A cada instante.
No filme da vida do herói
Ele nem sempre é o papel principal
E as cenas, paradas, se repetem
Com uma banalidade infindável.
Ontem mesmo me flagrei chorando
E o filme nem havia chegado
À cena do beijo.
caminhos que levam à dor
Alguém que errou todos os caminhos,
perdido na própria solidão,
ignorando as pessoas à beira da estrada:
canções perguntando por quê?
Perguntas que só o vento poderá responder.
Não consigo ouvir os seus sussurros;
talvez, nem mesmo o vento saiba,
depois que apagou os rastros.
Rastros, marcas deixadas em muitos lugares.
Alguns deles permanecerão para sempre:
se eu não mais os encontrar,
então, liberte-se de mim.
Liberdade - quem encontrará o caminho de volta?
Se não matar esta saudade
as pessoas à beira da estrada
serão um vento de canções tristes.
Canções que me fazem caminhar
contrário à marcha do seu amor
e, quando não houver outra saída,
deixe-me morrer no seu coração.
Morte, tão solitário eu ando:
nem a morte acompanhando.
O Velho Vampiro
A noite é lar
Antro é a nossa casa
Onde tentamos nos esconder
Quando a verdade vaza.
Antro é este clarão
Que dizem significar dia
Ou um coração que não sabe
Quanta luz o sorriso irradia.
Somos homens perdidos
A miséria é uma canção que cantamos
Construímos nossa prisão
No palacete onde moramos.
Antro é a nossa casa
Nós somos seres perdidos da luz
A claridade é uma cegueira
Teu rosto - teu capuz.
Então, como dizer do sol 'Astro-Rei"
Se a lua vem alumiar o escuro
E não foge ao dia
Não usa escudo?
Antro é o medo do noturno
Eu o removo
E se apareço no teu quarto
É só alguém procurando sangue novo.
visto para a dor
Ela parou na fronteira do desejo.
Eu, por seguir sozinho,
Me precipitei logo adiante,
Por cometer o erro de amar,
O pecado de viver,
Por saber que
A vida sem amor
É o País-Morrer.
mal do exílio
O poeta é árvore do mundo
E sente-se um deus ao falar.
Eu sou poeta de mim mesmo
E conquistarei o universo
Através das palavras.
Mas tenho aqui minhas raízes,
Sentirei daqui muitas saudades
E, um dia, voltarei.
para quem quiser me seguir
Quantas repetições tem essa música?
Quantas vezes ela dirá eu te amo?
Será que estou fazendo perguntas demais?
Será?
Que horas são?
Ah, vamos fugir,
Este mundo é tão confuso!
Nem toda estrada conduz ao medo.
Deixe de contar os passos parada.
Vamos tentar o caminho em frente.
Bem, se errarmos a direção,
Então o vento nos dirá
Que o único caminho errado
É a dúvida.
Você quer descobrir isto comigo?
Quando dói
Toque meu corpo
Eu fecho os meus olhos
Para ter você;
Penetre na minha alma
E não me deixe fugir de olhos fechados
E sem você.
Eu posso esperar bastante tempo
Mas não resistirei a este momento
Quando você se for
Quando você se for
Quando você se for.
Eu rezei tanto por esse amor
Reguei o nosso jardim
Você vai deixá-lo morrer?
E eu tentarei cantar a canção
Mas, prometa dançar comigo
Até o poema te convencer.
Eu posso esperar até o fim
Pois a vida anoitecerá em mim
Quando você se for
Quando você se for
Quando você se for.
E resistirei a todas as batalhas
Mas terei um coração em migalhas
Quando você se for
Quando você se for
Quando você se for.
Comandante do Coração
Passageiro do tempo:
Como fosse o cometa- mistério,
Talvez, vindo de lugar nenhum,
Ele chega numa canção.
Acho que é só uma ilusão.
Habitante das estrelas:
Ele vai no tempo
À velocidade do vento;
Quando já não o sinto, pergunto:
Por que parte sempre e nunca vem?
Há pessoas que o esperam a vida inteira;
Ele volta de tempos em tempos!
Mercador de corações:
Eles busca as primaveras
E não se prende a nenhuma estação.
Dele, nunca se ouviu um adeus,
Simplesmente desaparece na luz.
Ele vende amor ao preço de sorriso.
Guardião do tempo:
Um 'highlander a cada instante.
Suas lembranças o tornam eterno
Como as horas de um relógio
No pulso de deus
Ou na parede dos céus.
O tempo deve parar quando ele chegar.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
segunda-feira, 2 de junho de 2014
CAMINHO-ERRADO
Eu creio que Deus exista,
Em algum lugar da eternidade.
Simplesmente não sei porquê acredito.
Talvez por não fazer sentido
Um ser com tantos poderes
Assistindo de longe ao Haiti.
Mas a essência do Universo está em coisas sem sentido.
Veja o amor:
Você crê e, por um breve instante,
Parece ser tudo. (tolice!)
Mas você busca o amor,
Luta todos os dias esperando um amanhã,
Então, acredite!
As pessoas cria mitos e eles se quebram:
Eu só acredito naquilo que a luta pode alcançar.
Não me fale de pragas apocalípticas:
Moléstia é a insatisfação e o comodismo,
A ansiedade e o medo desta geração,
Num jogo onde haja regras
E punição aos infratores,
Eu sou a chance de vencer.
Quando pronunciamos esperança demonstramos
Toda a angústia, ansiedade e desespero...
Eu ainda acredito nas pessoas:
Sempre deve haver outra chance,
Um motivo para pacificar a terra,
Por crer que Deus está do nosso lado,
Lutando dia após dia
Pelas coisas nas quais devemos acreditar.
Apatia
Ultimamente
Ando lendo mal
E escrevendo com preguiça
Como quem ama mal
Dorme mal
Come mal
E não se estressa
E não se enfurece
E não se rebela
Ainda trabalha
Ainda aceita
Ainda quer
Mas de má vontade.
domingo, 1 de junho de 2014
Males Líquidos
O copo intacto,
Cheio,
E cacos de uma vida inteira
No outro extremo
Do braço-tentáculo
- A garra que une as bocas
Do ser e da taça -
As duas bordas do abismo.
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