sexta-feira, 19 de julho de 2013
Assalto
Pode me matar, se quiser.
Não tenho dinheiro,
Não recebi nos últimos dois empregos;
Não repus ainda as minhas roupas velhas
Doadas, involuntariamente,
Para a caridade;
Os meus sapatos rotos estão furados
E, ainda bem que não fumo,
Pois não tenho cigarros:
Já fui roubado pelo meu país.
domingo, 7 de julho de 2013
EPITÁFIO A MANDELA
Velho Madiba.
Aqui jaz o corpo de um homem
Que ousou sonhar
E dedicou toda a sua vida
À realização deste sonho:
Uma nação e um mundo mais justos e mais igualitários.
O seu Espírito emanou em todas as direções,
Onipresente onde quer que haja alguém
Em justa luta por seus Ideais.
AQUI NÃO JAZ O LEGADO DESTE HOMEM.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
A língua dos homens e dos anjos
Emanuel
Escreveu um poema na areia,
Com o dedo;
Quando me cheguei a Ele
O vento já havia apagado.
Perguntei sobre o que versava
E me respondeu:
- O amor.
- Em que língua?
- O mistério.
- E como poderemos entender?
- Amando uns aos outros como eu vos amo.
- E desvendarei o mistério?
- Não, poeta, serás o mistério.
Caber em mim
Ah, ser eu e não entender o que sinto
Ser eu e não saber o que tenho
Querer tanto e não saber quem sou
O meu ser e o meu querer,
Quem os explicaria, além de mim,
Que não os compreendo?
Eu - já cansado de ser eu -
Eu - já farto de querer-me -
Eu - confuso de desvendar o que conheço de mim.
Todas essas indagações
Que faço a mim mesmo
E que deveria descobrir em outro alguém.
Ainda não acabou:
Amor, medo, procura:
Há tempo.
Palavras de Fogo
Deixe tudo pegar fogo
Cinzas às cinzas
Pó ao vento
Pô!
Ponha-se o poeta na cruz!
Poetas não dão
Nem de graça
Nem de nada
Obrigado
Devolvem.
A minha poesia é cruel
E incômoda.
Só os que teimam
Contra a lógica
E a própria dignidade
São dignos dela.
para americano lucrar e inglês ver
O que é MPB?
É Beethoven ou Tiririca?
Eu não sei!
Melhor perguntar a um alemão
De ascendência ariana
Desde a terceira geração.
Deixado para esquecer
Eu enxugo as lágrimas
enquanto as minhas mãos sangram
juntando os pedaços maiores
do sonho
que foi o nosso mundo inteiro.
Conchego
Lá fora chove um inverno lento
E eu queria sair enxuto;
Terei esperado demais?
Uma música só...
Tantas já ouvi!
A chuva aqui dentro ´
É uma tempestade inclemente
Que a tudo arrasta:
Lembranças, sonhos;
Rostos interrogativos;
Bocas que falavam em mim
Quando fui só silêncio;
Seres que eram meu ser
E me perdi de mim...
Nada aquece e tudo evapora.
Uma sopa, um sorriso
- "Adeus." -
Entra, a cama está aconchegante
Para se viver uma nova estação.
terça-feira, 2 de julho de 2013
TRINCHEIRA MORAL
A poesia
- Alimento do espírito -
É um escudo eficaz
Contra bombas
De efeito moral.
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