Pierrot

Pierrot
la tristesse

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Decadência Terrível do Samba



Nasceu iluminado
Pelas tochas de outro samba
Na senzala
E foi chicoteado
Tinha as pernas tortas bambas
A dor não cala
Não cala
Não cala
Nele só o ódio fala.
Então fala:

'Injustiça, Zé?
É assim que é
Sê o que se é
Não lhe falte fé,
Siga!

Decadência , Zé?
Mas fique de pé
Se é o que se é
E faltando fé,
Morra!'


Morreu pisoteado
Pelas notas de outro samba
Na favela
E foi amordaçado
Uma gente que só canta
Para revelar sequelas
Quem é ela?
Quem é ela?
É o que o ódio nos revela:

Decadência terrível do samba

("quero viver numa batucada de bamba...")

Decadência terrível do samba

("quero morrer numa batucada de bamba...")

Decadência terrível do samba



Quem não conta a história


Ó glória maldita, maldita glória!
Não mereço e herói me fazes,
Tanta presunção me trazes,
E ficam as grandes lutas inglórias.

Quantos vi, guerreiros audazes:
Nobreza e coragem forjando sua trajetória,
Jamais atingindo o Panteão da história,
Abaixo um patamar de Vasco e Camões, estes incapazes!

A cada revolta que se levanta
Um novo covarde se agiganta.
Não ponho a culpa na mentira.

Nada mais me causa frenesi;
As verdades quando estiveram aqui
Também provocaram a minha ira.

Abracadabra


Para dizer 'eu te amo'
É preciso força, sobriedade;
É preciso sabedoria;
É preciso coragem;
E, acima de tudo,
Por serem palavras mágicas,
É imprescindível ser mágico!
Se não houver magia
O encantamento não surte efeito,
O amor jurado não tem validade.

Resistência heróica


Geralmente, quando acordamos,
vemos as coisas de todos os dias:
a cobiça, a fome e o ódio
de uma absurda guerra entre irmãos,
declarado massacre
aos que não podem lutar;
tudo conspirando contra os humildes.
E o caos que assola o mundo
um dia baterá à nossa porta,
como acordássemos de um sonho bom
e víssemos que na realidade
nada vale a pena;
mas continuamos tentando.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Solidão




ANDO SÓ.



A dança dos girassóis


Nascemos sós
Só seremos sóis
Se virarmos sóis

Nascemos sóis
Sós seremos
Se ficarmos sós

Nascemos sós
Só seremos sós
Se não virarmos sóis

GIRA GIRA SOL
SÓ GIRA SOL
SOL GIRA SÓ


Reportagem


A grande São José do Piauí!
Pequena cidade do sertão,
Cujo estado deve ter ficado óbvio,
Alguns quarteirões
Encravados na pedra
- Fim de mundo -
Para não dizer coisa pior!
E foi de lá,
Justamente de lá
Que dizem que ele provém.
Nascido também José,
Filho de Maria e José,
Casal de lavradores.
Codinominado Pantanal:
Falso poeta
Falso filósofo
Falso palhaço
Genuíno ator.

- Fingiiiiiiiiiido! - gritam ao fundo.

Passo em falso


Foi um amor ruim.
Graças ao bom Deus, acabou!
Não sei porque ainda me apego
A estas memórias
Do que não existiu.
Há uma vida para viver
E nem preciso contar os passos
Tão meticulosamente.
Não há como errar
Mais do que já me perdi
Neste bisonho episódio.
O amor não é assim
E eu deveria saber.

A Questão das Drogas


Deixemos de hipocrisia!
Ora, cada um tem o direito
De quebrar o próprio nariz.
Eu fiz o que quis.
Nada deu certo.
Mas isto foi a perfeição do meu ser.
Acho que o que imbeciliza e mata
A nossa juventude
É este imposição da moralidade.
Ainda bem que nos libertamos
Através do satanismo do heavy metal
De uma ditadura religiosa
Que nos empurrava garganta abaixo
Um cristo com coroa de espinhos
E uma cruz de braços longos,
Rasgando o nosso esôfago e a nossa fé.
Já basta de hipocrisia!

Pesadelo


Os meus sonhos amando você
Fizeram meu ego me perder:
Ninguém lembra que ama alguém
Enquanto está apunhalando outrem.

E sonhos são apenas sonhos!
Eu só precisava de um abrigo.

Os meus sonhos após você
São uma tentativa de me reerguer:
Troquei por uma insensatez alcólica
A tua lembrança, sempre melancólica.

Mas sonhos são apenas sonhos!
Você só precisava de um amigo.

E pelas sombras erramos e nos escondemos
E pelos abismos, sós, desde o princípio...
O nosso amor implorando que não o condenemos,
E nós, afastados pelo precipício, brindando ao desperdício.

Nós só precisamos um do outro
E estamos nos perdendo em sonhos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

migalhas misérrimas


Gastem suas vidas lastimando
Agarrados aos escombros do nada;
Suas existências parecem resumir-se a isto!
Eu preciso viver o outro lado,
A outra possibilidade, a outra estrada;
O que poderia ter existido,
O que poderia ser
Se eu não tivesse optado pelo que há;
Fazer do sonho e do concreto
Duas (paralelas) realidades
E assim, não sentir mais saudades
Do que não existiu,
Não viver das lembranças
Do que era
Ou do que deveria ser!

Cultura da Guerra


- As grandes nações
gastam suas grandes riquezas
fazendo guerras;

- Seus líderes precisam
de heróicos cadáveres
para realizar seus espetáculos funéreos;

- A ONU é condescendente
com as guerras e, ao final,
desfila soberana benevolência
sobre seus escombros e restos mortais;

- Eu sou o soldado
à espera da guerra,
sem ter pelo que lutar.

Um contra O Outro


Tentei esconder o meu sorriso
para não provocar a tua ira
mas não há como negar
que eu sou melhor do que você.
Lavei todas as minhas roupas
num dia frio
e enquanto espero o sol
saio por aí, discorrendo como criança;
sei que isto te enfurece;
você gostaria de me ver sujo
e chorando à larga...
Domingo eu estava no bar,
tomando cerveja
e contando piadas...
eu percebi quando você se retirou,
mordendo a língua.
Sei que você me deseja mal
Com dolo;
eu te desprezo apenas por instinto
e acho isto divertidíssimo.
Eu te diria algumas palavras
terríveis de se ouvir,
mas, pensando bem,
eu não mereço proferí-las

Heróica Horda


Mais um dia bizarro
Para nossas vidas terríveis!
Vamos, contemos as nossas mentiras,
Brindemos mais um cálice
Com o sangue daqueles
A quem matamos!
Construimos para nós mesmos
Um mundo de abismos;
Os nossos filhos
Herdarão o rancor
E os script`s das nossas farsas...
Há uma saída
E não queremos encontrá-la!





À espera de amor


foi pecado
pensar no teu corpo
e, com os olhos
tirar tua roupa
te recitar um livro in-fólio
duas palavras roucas
- te amo -
nesta febre intensa
em que te chamo
ardente, inconsequente
vem, é tempo de entrega!
o frisson
que faz dizer não
e não nega
pensar em ti, sentir calor
a fome e o perdão
fazer amor
eu ainda estou aqui
abre os olhos e vê
vês?
não desapareci.


Cazuza


Por poetar
para esta geração acomodada,
contaminou-se gravemente.
O poeta está morto!
Lembro de haver nos convocado
a um lugar
onde confabularíamos
para salvar o mundo,
mas estávamos ocupados demais
ensaiando para o próximo carnaval.
Era a sensatez
- razão e sensibilidade -
reduzida ao contubérnio
à roda boêmia dos hipócritas.
Nenhuma alma suportaria tanto!
O poeta está morto...
Morto e esquecido!

Um caminho para dois


Por onde andam teus pensamentos,
que a minha poesia alastrou-se de ti
e parece não me reconhecer mais
como o seu coordenador?

Por onde passeiam teus pés,
que os meus passos te seguem
a uma distância tão louca
que toco e não sinto,
que vejo e não está aqui?

Por onde voam teus sonhos
em noites estreladas e amenas,
que me vejo em campos enluarados,
abraçado ao teu corpo
e acordo ainda fora da realidade,
já sem você?

Para onde olham teus olhos,
que quando fechados em sonhos me veem
e, abertos diante de mim,
se perdem dos sonhos sem mais me ver?

Onde estamos nós
que somos dois
e não sabemos um do outro?

Hoje precisamos encontrar quem somos!


Sobressaltos


Ultimamente falo muito em sonhos.
Mas, o que eles são,
Se fujo deles
No meio da noite
E eles, de tão loucos,
Vagam e se perdem
Pela madrugada?
Eu tenho tédio da luz,
Fujo durante madrugas vazias,
Vejo o tempo passar impiedoso:
Nenhuma estrela me quer,
Nenhum pôr-de-sol me leva
E, Tentando morrer,
Com medo da escuridão,
Não me basta fechar os olhos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Conversa fortuita


Ah, que vontade de chorar!
Eu a vi chorando
E isto despertou a minha humanidade;
Depois, ela indo embora daquela forma
E esta confusão que ficou!
Uma parte de mim a ama;
Outra parte está muito magoada,
Considerando, friamente, toda a dor.
E, nas inúmeras partes
Que estão em mim,
Você conseguiu, a fundo,
Reabrir todas as feridas.

O amanhã que ansiamos


Dos futuros negros remontam lembranças
De guerras e horrores
Ansiedades e temores
Que nos deixaram como herança.

Como foram os precursores
Assim são tratadas as crianças
Alimentadas de ódio e esperanças
Educadas como futuros traidores.

Quis mudar o meu destino:
Não me permitiram ser menino
E não chegarei a ser homem...

E por mais que apanhe
Inda terão os netos da minha mãe
O futuro horrendo que tive ontem.

EPITÁFIO


JOSÉ FILHO DE SOUSA
PANTANAL

POETA
FILÓSOFO
PROFETA
ATOR E
PALHAÇO

VIVEU E AMOU.

AQUI NÃO JAZ O LEGADO DESTE HOMEM.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Almas Mortas



CAOS!
Esta poesia volátil e volúvel
Está nos mentindo
E queremos acreditar:
Usando armas para nos enganarmos,
Enquanto obedecemos a falsos valores
E os senhores do obscuro
Tramam contra a nossa cegueira
Em plena luz do dia.
Quem somos,
Fazemos questão de esquecer.
E, longe dos nossos corações
Estão os nossos espíritos
- Quem ansiamos ser!

Se existir amanhã


Hoje,
Quando a noite acabar,
Pode não haver amanhã.
Conta-me o que causou-te riso,
O que foi bom,
Ama-me o quanto puderes
Que o amanhã é um novo dia,
É para novos amores.

A plenos pulmões


Me conte uma estória nova.
Ponha fogo na sua casa
Com tudo dentro
E vem pra vida comigo.
Quando chegarmos a um lugar qualquer,
Vivendo de sonho e brisa,
Pensaremos num céu
Para sermos crianças.

Atemporalidades



SE SOU PASSAGEIRO,

QUE TODO O RESTO SEJA INFINITO.


O sozista


Tenho evitado andar sozinho
por qualquer estrada
por medo que a solidão siga os meus passos
e me faça pensar duas vezes,
hesitar e perder
o que SÓ eu posso ser.

Tenho evitado o frio
que traz febre à alma;
tenho ponderado sobre a confiança
que acarreta a soberba;
as dores da descrença;
a coragem irresponsável...

Só não tenho evitado você.
Só não tenho evitado a estrada.
SÓ tenho evitado o SÓ!

Tempo de esperar


Vai embora!
Hoje não tenho forças
Para me pôr de joelhos.
Ficarei de pé, imóvel,
Segurando a porta entreaberta,
E, como não tenho palavras nem argumentos
Para te convencer a ficar,
Vai embora!
Não esqueça das possibilidades
Que só eu posso te dar,
E, se conseguir interpretar
As virtudes destes gestos débeis,
Volte logo!


Uma Menina


Não importa que ela tenha apenas dezoito anos.
Ela está conseguindo brincar
Com o que restou da minha dúbia sanidade.
O último gole de café me acelerou...
Coca-cola... esta noite promete ser longa.
Não é a primeira
De tantas noites sem dormir...
Dor-de-cabeça... insegurança...
Espero que ela se divirta
Enquanto eu rezo
Para que tudo termine bem
Para nós dois e o mundo entre nós.
Eu devia sair de vez em quando;
Mas quem rezaria por mim?

PIERROT E ARLEQUIM

dois palhaços chorando no salão


- Encontrei-a num momento tal
Em que as lágrimas transformaram-se em carnaval.

chegou sem dizer nada
como se nada quisesse
e foi embora no meio da madrugada.

eu preciso dizer que a amo demais
e você tem que me dizer se...
ou que não pode mais!


- Encontrei-a e trouxe-me lástimas
E a minha alegria converteu-se em lágrimas.

mas o sentimento precisa ser vivido
para não se perder em si
e ser esquecido.

eu preciso dizer que a amo demais
e você tem que me dizer se...
ou que não adianta mais!


- Perdi-a num momento tal
Em que a dor fez passar meu carnaval.

rirá outrora.
já, senta e chora.

eu preciso dizer que a amo demais
e você tem que me dizer se...
ou que eu a deixe em paz!


- Perdi-a no fim de um carnaval
O salão parecia varrido por um vendaval.

nos tempos atuais
não se espera mais!

eu preciso dizer que a amo demais
e você tem que me dizer se...
ou que mal o meu amor te faz!


- Pintei com tantas tintas
Um sorriso na cara
E a pantomima acabou em cinzas.


- Pintei com tantas tintas
Um sorriso na cara
E a pantomima acabou em cinzas.