quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Dádivas
Sempre que fui pedir algo a DEUS
ELE recebeu-me com um sorriso.
Quando pedi-lhe um leito,
ELE deu-me uma mãe;
Quando pedi-lhe um lar,
ELE deu-me o universo;
Quando pedi-lhe um amigo fiel,
Fez-me imaginá-LO;
Quando pedi-lhe sabedoria,
ELE deu-me o instinto;
Quando pedi-lhe um amor,
ELE deu-me uma alma;
Quando pedi-lhe alegria,
Fez-me palhaço;
Quando pedi-lhe esquecimento,
ELE fez-me ator;
Quando pedi-lhe vida,
Fez-me poeta;
Quando pedi-lhe inspiração,
Trouxe-me a música.
E quantas vezes mais busquei-O,
Sempre recebeu-me feliz.
Quando pedi-lhe para morrer,
ELE, simplesmente, fez-me caminhar.
Não pediu-me para esquecer;
Também não esqueci.
Fantasma de um poeta
O homem que caminha descalço
Para experimentar
Um pouco de liberdade
E assiste ao mundo
Do alto do telhado
Sente-se frágil
Diante dos homens de aço
A que nos reduzimos.
Minha Casa
Na casa de minha mãe
A alegria é reinante:
Os netinhos correndo pelos corredores,
Plantas por todos os lados,
Andorinhas de porcelana penduradas na sala.
O regaço maternal formando um lar
De amor e cumplicidade...
Ah,... e o meu retrato na parede.
Adaptação
de volta à fôrma
Trinta anos.
Devo repansar minha vida:
Um emprego formal,
Uma namorada fixa
E deixar para trás
As ideias de outrora;
Gravar um número
Ao lado do nome/sobrenome,
Comprar um sofá e uma t.v....
Foi nisto que deu
A minha ansiedade pelo tempo.
Ontem comprei roupas novas
Para este velho corpo
E, logo que fizer a barba
E colocá-las,
Começarei a adaptação.
Trinta anos.
Devo repansar minha vida:
Um emprego formal,
Uma namorada fixa
E deixar para trás
As ideias de outrora;
Gravar um número
Ao lado do nome/sobrenome,
Comprar um sofá e uma t.v....
Foi nisto que deu
A minha ansiedade pelo tempo.
Ontem comprei roupas novas
Para este velho corpo
E, logo que fizer a barba
E colocá-las,
Começarei a adaptação.
Bruna
Ei garoto,
Aquela menina agora é uma mulher,
Comprando cigarros no bar,
À meia-noite.
Ontem ela discutiu comigo,
Falando palavrões e dando socos,
E a sua inocência se dissolveu.
Ei garoto,
Os caminhos que esta geração trilhou,
Melhor seria não ter pernas
Nem vontade de andar.
No bar, ela é uma rainha
Que se auto-destronará...
Ei garoto,
Pega a tua ingenuidade
E tranca-te em casa,
Porque, naquele bar,
As pessoas estão naufragando
E a tua presença
Superlotará a balsa.
Pobre menina linda!
Os sonhos dela serão
Como as cinzas dos seus cigarros;
Nada menos!
Absorto
A ideia pode vir de qualquer pequena coisa:
De um pensamento, de uma voz, visão ou estalo.
A poesia não.
A poesia vem de mundo desconhecido,
Trabalhada a ferro e fogo
Dentro de um ser hospedeiro
E é necessário inspiração
Até mesmo para passar a limpo.
Portanto, quando reinar o mais absoluto silêncio
E houver um poeta,
(psiuuuu!)
Alí, alguém ou alguma coisa
Está nascendo...
Tomando forma...
Alma... cor...
Ganhando vida, enfim!
Neste momento de silêncio e efervescência,
Alguém ou alguma coisa
Está se transformando ou sendo transformado
Em poesia.
(Psiuuuu!)
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Cegos e Perigosos
Com um sorriso frio de sudário
a noite morria na filosofia dos outros.
Estes, pedindo a Deus
que fechasse os olhos
por horas determinadas.
Aqueles, que lhes protegesse,
sem saberem exatamente do que.
Há prantos pelas sombras,
ranger de dentes... e esperanças:
Todos perdidos e acusando-se.
Os profetas e os poetas,
profanos e blasfemos,
repetem a cena em volta da fogueira,
como a imortalizar um século maldito.
Outros usam a fé cega.
Uns a faca amolada.
Somos nós e o mundo.
Falta a verdade.
para saber quem sou eu!
Depois de tantos que fui
Sinto-me tão só,
Sem poesias ou palavras
Para desatar este nó!
Quero um pouco de sono,
Mesmo adormecendo ao léu.
Um sonho para sonhar (aceito)
Asas para chegar ao céu.
Agora estou insone
E não tenho asas.
Vou parar à minha porta,
Talvez, nem entre em casa.
E de que me adianta?
Eu não sei de quem é a culpa.
Tanto tempo preparando a fuga;
Agora, este nó na garganta!
conto sobre mim mesmo
No início, foi só tristeza.
Depois, veio a depressão
- cansaço da juventude -
Até que
A deficiência imunológica da alma
Estiolou todo o corpo.
Corpo de bicho doente.
O quadro era patético,
Lastimável agonia de passarinho
Morrendo lentamente.
Ele, já moribundo,
Ensaiava um riso;
À sua volta,
Todos começavam a chorar.
Por fim, estava morto:
Aurora teleológica.
Sim! aurora sim!
Porque no delírio final
Ele sentiu febre
E aquela febre veio resgatá-lo
De toda a miséria
Da grandeza do espírito humano,
Que se traduz em
Solidão e esquecimento.
Letargia
Estes jovens - inimigos mortais da estagnação
Andam tentando vencer a distância
Que os separa dos ideais da infância
Lutando contra a própria acomodação.
Por toda turbulência que provoca esta ânsia
Há no peito dos cegos uma convulsão
E um tropismo idiotizante para a compulsão
Levando-os à escravidão e autorrepugnância.
Andam escondendo os seus rostos
Culpando o azar do mês de agosto
Com descomunal desfaçatez.
A abundância material é o que vale
O espírito da razão seu clamor cale
E morram os que pregam a sensatez!
Outra salvação
Eu conheci a agrura dos dias atros
sem a ajuda da luz que,
poderia, até, cegar-me,
do modo, tão óbvio,
que as coisas apresentaram-se.
Eu era a terceira ponta
de um triângulo de amor sodomista,
em meio aos caprichos libidinosos
de um casal pervertido.
Quando em mim
tudo parecia corromper-se,
fui procurar outra salvação
e deixei-os consumindo-se
neste abismo
da frieza da alma.
Quase uma ciranda
A fumaça persegue
O atroz incendiário
Assim como o sangue
Da vítima jorra
Diante do algoz sanguinário.
Atroz
Algoz
E vós
Sem voz
Os outros somos nós
Na noite veloz
Antes e após
E quem nos impôs
A palavra depois
Desmente quem sois
Foi-se.
Machado
Marcado
Pau derribado
Jacarandá
E se Deus não dá
Ninguém emprestará
Alugará
Foice.
As Estrelas No Azul
Seres inconsequentes
Criaturas descivilizadas
Cidadãos inconscientes
Formam as nações descolonizadas.
Ninguém mais sabe amar
Nem se respeita o amor
E para te conquistar
Pagam seja quanto for.
Quero morrer de uma vez
E que seja sozinho
Longe da tua insensatez
Que é mais que pedra no caminho.
Brazil, país dos instintos imorais
Onde os belos já morreram
Onde não têm vida os imortais
E os babilônios enriqueceram.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
A casa onde se vendem os chip`s de inconsciência
É o inferno consumidor de jovens vidas
Onde enormes prateleiras subterrâneas
Fazem exposição da morte instantânea
Onde ilusões e decadência são vendidas.
Sim, a minha geração inconsciente
Procurou-as como a um remédio
Contra a solidão, a covardia, o tédio
De que todos estamos doentes.
Lá, sepulcro de todo sonho,
Há um coveiro, comerciante medonho
Com uma pá, garimpando gerações...
E, atolados neste lodo horrendo
Os nossos filhos estão morrendo
E uma geração compra as suas desilusões.
Febre na cabeça
Fazer um poema
É como conceber um filho:
Dá-te prazer vê-lo admirado por todos...
Mas o ato do nascimento
Rasga-te o corpo,
Consome a tua alma...
E o poeta mergulha
Nas trevas da inspiração
Para emergir com a luz
Da concepção dos versos!
Um em seis bilhões
Poesia,
Boa música,
Bons livros,
Bons programas de tv.
E certa elegância,
Quando quero!
Eu deveria ser branco,
Mais alto.
Cabeludo, talvez.
Talvez, se tivesse nascido
No sudeste ou no sul.
É verdade:
Eu bebo muito,
Sou meio vagabundo,
Me visto mal.
Com certa deselegância,
Quando quero!
Parece confuso?
Estranho mesmo
É que me condenam
Só porque
Mudei de cidade,
Arranjei novos amigos,
Ouço outras canções...
PATER NOSTER
(variação sobre o tema)
Não por esta santidade de gesso,
pela qual suscita-se um Cristo nórdico
de uma beleza física perfeita
e de uma bondade quase insana...
mas tenha fé
e a igreja estará em ti!
Os santos pecaram sem hipocrisia,
tornando-se malditos,
por isso estão no céu.
Cá embaixo, Pilatus,
lavando as mãos em sangue
para satisfazer uma lei
que privilegia a uns
recolher as moedas dos altares,
a outros,
obriga carregar a cruz do mundo:
Pai-nosso que estais no céu,
santificado seja o teu nome,
seja feita a tua vontade
e, para que venha o teu reino,
não olheis os nossos pecados
assim como julgamos aos outros,
mas ensina-nos a ter para com eles
a mesma caridade que
(dizem)
tendes conosco;
livrai-nos de ser o mal
ao nosso semelhante
e isto nos livrará de todo o mal,
Amém.
Não por esta santidade de gesso,
pela qual suscita-se um Cristo nórdico
de uma beleza física perfeita
e de uma bondade quase insana...
mas tenha fé
e a igreja estará em ti!
Os santos pecaram sem hipocrisia,
tornando-se malditos,
por isso estão no céu.
Cá embaixo, Pilatus,
lavando as mãos em sangue
para satisfazer uma lei
que privilegia a uns
recolher as moedas dos altares,
a outros,
obriga carregar a cruz do mundo:
Pai-nosso que estais no céu,
santificado seja o teu nome,
seja feita a tua vontade
e, para que venha o teu reino,
não olheis os nossos pecados
assim como julgamos aos outros,
mas ensina-nos a ter para com eles
a mesma caridade que
(dizem)
tendes conosco;
livrai-nos de ser o mal
ao nosso semelhante
e isto nos livrará de todo o mal,
Amém.
último delírio
Para que dinheiro?
Somente o alívio sentido
No delírio da auto-morte
Poderá ressarcir-me da dor
De uma existência infame,
De sorrisos afáveis
E olhares apunhalantes!
E o poeta da geração enferma
Contaminou-se em seus próprios versos.
Agora está morto!
E quem lê-lo e entendê-lo
Verá o quão são insignificantes
Este mundo e os seres
Que dele usufruem!
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