Negros dizem que é coisa de branco, Brancos dizem que é coisa de negros; Ricos, que é coisa de pobre, Pobre diz que é de burguês; Fascista relaciona com comunista, Comunista relaciona com fascista; Analfabeto acusa catedrático, Catedrático só vai ao Louvre; Pais acusam professores, Professores não têm voz nem vez, E tem professores que acusam estudantes, também; Religiosos e ateus encontraram um novo campo de batalha; Até mendigos e "realeza" descobriram incompatibilidades... E a farândola segue em ziguezague. Enquanto isso, A ignorância bate em todas as portas, Com tochas nas mãos.
A tirania é o auge da mediocridade, O cavaleiro tão bestial quanto a montaria, Que não responde com argumentos, Mas relincha, mostra-se fera o covarde, E mente, vomitando o moralismo dos hipócritas, E finge-se deus, e aclamam-lhe deus - O nada no Real - Arrebanhando legiões de tolos Que mentem o que são e o que sentem Porque não são nem sentem: Zumbis, numa sociedade de mortos-vivos. Canalha a ensinar sacripantas, Cego a guiar míopes: Nem um nem outros enxergam a si, Negam e engendram A ignorância que zomba do saber Quando o desastre salta do limbo para a História Desfraldando uma bandeira de ódio e hipocrisia Com seu macabro lema: "Ame-o ou deixe-o!" OU "Lasciati ogni speranza voi ch`entrate!"
A menos que o mundo acabe - Este refutável catastrófico extremo - O amanhã virá! O amanhã não é um talvez, Mas nós poderemos não estar aqui, Não sentir o que sentimos hoje, Trilharmos ideias e caminhos opostos... Nossas vidas no amanhã são um 'talvez' E, talvez, o nosso maior engano esperar.
O mal menor, De tanto existir, Já é o maior mal que existe. Lá, nos palácios e congressos, Estão preparando fogueiras e balas Para livros e autores. Escreveremos poesias de amianto E à prova de chumbo à espera do desastre. Só o desastre nos comoverá e nos moverá? A higienização nos livrará de todos eles, Até se livrar de nós, Até se livrar de tudo, Até só restar a sujeira E a sujeira se perder com o vento? O mal menor, De tanto insistir, Já é o mal em si.
ainda trago em minha boca o gosto do teu mais profundo néctar. é algo assim entre a mais doce lembrança e a maior felicidade possível. ... ah, esta saudade por aperitivo!... não, não! deixemos a saudade para depois de tudo! deixemos a saudade para depois do nosso eterno banquete de sonhos realizados. gosto de você, ainda que você não goste.
Não peço Que pense Como eu. Todos temos Nossas loucuras; Cada qual Com a sua. Só peço Que pense Por si. O que penso É a minha Loucura Querendo se tornar Real.
Poesias são quadros Coloridos com tintas imaginárias Impressos n`alma Pintou poema? Não retoques! Deixe a cada sentimento O completá-lo O completar-se O poeta pinta quadros que sentem