terça-feira, 29 de dezembro de 2015
DEUS DO NADA
Eu, poeta,
Por vezes escrevo de estalo,
A susto, em transe,
Sem me dar por isso.
A genialidade fica por conta de quem lê.
São estas pessoas poetisas e poetas;
Eu não!
Aí me proclamam tradutor disto e daquilo,
Representante de... sensível a...
E, orgulhoso, aceito.
Assim nascem gênios, heróis,
Santos, mártires:
Deuses do Vazio!
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Olhos de Pedra
O anjo que enviaram-me
Anda sempre comigo.
Ele também estava só:
É o anjo da solidão,
O único que aceitou ser guardião
Do eremita em mim.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
DESORGANIZAÇÃO VOCABULAR
"Eu me organizando posso desorganizar.
Eu desorganizando posso me organizar."
Da Lama ao Caos, Chico Science.
Estudantes de são Paulo
Exigem
Não serem chamadas/chamados
Alunas/alunos,
Pois demonstraram
Muita
LUcideZ
Ante as mazelas Institucionais.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
A Dança dos Anos
A Quéli Nascif,
pela passagem de seus anos.
Vive em paz com os teus anos.
O tempo é neutro:
Nem aliado, nem inimigo.
Agora, o vento é terrível:
O vento renova,
Remolda,
Move e remove;
O vento dissolve
O que não se move.
pela passagem de seus anos.
Vive em paz com os teus anos.
O tempo é neutro:
Nem aliado, nem inimigo.
Agora, o vento é terrível:
O vento renova,
Remolda,
Move e remove;
O vento dissolve
O que não se move.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
açúcar e afagos
"Faz isso, não,
Que não respondo por mim..."
Não digo o mesmo:
Seja lá o que "isso" for,
Você já fez.
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
A loucura da sanidade
Sempre instam-me
Como tornei-me poeta.
Não sei.
Isto não tem importância.
O que realmente intriga-me
É o existir pessoas
Que leem e escrevem
E não lerem nem escreverem
Poesias
O tempo todo,
Não tornarem-se poetas,
Tão poetas quanto eu.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Na Trajetória de Apófis
Embora vivamos
Numa época de manadas
E as redes sociais
Sejam o grande bebedouro coletivo
Onde todos vêm dar
Antes do matadouro,
Houve uma era de dinossauros
E havia uma gama incontável
De espécimens...
Ainda hoje,
Se descobrem exemplares novos,
Um mais antigo que o outro.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Sangue nas Ventas
REVOLTA AFRO-TUPI
A TABA-QUILOMBO
A RESERVA-FAVELA
INDIGNADAS.
CADA VAGÃO DE TREM
CADA UNIDADE DE ÔNIBUS
É UM PORÃO
DE NAVIO-NEGREIRO
UM CATRE DE MASMORRA.
CADA LINHA DE MONTAGEM
CADA DEPENDÊNCIA DE EMPREGADA
É UM EITO
UMA MISSÃO
UMA MISSÃO
UM PELOURINHO
COM TODAS AS TONALIDADES DE PELE
GENTE DE TODAS AS ETNIAS.
robôs
Um fronte em cada rua.
No campo de batalha,
O soldado transmuda de guerreiro
Em ladrão, assassino, estuprador.
ARMADA,
Toda força é covardia.
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Insurreto Ressurreto
Eu quis mentir para mim mesmo.
Mas, tão entorpecido,
Acabei pensando a verdade.
Negros, Índios, Brancos...
Quem sou eu no Brasil?
Produto e consumidor, poeta e bárbaro,
Trago estampado n`alma
Um deus que me joga sobre os ombros
Uma cruz que ele mesmo criou
Para sua própria maldição.
Não posso amar porque o amor aprisiona
Quando deveria libertar;
Não posso odiar, pois o ódio liberta
E a liberdade é condenável.
Eu não posso nada!
Só ajoelhar.
Entretanto, prefiro morrer a dobrar os joelhos
Depois de vencer a mim mesmo
Na mais dura de todas as batalhas.
Venci o que eu era e deus morreu
Pois só existia nas mentiras que contei
Coa finalidade de agradar aos outros,
E os outros já estavam mortos!
Agora, só preciso ressuscitar-me para mim
E mudar o pouco que restou de mundo.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
indiferença
"por que você me quer assim:
triste e traiçoeiro,
se posso dividir meu corpo e meu amor?..."
Otto - por que?
Eu sonhei com um amor...
Mas sabe como são os sonhos de um perdedor.
No dia seguinte,
Lágrimas, solidão e versos confusos.
Era uma mulher, menina, um anjo?
Eu era um menino, homem, um monstro?
Que importa?
Ela me trocaria por qualquer roupa,
Pose, palavras toscas;
Outros me condenariam e eu choraria
Por ser poeta e não dizer palavras mágicas,
Por não poetizar um novo Universo,
Tendo cadernos cheios de um amor
Que escrevo e não recito,
Tendo o peito transbordante de uns sentimentos que,
De tão nobres me demonizam
Num mundo de negócios mesquinhos.
A dor fica comigo, não dou aos outros,
E eles a condenam em mim,
Menino,
A quem chamam poeta
E a quem não é permitido amar.
triste e traiçoeiro,
se posso dividir meu corpo e meu amor?..."
Otto - por que?
Eu sonhei com um amor...
Mas sabe como são os sonhos de um perdedor.
No dia seguinte,
Lágrimas, solidão e versos confusos.
Era uma mulher, menina, um anjo?
Eu era um menino, homem, um monstro?
Que importa?
Ela me trocaria por qualquer roupa,
Pose, palavras toscas;
Outros me condenariam e eu choraria
Por ser poeta e não dizer palavras mágicas,
Por não poetizar um novo Universo,
Tendo cadernos cheios de um amor
Que escrevo e não recito,
Tendo o peito transbordante de uns sentimentos que,
De tão nobres me demonizam
Num mundo de negócios mesquinhos.
A dor fica comigo, não dou aos outros,
E eles a condenam em mim,
Menino,
A quem chamam poeta
E a quem não é permitido amar.
Identificação
Nome José
Profissão José
Time de futebol José
Partido José
Religião José
Representante de si mesmo.
Outra Edição
"Inscreva-se no festival de poesias."
- Eu sou um poeta,
Não um atleta!
"Dá muita visibilidade."
- Eu sou um poeta,
Não um pavão!
"O prêmio é bom."
- Eu sou um poeta,
Não um michê!
E se citares mais algum atrativo
Desta pouca vergonha,
Esquecerei que sou um poeta,
Não um bárbaro!
O livro do destino
Este é o livro do destino
O meu destino
Escrevo nele a cada pensamento
A cada sentimento
A cada ação
A cada experiência
O escrevo e o reescrevo
A cada dia, incessantemente.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
institucionalização da fé
De certo que precisamos
De uma determinada dose de ilusão.
Mas, não tomemos o frasco inteiro,
De uma só tragada:
Em excesso,
Veneno também mata!
![]() |
| presidente de Botsuana deporta pastor evangélico americano que defende assassinato de LGBT`s. |
https://www.youtube.com/results?search_query=retratos+da+f%C3%A9
Infinitivo
Por rancor ou remorso
Ela estar lá
Eu estar lá
Sem movimento
Sem vida, sem sentir
Sem flexionar o verbo estar
Vivo, logo existo
Talvez eu não saiba o que é a vida.
Se souber, só o sei para mim.
Não poderia te explicar.
Eu vivo a plenos pulmões,
E pode ser que o significado da vida
Seja revelado neste contexto.
Provar tudo com a boca,
Ver, tocar, ouvir, cheirar;
Deitar na cama e chafurdar na lama,
Viver cada segundo:
Amar, arriscar, se ferir até...
E morrer... no fim.
Sim, isto é a vida!
Morrer, também!
Mas, nunca antes do fim.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
bon apetit
Pode trazer mal passada
carne dura
com osso
pau
pedra
pão seco
ódio
ignorância
hipocrisia
água de esgoto
não há nada
que os meus dentes
não rasguem
ou triturem
que o meu estômago
não digira
a tudo eu como
vomito
cago
mijo
e vou me nutrindo
Pedacogito, o poema
onde houver fé, que eu leve a dúvida.
Marcondes Falcão Maia.
VERBO VIVO,
SUJEITO MORTO?
Verdade que o
Verbo dá
Voz a
Você, mas é
Você que dá
Vida ao
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Átomos em pó
Somos poeira de estrelas
E, quando o sol nos tragar,
Redistribuirá nossas partículas
E formará Vida em outras Galáxias,
Formará outras Galáxias,
E o ciclo da Vida seguirá...
Mas o que conhecemos,
Esta consciência das coisas,
Estas coisas,
Nunca mais;
Não somos tão indispensáveis
Como presumimos!
Viva para Sempre
Se não há outra existência
E esta vida é uma clausura,
O que nos resta senão
Romper as grades
E viver o Sonho,
A Liberdade, o Amor,
A loucura?!
guerra total
Eu sou a essência da guerra.
Mato e morro
A um só golpe,
Com a mesma lâmina.
Destilo tempo e veneno,
Por isso,
Mantenho distância de quem amo:
Eu sou um senhor da guerra
Que gosta de crianças.
LIBERDADE SEM IMPOSTOS
Estou acorrentado à poesia
E ela,
Por fazer-me seu Instrumento,
Confere-me Liberdade Total.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Searas férteis
Ando recomendando Jenyffer Nascimento
Uma negra poesia
Não feminista
Mais voltada à mulher
A minha poesia
Fala de mim
E eu sou macho!
Talvez
Um tipo mais cosmopolita
Talvez
Um tipo mais homopolita.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Entre um tiro e outro, um poema
Nas trincheiras também há dias de paz!
Sem segurança alimentar
E habitacional para escrever.
Preciso de um pouco de paz,
Solidão e silêncio.
Barricadas caem...
Sempre escrevo de trincheiras,
Sob ataque:
Os ossos expostos na fratura,
O sangue ainda jorrando
Das feridas que não saram...
Sem trégua para passar a limpo.
Nas trincheiras também há dias de paz?
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Sarau Sangrento
As notícias que espero
Não vêm pelos jornais.
Me dê notícias deste tempo
Sem Auchwits nem poesia,
Com um campo de extermínio
Em cada casa, em cada esquina;
Tempo em que poetas
Não mais são mortos
Porque vendem
E o saber reside em palácios
Com portarias eletrônicas
E guardas armados
- A maioria ignorante -
Protegendo o privilégio de uma minoria
Ou aceite que tempo é tempo
E há tempo
Para os que não têm tempo,
E se exaurem
Enquanto destilo meu tempo
Pacientemente;
E eu te falarei do que não sei,
Do amor que nem existe,
Das flores que não colhi,
Do que não tenho,
Do meu pensar em nada
Com uma autoridade
Que não conseguiria explicar,
Com uma gravidade sem importância
Para o que é menos grave
E tão importante.
alma de poliuretano
Enchi os pulmões de ar,
Soprei em todas as direções
Amores tóxicos,
Dióxidos de sonhos
E outras maldades de alma.
Sinto-me verdadeiramente peçonhento.
Hoje sim,
Se eu tivesse uma bomba!...
Monotema
"Diabólico" mesmo é matar no jovem
O seu amor pela vida,
Pela liberdade;
A sua vontade de mudar,
De transgredir;
A sua rebeldia enquanto tem sonhos,
E forças;
Acalmar seu ímpeto,
Sua impulsividade;
Anular sua curiosidade pelo novo,
Seu asco pela monotonia,
Sua adequação ao acaso.
Precisamos dos jovens vivos
Ou morreremos de monotemia:
A monotonia monotemática!
engula os soluços!
o choro é livre
pela simples razão
de não ajudar em nada
em pouco tempo
embaça a visão
embota o pensamento
confunde sentidos e sentimentos
e nada se resolve
Uma pedra...
Era uma vez Drummond, poeta,
E pichou na vida de muita gente,
Aí, morreu,
Ganhou reedições póstumas,
Virou cédula,
Estátua,
Livros didáticos ideológicos...
Que desgraça... quanta hipocrisia!
E agora, Drummond?
Era isto que você tanto procurava?
Ah, Drummond,
Os poetas também se vendem!
sábado, 5 de setembro de 2015
pandemônio
Como, o que é normal
Na vida de qualquer pessoa
Torna-se um escarcéu
Em minha vida
E abala a minha filosofia,
A minha ciência, a minha arte,
E nada se resolve!?
manhã de circo
Contemplei a imagem absurda
Do louco poeta
Arrastando um machado,
Com seu sorriso sinistro.
- "Ah, o machado?
Eu quero rachar as cabeças dos meus
E enfiar um pouco
De todas as belezas conhecidas,
De todos os sonhos mais tolos,
E música, toda música.
Ah, abrir cabeças!
Matar, sim,
Mas para que vivam!"
Fábulas reescritas
No silêncio do meu quarto - escrever.
Ler um livro louco,
Matar pernilongos enquanto sonho.
Um anjo-menino veio me despertar
De um torpor azul.
A minha juventude envelheceu comigo,
Fez-se eterna,
Infinita,
E seu tempo chegou novamente.
O relógio que eu tinha - passou -
Virou sol
E cada hora
É inédita e renovada;
O cansaço dos outros se esqueceu de mim
E eu sou só eu:
Fora do tempo, do espaço;
Sou tudo que há em mim,
Buscando outra embriaguez,
Um cigarro - princípio-ativo de morte -
E um caderno, como redenção.
Ela no jardim
Tinha que fechar os olhos,
Eu quis ver;
Era se deixar levar...
Talvez eu tenha estragado a magia.
Voltar atrás pé ante pé.
Mas já passou.
Deixar o tempo pintar seus quadros.
Traz a tua solidão:
Algo para dividir comigo!
Quando não puder mais ver,
Abrir os olhos
Onde os cegos não tropeçam,
Mas doam esmolas e bengalas,
Sem ver a quem.
Setembro
Tem sol lá fora,
O céu tão claro!
Amar contigo é algo bom!
Ainda hoje,
As manhãs têm mais brilho,
As estações são suaves, sutis:
Basta invocar a tua lembrança.
Última canção da estrada
Já estava tudo acabado
quando você veio me falar
de coisas que não entendo...
e nem precisava...
bastava você ir embora...
e você se foi.
Depois daquela festa,
passaram a indagar
se eu estava fora de mim...
e eu havia saído um pouco,
não pude mais dividir-me contigo:
era isto ou pertencer a ti...
e era preciso ser meu
A tese do barro
Ainda bem que não estagnei!
E, de cada lugar onde estive,
Trouxe um naco de terra nova
E, todos estes pedaços
Formam
O Todo em Mim.
A maioria é o inferno
Eles já me proibiram de pensar.
Me prenderam numa teia do impossível
Onde toda a realidade é horrível,
De onde ninguém poderia escapar.
Eles já me proibiram de sair,
Me proibiram de olhar pela janela:
"Se a liberdade é assim tão bela
Por que não o vem assistir?"
Eles já me proibiram de sonhar
Alegando que as crianças crescem em paz
E que tantas desgraças traz
As Histórias que tenho para contar.
Eles já me proibiram de amar!
Foi então que eu fugi e combati!
Não sei se o inferno é aqui,
Mas é inferno querer me limitar!
O Escrivinhador Maluco
Senhor Escrivinhador, senhor escrevinhador,
Foi você que criou este abismo de niilismo?
Como pôde ser tão envenenador?
Senhor Contador de Histórias,
Você disse a verdade
Quando se declarou hipócrita?
Eu vejo você andando a esmo
Com estes cadernos nas mãos.
Você cometeu o crime santo
E condenou a si mesmo?
Senhor Corruptor de sonhos,
Foi você que ensinou a acreditar
E transformou o futuro num lugar medonho?
Senhor Enganador de crianças,
Foi a poesia em sua lira
Que mudou em morte a esperança?
Eu vejo você sonhando ciências
Que trarão a felicidade para todos.
Será isto outra mentira?
Como é fácil lesar uma raça de tolos!
Mas, eu estou apenas perguntando.
Era seu o poder de escrever.
por que não acabou quando estava acabando?
Bem, eu nem sei se quero saber!
deixa acontecer
Um torce por um afago,
O outro quer o diálogo.
Digo que te quero sim
E você se perde de mim
Como se não quisesse nada.
Um novo amor te pegou, e ficou afim
Deste outro desejo e do estopim
E fumou tudo numa só tragada.
Mas, sempre estamos indo embora.
Deixa a porta entreaberta, por hora
Depois cerra, e joga a chave fora!
Acho que cansamos desta estória.
Periferia - Cidade e Selva
No gueto,
A realidade é cinza...
E turva...
Os olhos e o espírito.
Quer conhecer?
Está convidadx,
Ou melhor,
Desafiadx.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
UNIDADE
Aos manos Júnior, Rafael, Rattü
e à mana Dara Santos.
Às vezes caio, indiscutivelmente!
Mas a minha fortaleza prevalece:
Monstruosa, imponente, inexpugnável!
Às vezes a minha armadura se esfacela!
E eu, saído dela,
Sou o mais titânico
E incólume dos guerreiros!
Às vezes tudo rui,
E eu desmorono junto!
Mas os aliados
Me recolocam de volta
À luta!
É que nunca luto sozinho:
Tenho a meu favor
As fortalezas, as armaduras e o apoio
Dos que se entrincheiram comigo,
Dos creem no que creio,
Dos que caem e sou barricada
E nos ajudamos a continuar!
e à mana Dara Santos.
Às vezes caio, indiscutivelmente!
Mas a minha fortaleza prevalece:
Monstruosa, imponente, inexpugnável!
Às vezes a minha armadura se esfacela!
E eu, saído dela,
Sou o mais titânico
E incólume dos guerreiros!
Às vezes tudo rui,
E eu desmorono junto!
Mas os aliados
Me recolocam de volta
À luta!
É que nunca luto sozinho:
Tenho a meu favor
As fortalezas, as armaduras e o apoio
Dos que se entrincheiram comigo,
Dos creem no que creio,
Dos que caem e sou barricada
E nos ajudamos a continuar!
DESCONCERTO
Enquanto estive fora
Houve um outono no meu quintal.
Nunca torci tanto pelo fim de um verão.
Outono...
- o dia escurece mais cedo -
Como um dia
Ela foi em mim.
Suicidar...
- labor solitário -
Viver por nada
Morrer por ninguém
Será este um fim?
Vim falar de amor
Mas ela deve ter
Coisa mais importante a ouvir.
Não me ama? - perguntei-me.
Não, nem deve ser isso...
vivos-mortos
Os mortos
Gozam
A liberdade de não-ser.
Os vivos
Sofrem
De solidão,
Mas são recompensados
Pelo esquecimento.
Quando perdemos
Alguém ainda vivo,
Nem liberdade,
Nem esquecimento;
Só solidão,
Só sofrimento.
sábado, 29 de agosto de 2015
Lei do Engano
A Menina Curiosa que perguntava
O porquê das coisas
Chegou a um impositivo
"Porque sim!"
E alguém a anulou,
Convencendo-a
De que isto é resposta para tudo!
Cuidado, Menina Malograda,
Os enganos
Sempre são cobrados muito caros!
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Espera
O telefone toca.
Se fosse ela ,
Quebraria a minha solidão.
Mas, não juremos amor pelo telefone.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
terça-feira, 11 de agosto de 2015
A luta de cada dia
"Senhor Escrivinhador, cuidado,
A próxima cabeça a rolar
Pode ser a sua!"
E, quando tudo parecia pior,
Piorou ainda mais.
Desistir?
Não!
Mas levei as mãos à cabeça
E fiquei esperando o desastre.
Parece que o impossível
Me aconteceu novamente.
E cá estou,
Contando estórias,
Pronto para a próxima.
perdão de sangue
Quer na bonança,
Quer na adversidade,
Sigo em frente;
Sou sujeito da ativa!
Sinto que,
Mesmo havendo paz lá fora,
Há uma guerra aqui dentro
E, ferido como uma fera,
Disparo em quem está mais perto
E acabo ferindo a quem amo.
Preciso resolver esta situação.
Isto está me pondo de joelhos
E de joelhos
Não se vai a lugar algum!
Buraco de Minhoca
Eu sou a essência do Universo!
Encerro em dentro
O bem em si e o mal em si,
Juntos,
Turbilhonando,
Convulsionando
Intríseca e concomitantemente.
Tudo no Universo à minha volta
Gira em torno dos meus conhecimentos,
Ideias, sentimentos e ações;
E eu nem sabia.
Presságio
Pelo quanto a minha cabeça dói,
Ou terei uma ideia genialíssima,
Ou precisarei de analgésicos para dormir.
O fato é que estou na luta novamente
E, seja lá o que for,
Lá vou eu;
Eu não desisto de Mim!
Recompensa
Eu entendi que,
Quando o amor se desfaz
A culpa não é,
Necessariamente,
Do outro,
E aprendi a esquecer.
Um Novo Dia
Disse aos meninos
Para não brincarem de soldados...
Mas os adultos são teimosos:
Mar de gente,
Boiada errante, a esmo;
Se choca fácil,
Se comove, mas não se move.
É preciso abrir os olhos
E deixar o resto exposto ao vento,
Um novo vento,
Outro que sopre numa direção nova
E criar um novo sonho!
Morte Cerebral
Num mundo sem perspectivas,
Eu me tornei um dinossauro.
Acho que acordei tarde demais!
E sinto cada milímetro de veneno
Descendo pelo corpo
Acordado
Como uma operação sem morfina
E a revolta do meu corpo
Tentando se emancipar de mim.
Queria que você estivesse aqui.
Não me deixe sozinho,
Sentindo a sua falta,
Relembrando que lhe dedico respeito,
Carinho e admiração;
Que quero estar perto de ti,
O tempo todo...
Antes que eu me apaixone!
sexta-feira, 17 de julho de 2015
... E CHOREI JULGANDO QUE NINGUÉM ME OUVIA.
Se não sabes dizer quem és,
Ao menos diga-me quem sou eu.
Como sabes aonde vão teus pés
Esquecendo os passos que já deu?
Sito-me como estivesse morto,
Enterrado antes da hora
Ou digo: muito prazer, seu moço,
Eu te faço qualquer coisa agora...
Eu já sei quem sou.
Eu sou aquele que pergunta:
Quem diabos eu sou?
Um Guerreiro Merece Inimigos Honrados!
Certa vez, tive a ingênua concepção
De que o inimigo
Era aquele que se lhe declara assim;
E criam-se ódios mútuos;
O que ele gosta, você passa a combater,
Ainda que ame;
E o que ele odeia, você ama,
Ainda que lhe seja insuportável.
Ah, como é cruel lutar contra os seus,
Quando o inimigo são os que o ombreiam,
Indignos mesmo de serem combatidos!
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