O Poeta
É Apenas Um Ser
Com Toda A Sua Gama
De Infinitas Possibilidades De
SER
E NÃO SER.
poesia marginal
O Poeta
É Apenas Um Ser
Com Toda A Sua Gama
De Infinitas Possibilidades De
SER
E NÃO SER.
Discutir filosofia, política e artes
Aos socos e pontapés
Ou comendo farinha seca
É um tanto obscurecedor.
A minha alma
Tem altos relevos
Profundos sulcos
Planícies estéreis
Chuvas tempestuosas
Ventos de solidão
- Depressões -
Uma quinta Estação
Onde Tempo e Temperatura
São Relativos.
Quando escrevi
Última Canção de Dezembro
Sonhei jamais escrever
Canto de Solidão
Canto de Desamparo
Mas sabe como são
Os Sonhos de um Triste
Hoje, restam-me
Esta Solidão
Este Desamparo
E Eu Cantar
Descolonize
Descristianize
Descapitalize
Desnazifique
Os mundos
As vidas
As ontologias
Proletários do mundo, uni-vos!
E, lutando contra o dragão genocida capitalista,
Anarquizando-o e barbarizando-o,
Humanizai-vos;
Levantai-vos;
TEMPOS TENEBROSOS SÃO TEMPOS DE LUTAS!
Não somos servos
Escravos
Subordinados
Propriedades de ninguém!
Não somos senhores
Mestres
Reis
Donos de nada!
Somos Pares
Numa sociedade desigual
Párias
Numa sociedade desumana
Nadas
Numa sociedade monetarizada!
A sociedade nos degenerou
Em roubos e posses e coisas
Nos desmundou ao colonizar-nos
Nos barbarizou ao classificar-nos
Nos assassinou ao capitalizar-nos:
A sociedade é o 'Lobo do Homem'!
Já ao dia,
Era uma verdade turva.
Aí, vem a noite
Lançar novas escuridões
Aos meus olhos de poeta louco.
A exemplo de Edward Hooper,
Eu sou um cantador de solidões,
Vivendo em silente agonia,
Numa solidão desamparada,
Cujos cantares
Eu não sei desabrochar.
Direi que a amo todos os dias.
Se ela não me der ouvidos,
Direi a mim mesmo,
Não carregarei por epitáfio
Este "devia ter...":
A amarei por mim mesmo,
Amarei a minha solidão por ela.
Quem resgata alguém à solidão
Nunca mais será sozinho.
Eu sigo como um acúmulo
De ansiedades e frustrações.