quinta-feira, 31 de maio de 2018
Ciclo Lunar
Eu já sei quem sou.
Eu sou o que eu era
A um segundo atrás.
Agora preciso encontrar
Um lugar para mim,
Um lugar onde eu possa ser
Todas as possibilidades do ser mais.
Luto, logo existo.
Para os mortos,
A única certeza da vida é a morte.
Para os vivos, posto que:
Resistir é viver.
Sonhar é viver.
Amar é viver.
A única certeza da Vida
É a certeza de Luta.
Ponto Sem Volta
É perigoso tentar ser feliz,
Desafiar a tristeza alheia,
A "felicidade" que nos desejam,
O luto com que nos cobrem,
A dor que nos cobram.
"Some da minha vida!"
Escolheste as palavras certas
Para afiar a tua espada.
Levarei comigo
Toda a dor que dividiríamos.
Já me fui!
Agora, é tirá-la de mim...
Tu ou a Vida.
Vidas Comprimidas
Não tenho mais vida!
Tudo se resume a estes malditos
Antidepressivos!
Se quero foder: "tome um antidepressivo."
Se quero companhia; "tome um antidepressivo."
Se quero suicidar: "tome um antidepressivo."
Morrer já não posso.
Enlouquecer já não posso.
Se me sinto bem, se passo mal:
Mais antidepressivos!
Fui encontrar a namorada e apenas ouvi:
"Vá para casa descansar
E tome seus antidepressivos."
Será que há alguma lei que proíba a depressão,
O nojo pela mediocridade humana,
Por esta vida sem vida
E que nos impeça de viver
De modo natural,
amar, poetar, enlouquecer, morrer e,
Até... trabalhar...
Sem estes infames venenos
Impostos pela indústria farmacêutica
Nos transformando em mortos-vivos
Controlados por receitas médicas inedôneas,
A frieza risonha do balconista
E os altos preços das farmácias,
O julgamento da escrota religião
E o preconceito de uma sociedade doente?
Fisiologia da Masturbação Poeticamente Exposta
Só me reconheço como artista
A partir do papel social
Da minha poesia.
Se toco uma punheta,
Sou apenas um solitário egoísta;
Se faço amor
- Dou e recebo prazer -
Sou um amante.
Aquele cuja arte
Não exerce papel social
É só um punheteiro
Solitário e egoísta;
E a arte precisa tocar o outro
E gozar juntos
Dores e prazeres!
Misoginia
O patriarcado
É a mais antiga ditadura,
O mais antigo sistema
De lesa-humanidade
E, não coincidentemente,
Se dá contra o corpo
E a ontologia
Da Mulher.
Documental
O Século XX foi o Século das Guerras.
O século XXI,
Definido por Eduardo Tadeo como
A Era das Chacinas,
E pelo Ktarse como
A Era da Barbárie.
Eu somaria estas duas visões de guerra
E o demoninaria como
A Era dos Massacres.
A diferença está no fato de que
A guerra pressupõe dois polos contrários;
O massacre é unilateral
E, portanto,
Não encontra limites
A menos que as vítimas
Lhe imponham bruscos freios!
Impostos sobre a Liberdade
Escritores e jornalistas,
Quando não sabem,
Inventam.
Nós, poetas, mentimos?
Obviamente!
Por isso, nos ufanamos
Aos demais literatos.
Sou poeta em tempo integral
E, nas horas vagas,
Filosofo:
Não me sobra tempo
Nem para o trabalho
Nem para a normalidade.
E já há quem intente
Taxar o meu ócio.
quinta-feira, 17 de maio de 2018
elementos de retórica marginal
há entre os coerentes
os que vivem seus discursos.
eu apenas discurso minhas vivências.
Quase Mortos
Eu
- Pedagogo -
Como policiais,
Também mato criancinhas.
A impunidade deles
Deve-se ao fato de servirem
A um estado militarizado;
No meu caso,
A justiça ainda não tipificou
Crimes contra os Sonhos,
Contra a Ontologia,
Mas a polícia
Já me vem caçando
A algum tempo.
terça-feira, 8 de maio de 2018
Livre União
... O que o carinho e o respeito,
E a admiração e o tesão
Juntarem,
Que nem homens nem deuses
Ousem separar!
E o que estes princípios,
Uma vez findos,
Separem,
Que nem deuses nem homens
Ousem juntar!
E, pelo poder outorgado a vocês
Pelas faculdades e liberdades
De sentir, amar, gozar e se permitir,
Sejam declaradxs
Companheira e Companheiro
E o que mais lhes apetecer!
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