Pierrot

Pierrot
la tristesse

sábado, 31 de março de 2018

Norte


Eu era só
Alguém perdido
Até você
Aparecer.
Agora
Sou alguém
Procurando redenção.

Esse teu olhar



Você está me olhando
Novamente assim,
Com esse teu olhar
Que parece me enxergar a essência
Através da matéria.
Quando olhado assim,
Me sinto amado, cuidado,
E não sinto mais a solidão do mundo
Pesando sobre mim.
Tua boca não diz,
Mas esse teu olhar
É a tua forma de me dizer
“Eu te amo.”
Enquanto calas e foges
Da minha reciprocidade.

O pesadelo da perseguição


Até os sonhos
Que correm pelos guetos,
A polícia tenta matar.

Feira da Poesia



Deuses, como Putas,
Vendem quando dão.
Poetas
Eram a única classe
Que dava de graça.
Então,
Com seu poder ilimitado
De criação, criou-se
O sarau patrocinado e o slam
- Balcões de poesias -
Poetamos como quem
Se prostitui.
E tornamo-nos deuses!
E, como tais, cobramos
Até pelo que não fazemos.
O capitalismo materializou
Os deuses nos poetas;
Ou ainda,
O mercenarismo
Dos poetas capitalistas
Eterizou-nos em deuses.
E exigimos adoração
Por esta abjeção
Que fizemos de nós:
Um saldão
Com a inscrição:

Vende-se
A qualquer preço.



segunda-feira, 26 de março de 2018

Almas Perecíveis


O capitalismo selvagem
Mudou
A aldeia global humana
- Da troca de conhecimentos,
Ideias, experiências... e vida -
Em livre mercado
- Da circulação de mercadorias,
Produção e consumo de supérfluos,
Do comércio de Humanidades,
Ou desumanidades -
Uma nova fase
Da escravidão da posse
Como senzala e tronco,
Do pensamento-linha-de-montagem,
Do homem-robô-lixo,
Da alma de poliuretano
Perecível:

Escravo-sabe-se-lá-de-quem!
Feitor-de-si-mesmo!

Efeito Você


A solidão
Foi
A minha melhor
Companhia
Até você
Tomar o seu lugar.
Agora,
Me apavora 
Como nenhum
Outro mal
Havia feito antes:
É feito você
Efeito você.