Nasceu iluminado
Pelas tochas de outro samba
Na senzala
E foi chicoteado
Tinha as pernas tortas bambas
A dor não cala
Não cala
Não cala
Nele só o ódio fala.
Então fala:
'Injustiça, Zé?
É assim que é
Sê o que se é
Não lhe falte fé,
Siga!
Decadência , Zé?
Mas fique de pé
Se é o que se é
E faltando fé,
Morra!'
Morreu pisoteado
Pelas notas de outro samba
Na favela
E foi amordaçado
Uma gente que só canta
Para revelar sequelas
Quem é ela?
Quem é ela?
É o que o ódio nos revela:
Decadência terrível do samba
("quero viver numa batucada de bamba...")
Decadência terrível do samba
("quero morrer numa batucada de bamba...")
Decadência terrível do samba




