Pierrot

Pierrot
la tristesse

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A tua falta



Não é uma ausência
Mas sim uma presença
Real, 
De uma intensidade ímpar,
Uma saudade
Que se renova
A cada respiração.



quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Afunilamento



Lute conosco pela resistência
Ou lute por eles, para nos exterminar.
Os indiferentes, os pacifistas e os neutros
Também serão eliminados,
Talvez, antes de nós.





Cultura do Todos Iguais



Matar a vocação ontológica para ser mais.

Ser igual não é ser mais,

Ser igual é ser menos,

Até não ser mais,

Até não-ser.

Idealmente iguais,

Realmente diferentes.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Críticas



Não ter tempo para mim mesmo

É a segunda crítica

Que mais ouço;

A primeira é:

-"EGOÍSTA!"

Se fosse dar ouvidos...


Inércia Mortal


Os pacifistas querem
Vencer sem lutar.
Eu só vivo em paz
Por reconhecer
Que a minha luta
Nunca terá fim.

Estarei eu no mundo errado
Ou estarei eu errado no mundo?

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A Arte do Massacre



Deus, o Estado e a Família.
Sob esta tríade da opressão e seus pedestais
- O púlpito, o palanque e o palco –
O pretenso artista,
Sem talento, sem caráter e com pudores religiosos,
Vendeu a Arte ao mercado e à mídia
E estes a monopolizam
E a transformam em arma de suicídio
Apontada para o peito
De uma Humanidade desumanizada:
Uma redução de Tudo,
Do Todo ao Nada,
Como uma potência esmagadora
Da ontologia, 
Da subjetividade ao concreto.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Verbo In-Transitório



Por que Partimos?

Ficar é uma inércia.

Partir é uma ação,

Uma emoção,

Outra im-possibilidade.


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Carpe Diem


Cada momento é único,
Jamais se repetirá.
Vivo cada um com esta convicção,
Sugo todo prazer e felicidade
Possíveis e Impossíveis,
O que me é ofertado
Sem me importar com o depois,
Com o que dizem,
O que pensam,
Como julgam.
Se houvesse pecado, eu assumiria;
Se fosse crime, eu cometeria,
Sem arrependimento nem remorso
Do Efêmero-Eterno no Eterno-Efêmero.



Veneno na Letra


Quando os saraus tratam a poesia tão atropeladamente,
O palco expande-se ou reduz-se a púlpito e palanque,
Do qual o tal poeta
Se presta a repetir modismos em voga
E a recitar poemas fingidos e alienados
Anti isto e pró aquilo que esteja em pauta,
Seja lá o que isto for...

... Num mundo onde tudo é 

Pró, 
Pós, 
Pré, 
Néo

E incorporou-se o Anti como fiel, 
Nada mais é o que é ou poderia vir a ser, 
Escrevo uma poesia sem lugar no mundo,
Neste mundo de palcos, púlpitos e palanques
E pessoas com voz de ventríloquo, sob cordas de marionetes...

... Fico calado,
Enquanto procuro um lugar para gritar:

Salve lindo poema sem esperança!


Pena Envenenada


A minha poesia é forte demais
Para se restringir a mim.
Se ficar confinada no meu quarto,
Explodirá radioativamente,
Matando, primeiramente a mim
E, sabe-se lá
Do que mais será capaz
Livre do meu domínio!



Olhos em chama


Foi só instinto.
Lobo solitário,
Como sempre vivi,
E como não sei
Quanto tempo dura
Esta brincadeira
De animal de matilha,
Vezes uivo para a Lua...

E me debato, quando está cheia!


OVERDOSE



Meus camaradas e eu

não temos dinheiro

para comida nem drogas;

overdose aqui,

só de indignidades e resistências.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Os Cinco Horizontes



Liberdade

é qualquer estar

ao qual nos prendemos

por vontade

e nos deixa

todas as aportas abertas


In-tolerância




Tolerar o intolerante
Nos torna intoleráveis.


Tolerar o intolerável
Nos torna intolerantes.


Sendo tolerante,
Não tolere.

Certas coisas são e não são!



terça-feira, 14 de novembro de 2017

Lei Antiavareza



viva o momento.

o passado não retorna

e o futuro

pode não ser nada

e, se pode não ser,

por que (não) seria?


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Purulência



Resolvi ficar
agora 
ela partiu
meu coração
e foi embora

Muita coisa mudou
desde a última vez
que ergui a cabeça
há pessoas
que nos amam
mesmo quando 
não merecemos

Amor à revelia
ou ácido puro?

Estou lambendo
minhas feridas
e, se for encurralado,
mordo a língua.

"PORQUE SIM!"




A IGNORÂNCIA


DESCONHECE


AS PRÓPRIAS RAZÕES.



Fisiologia do Desejo



O calor íntimo

No ato sexual

São a química e a física

Da completude.




domingo, 12 de novembro de 2017

Caminho Bifurcado




Eu te odiei por quase um segundo
Agora te amo mais,
Portanto, você está livre.
Vá, e não esqueça de ser feliz:
Me deve isto, e cobrarei.
Foi um sonho que se realizou.
Agora sabemos que felicidade a dois
Tem um tempo
E a validade está em guardar
O que foi bom
Para tempos de solidão.
Vamos, e que as portas fiquem abertas
Para qualquer forma de amor, novo ou velho,
Importa mais ser feliz.

Sei que preciso seguir,
Entretanto,
Deixar você
É como perder
A maior metade de mim.

Poderíamos ter vivido
Mais coisas, mais lugares, mais sentimentos
E esta incompletude
Não está me deixando em paz.

Agora parte
Levando um pedaço de mim
Que já não me pertence mais.


S.D.I.E.



O Mal do Século
Não é a solidão!
Vivenciamos os sintomas
Dos males de todos os Séculos
Reunidos
Homogênea e hegemonicamente
Neste Século que se inicia:
A ignorância, o preconceito, a religião,
A intolerância, a moral
O Estado, a propriedade, 
O isolamento individual, 
A massificação,
A alienação, entre outros;
Não se trata de um mal específico:

É a Síndrome da Deficiência Imunológica do Existir!

sábado, 11 de novembro de 2017

Invólucro


Poesia
São essas ideias
Que não encontram
Em mim
Senão 
O talento 
De hospedeiro.


Se vier...



Venha,

Não importa se

É o sonho pela metade

Ou não venha,

Não importa

Se é o pesadelo

Por completo.


Superviventes


Livres pensadores,
O que para outros é fantasia,
Apenas idealizado
Em divindades
E outras monstruosidades,
Para nós é rotineiro:
O Impossível é o nosso cotidiano;
O cotidiano deles nos sufocaria,
Potencializaria a lenta agonia
Da morte dos que não vivem.


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Adolescentes Assustados



Esta solidão voluntária
Ainda vai dar em nossas cabeças.
Este ficarmos nos olhando,
Nos encostando como tímidos
Que nunca tiveram o que tivemos,
Este sonharmos sem agir,
Dormimos juntos
Sem nos tocar
Parece um destes testes,
Um sadomasoquismo macabro...
Só estar aqui
Só ser
Só ter
É muito pouco.
E, zangados com nós mesmos,
Guardamos rancores que envenenam.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Dias Desleais



Quando a poesia

Se torna

Tão vazia e reacionária

Quanto a religião

É a hora

Dos poetas

Colocarem um sapato na boca,

Ou lutarem.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

As Artes das Guerras


Na poesia,
Como na vida,
Não há paz.
Há apenas seres
Que, por amor,
Emprestam e extraem a beleza
Do horror.



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Libelo


Humanidade
É a história
Dos que não pensam e agem
Massacrando
Os que pensam e não agem.

Sem livros, sem arte, sem cultura
É sem futuro.

A toda rês de curraleira
Chega o dia
Em que até mesmo berrar
É vetado
E o abate vem como único bálsamo.

Ah, mas quando chegarem
Os que pensam e agem...

Olha o papai noel ali...

"ET e todos os santos,
Valei-me, livrai-me
Deste tempo escuro!..."


sábado, 30 de setembro de 2017

Ensaio Geral

Ao Mestre Dacal*



“A geração letárgica
Dançou, cantou
E protestou...
Quando tudo era permitido,
Ela não pensou.”
Não há mais carnaval,
Acabou o ópio.
Agora vem a dor,
Apenas o sacrifício
Dos bufões de curraleira
Será permissível.




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*Elias Donizete Dacal da Costa, poeta, músico, compositor,
autor e Geração Letárgica, entre outros.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Vagabundagem

Uma introdução à música Vagabundo - Ktarse 


EU, 

QUE JÁ ANDEI PELOS QUATRO CANTOS DO MUNDO, 
PROCURANDO,
FOI JUSTAMENTE NUM SONHO QUE ALGUÉM ME FALOU:

- ACORDA, ZÉ!
VAI TRABALHAR PRA SER EXPLORADO,
VAI ROUBAR PRA SER PRESO, 
TRAFICAR PRA SER MORTO, 
BATUCAR PRA SER DEMONIZADO, 
PROTESTAR PRA SER REPRIMIDO, 
REIVINDICAR O DIREITO DOS TEUS, 
PRA ELES PRÓPRIOS TE CONDENAREM, 
VAI PENSAR PRA SER ABOMINADO,
VAGABUNDO!

SE EU SOUBESSE QUE ME DIRIA ISTO, 

NÃO TERIA GASTO TANTO TEMPO,

NEM IDO PROCURAR TÃO LONGE.
AFINAL DE CONTAS, 

COMO SEMPRE DIZIA MINHA SÁBIA MÃE, 
"PARA ENCONTRAR O 'DIABO' 

NÃO É PRECISO ACORDAR DE MADRUGADA 
NEM CAMINHAR UMA LÉGUA". 

VAGABUNDO?


EU? 


VAGABUNDO É A MÃE! 


VAGABUNDO É O KTARSE!




quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Côncavo Desconvexo



Ermitões
Conchas sem mar
Côncavo convexo da solidão
Yin Yang em desequilíbrio
Ora lutando para apagar
Ora lutando para reacender
A lembrança sem falta
A ausência desejada
Nada une
Nada separa
E, ainda assim,
Este NADA como ponte
Tão inexistente como intransponível
Companheiros desacompanhados
Sós e (des)sós
Côncavos desconvexos


terça-feira, 12 de setembro de 2017

POETA



EU CANTO AS DORES DE TODOS

E CHORO TODAS AS DORES

SEM QUE NINGUÉM ME CONSOLE.

Pai-nosso do Poeta e do Filósofo



Ao animal intelectual
Equivocadamente chamado homem
Resta ter consciência de si mesmo
E da sua incompletude,
Buscando-a no diferente,
Harmonizar-se com o outro
Ao invés de estranhá-lo, combatê-lo, 
Escravizá-lo e exterminá-lo:
Isto abriria caminho para sua evolução 
rumo ao homem,
Ao verdadeiro domínio de si mesmo e da natureza
– por integração e respeito e não por subjugação e destruição –
O que, de per si,
Eliminaria os deuses
- estas aberrações contra a Vida! -

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Do Holocausto dos Meninos-soldado

a Luiz Felipe, in memoriam.



Somos uma estirpe que ama a juventude,
Como condição, como status
E como possibilidade de imortalidade
E que extermina os jovens
Como o mal em si:
Responsáveis por eles,
Os culpamos pelos nossos crimes.

Mas,
Entre vencer o mar e o deserto
É preciso uma trégua,
Um tempo na praia para construir
Um porto, um oásis e um castelo de areia
(ou até uma fortaleza, se for o caso!)
É a missão dos que ficam:
A luta como celebração
Ao legado
Dos jovens mártires
Que tombam
Do chão da mediocridade à Memória.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Alive man fighting


Homem de meia-idade

Tentando equilibrar-se

Na frágil e turbulenta harmonia

Entre a maturidade

Que a realidade cobra

E a puerilidade

Ainda impregnada n`alma.

HAMLET, MEU CONTEMPORÂNEO...


Ter para ser

Ou ser para ter

Ou parecer ter

Para parecer ser

Ou vice-versa?

São tantas questões!

sábado, 26 de agosto de 2017

Do fundo do meu estômago


Como eu já dizia 
De barriga vazia
E sem moradia
Eu até escreveria
Alguma poesia
Mas como recitaria
Como tal se possibilitaria?

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Autômato/Autônomo


A polícia

É um aparelho autômato que,

Uma vez acionado

Pelas palavras mágicas

"Prende!" e "Mata!"

Torna-se autônomo

E sai completamente do controle

Até saciar sua sede de sangue

Nas periferias.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Desaterro



Fiquemos aqui.
Não porque estejamos plantados.
Só não aceitemos este desterro
Que é um desaterro,
Um nos arrancar de onde voamos livres
E somos a própria terra.
Não, não vamos embora.
Sempre quis correr mundo,
Nunca como escorraçado,
Mas como quem come da terra
E não sai sem replantar e regar
Para os que ficam
Viajando em outros sonhos.
Um dia nós vamos embora.
Hoje, ficamos.
Só partimos de onde e quando
Deixamos sonhos possíveis em flor
E regressamos à sega.
Quando nos expulsam, resistimos.
Não é da terra que nos expulsam,
É de nós mesmos;
Não é o que é nosso que querem,
Querem o que somos,
Querem o que sonhamos... e ousamos realizar!
Quando voamos em asas de liberdade,
Levamos os sonhos dos que ficam a passear;
Quando nos desterram, abandonamos os sonhadores
Em meio a um pesadelo de chumbo.
Não, não sairemos daqui!
Hoje trocamos hélices por âncoras
E mostramos a estes espalha-cinzas
Que somos feitos de terra-viva:
De sonhos e lutas.




domingo, 13 de agosto de 2017

Comentário Sobre O Poema Ensaio Ridículo Para Me Tornar Um Tirano Sério


Com a divisão:

Política e Religião

- Alienação -

A periferia

Tornou-se o caldeirão

De dejetos

Da burguesia

Que, de vez em quando

Vem mexer

Só pra ver

A bosta toda feder.

Olhar de Ternura


O que diz o meu olhar?

Eu te desejo

A cada vez que respiro

E,

Entre uma respiração e outra...

Também.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O Reverso da Moeda


Nos meus acessos mais equilibrados
Flagro-me dizendo
Que vivemos numa Era
Que necessita de gigantes e não os há.
E ai de quem se agigantar
Nesta Era de anões!
E que na ausência destes,
Os seres mais abjetos tomam para si tal carapuça;
Acusando a mim mesmo
De ser um suicida que se mata sozinho,
Fortalecendo o inimigo.
Distribuindo dinheiro a credores
E rindo desdenhosamente daqueles
Que vivem de modo sóbrio e sensato
No turbilhão da prisão das ruas
Julgando-se sãos, livres, seguros...
E... felizes!!!

Hahahahahahahahahahahahahahaahahah



sábado, 29 de julho de 2017

Raias da loucura


Ficava olhando o chão pintado de verde:
Os sulcos, as rachaduras,
O contraste com meus sapatos,
Os outros,
As bitucas de cigarros...
Como os loucos fumam!
Manter o cérebro aceso incessantemente,
Viajar mil mundos...
Eu viajava olhando o chão pintado de verde:
Internações, liberações, os médicos,
O frenesi das visitas e das viagens:
Mil mundos num pequeno chão pintado de verde.
Era o ambiente estranho mais familiar
Que já visitei, e revisito a turnos.
Loucos. 
Chamam-me louco.
Chamam aos meus loucos
E, no entanto, foram os outros
- Os tais sãos -
Que pintaram o chão de verde
Sem nenhuma perspectiva.
Se nós não existíssemos,
Se não nos assumíssemos
E se não exercêssemos este direito inalienável,
Pouca coisa faria sentido, para todos.
Ah, os mundos que vemos, criamos e recriamos
Num simples pedaço de chão pintado de verde
- Sem eles, este mundo, desumano, irreal, insano
E sem cor, jamais subsistiria! 



sexta-feira, 28 de julho de 2017

Imensidade






Se tudo vale a pena



Quando a alma não é pequena,



Em ti encontrei a metade



Que torna a minha alma 





      IMENSA.




O mal do Século é não estar doente


Considero-me são, livre e normal.
É que as mentes tecnocratas
Deste modernismo pós-vida
Colocam em camisas de força
Qualquer um que não apresente
Os sintomas das síndromes
Deste século patético.
Não se pode mais correr pela rua,
Nu, gritando e agitando os braços no ar;
Jogar pedras na lua;
Correr atrás de sombra de avião;
Esganar companheiros de trabalho;
Atear fogo na casa;
Assassinar parentes, amigos e correligionários,
Dar um simples chilique:
Amar ou Odiar...
Nem se pode ser louco
Neste mar de loucura.



Pagarão, Não Pagarão...



Sonhar não é de graça
Dependendo da quantidade, da qualidade
Do lugar com o qual se sonha
Do lugar do qual se sonha
O preço é o máximo.
Desistimos de sonhar?
Não!
Mas calculemos a dose
Que nos será benéfica e suportável
E as formas de pagamento.
Acusamos os jovens de alienação
Mas, de fato, estamos todos sob o mesmo opiário
Ou em atitude de avestruz.
Só precisamos culpar outrem.
Sonhar nunca foi um conto de fadas.
Para sonharmos hoje,
Muitos viveram pesadelos,
Saltaram precipícios,
E alertaram:

O maior perigo para quem está no abismo
É habituar-se à profundidade.

Sonhar custa infindáveis lutas, preciosas vidas.