Pierrot

Pierrot
la tristesse

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

domingo, 19 de outubro de 2014

choro de palhaço

À menina do circo itinerante,
Que conheci em sonho.

Voltem sempre por aqui,
Neste mesmo horário:
Somos todos itinerantes!
O mundo gira, 
Com suas lonas azuis
E bilhões de palhaços.
Atores, poetas, filósofos:
Somos todos bufões!



Sagração




Observe as nuvens bailando neste céu primaveril
Eu não estou esperando o amor
Estive fechando contas comigo mesmo
Hoje, o dia nem tinha amanhecido
E já me parecia tarde para mudar
O que eu não fiz
Viu a lua ontem?
Lembrei-me de outras estações
Em outras paragens
Quando eu era sol e, talvez, nem soubesse
Fragmentos de um inverno
A solidão ao luar é um bálsamo
Com a noite emanando de dentro
E os sonhos em fora, sem braços abertos
Mas veja: é bom que as estações mudem
E é bom que estejamos onde estamos
Estamos sempre onde deixamos
As páginas em branco de um livro em aberto.



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Encruzilhadas



Nunca mais a poesia veio me visitar
Com seus licores de saudade,
Com sopros de livros abertos...
E fico aqui, sou apenas eu.
O poeta que esteve comigo
Até aqueles dias de convulsão
Parece adormecido dos Éteres
De uma ciência médica alquimista...
Nunca mais o poeta do hediondo
A angariar antipatias 
Dos que forcejavam contra mim,
Nunca mais!
Eu sou só a embriaguez dos licores sem saudade,
As febres que não matam nem passam;
Eu sou apenas o que inveja
Os que ainda sentem medo, e berram
Suas poesias covardes, mas ainda belas;
Eu sou apenas o que pensa e não escreve.
Tenho medo? O talento me abandonou?
Ou sou apenas biltre o suficiente
Para não sentir medo
E me refugiar em versos?
Nunca mais a poesia esteve aqui.
Ardia em mim um fogo de partir,
Me gela o horror de não estar
Onde os poemas clamam
Por um louco escrivinhador
Que, ou sou eu ou o poeta em mim.

E logo eu mudo...


Eu existo
Mas passei tanto tempo duvidando
Que o tempo
Esqueceu as páginas que escrevi
E, após eras
De um cansaço inócuo,
Eu já perdido de mim
Não reconheci
O ser vivo e novo
Se me mostrando ao espelho.
Sim, era eu!
Um eu que  sobreviveu a mim
E que o tempo
Ainda não domou:
Monstro sem toca,
Sem medo de ser bicho!

A somatória de todos os meus temores


O que eu mais temia em vida
Aconteceu na minha quase morte:
As pessoas me santificaram,
Começaram a obrar milagres por mim...
Quem eu sou, como penso,
O que falo e faço:
Tudo definido à revelia.
Agora, convalescido,
Descanso dos mortos.

fogo nas ruas




Antes do disparo
Verifique o calibre
A mira
A manutenção
Concentre-se
Se você errar
O tiro acerta
- Mortalmente -
Na volta!

FOGO E GELO


Fica acerca de mim:
Ao alcance
De um beijo ou de um tiro.

Anátima


Não me compreendes
Porque tens apenas uma alma.
Eu, não tenho nenhuma
Quando não me encontro
E tenho todas as almas
Quando me harmonizo com os outros,
Tenho todas as almas
Plenas
Em todas as suas instâncias.

Vivo


Humano que sou,
Vivo todas as minhas possibilidades humanas
A plenos pulmões.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

não perturbe


Não gosto de me exibir
Para câmeras, pessoas,
Em público.
Gosto de me exibir para mim,
Sozinho, em casa, 
Cantar no banheiro,
Dançando, 
Representando ao espelho,
Jogo de sombras, 
Sob o aplauso
De uma plateia imaginária, 
De pessoas especiais,
Sob o pasmo da crítica:
Em todas as mídias
Contra todas as mídias.

consciência


Eu sou o relâmpago
Que corta os céus
De oriente a ocidente,
Eu sou o trovão
Que faz estremecer os montes,
Eu sou a estrela
Que abrasará a terra
E, se a tua alma
Só reconhece Bem e Mal,
Eu sou o Demônio
Que o levará
Ao fogo do Inferno!


Pantomima Insana


Os opostos se atraem para logo se repelirem.
Os afins se associam, inexoravelmente:
O omisso com o omisso
Pela covardia;
O mentiroso com o mentiroso
Para difundir a ideologia;
O ladrão com o ladrão 
Para formar o partido;
O facínora com o facínora
Para praticar o crime hediondo;
O medroso com o medroso
Para se esconderem juntos;
O triste com o triste
Para se lamentarem;
O bêbado com o bêbado
Para caírem na rua; 
O morto com o morto
Para se enterrarem;
O belicoso com o belicoso
Para a guerra mútua;
O louco com o louco
Para montar o hospício;
O manco com o manco 
Para tropeçarem;
O tosco com o tosco
Para suportar os risos;
E tu comigo
para resistirmos a todos os outros.

Praga


Espero que suguem o sangue
Contaminado de algum poeta
E morram bem rápido
Sofrendo mutações horríveis.

Girassol


Estar perto de alguém
Que me basta por si só...
Quero sugar todo teu mel,
Todo teu néctar,
Até que tu existas, 
Em toda a tua essência,
Apenas dentro de mim.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

alma lavada


Quando chove
E se fica isolado
Olhando o entorno...
Quando se chove
E a chuva parece lavar
A lama sobre a razão...
Quando a chuva 
É o próprio escudo 
Contra o que vem de dentro
E fora já não é mais nada
Do que se fez um dia...
A chuva traz um mistério
Do ser e do saber
O que não nos interessa mais.
Deixa chover!
Deixa esquecer!
O mal que existe em tudo
É só o que lembramos.


Bipolaridade





De repente,
Assim, sem anúncio,
A felicidade me invadiu a casa
E eu só queria
Te dizer olá
Com esta alma nova.




Ontem eu tive medo


Coisa sem juízo
Mundo sem rumo
Ontem eu não entrei em casa
Acho que tive medo.

A Fernando Pessoa Ultrarromântico


Eu não sou nada,
Eu não quero nada
E, encerrando em dentro
Todos os seres e quereres do mundo,
Eu me pergunto
O que é este NADA, 
E me ufano de ser 
Esta 
Incógnita.

sábado, 4 de outubro de 2014

Sobre pérolas e porcos


Se é para atirar aos porcos

Para que o sacrifício das pérolas?

Luz no Pântano


Me deem uns abraços,
Um pouco de compreensão humana,
Promessas de amor:
Joguei fora barbitúricos,
Calmantes, estimulantes,
Psicotrópicos, antidepressivos...
Joguei fora os rótulos,
Os conteúdos, os significados,
Os efeitos e as causas...
Ah, os polivitamínicos também.
Chega!
Resolvi poupar a minha vida!