Pierrot

Pierrot
la tristesse

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Malditos Humanos


A HUMANIDADE - esta maldita raça
De ajuntadores de tesouros -
Vezes penso sacar de uma arma
E assassiná-los todos,
Caçá-los como a cães danados...
Aí, recordo-me que sou poeta
E a vingança é menor.
- " A VINGANÇA SERÁ MINHA" - disse DEUS.
Só espero que não esteja drogado
Ao executá-la,
Assim como estava ébrio,
Solitário e febril
Quando criou a humanidade.
Depois, sarou
E nunca mais deu as caras.
Naquele instante,
Era mais POETA do que DEUS.

Antídoto Envenenado


Eis o poeta, bêbedo,
Ateu e sem moral,
Trilhando um caminho
Vindo do nada e indo
A lugar algum.

Eis o poeta, bêbedo,
Endividado e sem emprego,
Trafegando por um caminho
Que não leva aos sonhos
E nem à luta.

Eis o caminho,
Eis o bêbedo.
Eis o poeta,
Eis o nada.

Alheamento


Contra a não-vida,
Seus caprichos e seduções,
Percebas os mil caminhos diferentes
Dos quais te desviaste por vingança;
Ir tentes por terras, já é tarde:
Por culpa te tornaste como pensam.


Donzela


Deixe. Verei-a amanhã.
De já, basta-me a lembrança confusa
De vê-la quase acidentalmente hoje.
Demais, ando tresloucado de imaginá-la,
Dulcíssima personagem
Dos espetáculos do meu coração,
Douda, protagonizando o que em mim
Dou o diviníssimo nome D`AMOUR.



Um Doce


Que fosse mentira!...
Uma falsa jura que fosse!
Que me jurasse
Entre beijos e carícias,
Paixão ardente e sem preconceitos
Alguma espécie de amor...
Mesmo no instante
De um delírio breve
Ou de grave ódio por outrem.
Que me jurasse,
Sem medir consequências,
Que me jurasse
Qualquer tipo de amor!


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sentenças de Vida


Lúcifer,

Por trair a Deus,

Foi condenado

A reinar no inferno.

Os poetas,

Por servirem na terra,

Entre os humanos,

Devem ter praticado

Atos inenarráveis!

Bode Expiatório


No passo em que vamos
Encontraremos a auto-destruição
Bem antes
Do que imaginam
Os mais pessimistas.
E de nada adianta
Me combater:
Não são as minhas palavras,
Pensamentos e atitudes
Que nos encaminham
A este desafortunado desfecho.

Enquanto as crianças brincam



Nós precisamos fabricar heróis
Para transformar nossas covardia e omissão
Em atitudes normais,

Como uma sociedade
Que pare seus criminosos
Para encobrir seus atos ilegais.

Nossos templos cheios de ouro
Atraem e expulsam demônios,
Condenando-os pelos nossos pecados;

Nossas políticas corruptas
Fraudam os planos do presente
Para repetir os erros do passado.

E assim espalhamos a guerra.
Já não existe coragem ou força
Capaz de deter tanto ódio.

Desta vez fomos precavidos:
Educamos a juventude com a t.v.,
Entretendo-os com doses diárias de ópio.

Sobre O Amor


Já sentia desejo
De abraçá-la,
Beijá-la, de estar perto.
Mas era só um desejo vago.
Depois, tornou-se
Onipresente e Onipotente:
( Sem que eu soubesse )
Um Deus dentro de mim.

Rebeldia de poeta


Deus-Menino
Brincado no quintal de Deus
Brincando de Deus no quintal
Enterrei-a fundo.
Dor pungente igual a morrer
( em vida )
Já não era suportável.
Não cravei cruz
Só uma flor
( murcha )
E um verso por epitáfio
'Aqui jaz...'
A terra foi-lhe canteiro
A lágrima regou-a
A tristeza, evocação.
Quando saí do transe
Estava comigo
( rediviva )
Sutil e grotesca
( senhora )
Um colorido esplêndido!




Verdade e Veneno


Dois álcoois:
A nudez e a hipocrisia.
Alguém está mentindo a si mesmo,
Arrastando a todos ao abismo;
E quem ficar a salvo,
Também afundará de qualquer forma,
E sem resgate.

Dois álcoois,
Uma mesma taça
Que Hebe encheu de engano.
O vinho mentiu:
Dionísio degenerou.
Sansão sucumbiu.
Narciso desiludiu-se de si mesmo.

Diante do espelho, no dia seguinte,
Nada se manteve intacto.

Outros Sentidos


Estou me seguindo em silêncio.
Caminhei páreo com a minha sombra.
Somos dois no meu pensamento:
Um a favor, outro contra.

Eu acabo me olhando
E não te vendo,
Te achando
E me perdendo.

O meu mar secou.
O meu céu se apagou.

Não quero mais ser beija-flor
E viver a beijar sozinho,
Sem uma verdade que se possa opor:
Por que amar à rosa e não ao espinho?

O girassol não soube do amor
Como viria, e em que tempo,
E das tempestades que plantou
Teve que colher vento por vento.









Meu Ego


Ególatra que sou
Não me foi fácil lembrar de mim.
Quanto mais amadureci
Mais o EU se fez presente.
O egocentrismo - outrora defeito -
Já é o melhor que sou.
Eu já me encontrei
E estou a um passo de me entender;
Um passo à frente,
Numa direção a se descobrir.

O veneno das paixões


Não sei se faço a exata ideia de com é.
Rezei para que partisse
E estou sentindo a falta dela.
Mas vou deixar que ela sangre
Todo ódio que eu tiver.
Ela atingiu a fundura do poço;
Daí, ou sai me implorando ajuda,
Ou não importará mais.
'Veja o que vai fazer.
Daqui a pouco, isto nem existiu.'
Ela não faz a exata ideia de como é:
Comprando tudo com sexo.
Até mesmo o trivial, o mais barato,
Fazendo a minha melhor paisagem
Tornar-se cotidiana demais.
Ao vê-la, já conto as eternidades
Que o seu sorriso marcará em mim;
A dor não me deixa esquecer!...

Autenticidade e Reflexibilidade


Saí de casa sem arrumar a cama,
Como se estivesse em fuga,
E não fui trabalhar.
Havia tido uma conversa com o espelho:

'Ei você, nesta outra dimensão,
Que tem todas as respostas
E não responde nada,
Fale a verdade só uma vez,
Sem cinismo e sem sarcasmo!'

- "Pois deixe a fogueira acesa:
É preciso destruir
O que já vem capengando,
Selar os velhos caminhos
Para nascer a nova possibilidade;
E, antes de amar é melhor odiar
Com toda a força que puder compreender;
E, antes de armar a forca
Perguntar a si mesmo
Se as suas verdades
Não o levarão ao cadafalso;
Diga a verdade sempre,
Sempre que ela vier resguardá-lo!" -

A não ser que eu não saiba
O que estou sentindo,
Devo ter perguntado de forma errada.
Mas a resposta será sempre a mesma:
A ilusão de uma vida inteira
Se desfez em menos de um segundo.



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

VIDE

a José de Sousa Neto, meu pai.


Eu venho te ensinar
O que você me ensinou:
Transformar o eterno ódio
Em eterna gratidão,
Sem incenso, sem blindagem, sem éter.
Entramos numa guerra
Sem nenhum poema
E já estamos reduzidos a larvas.
Mas o tempo nos vingará!
Só precisamos ressuscitar o que fomos
Elevado à máxima potência.
Somos ramos do mesmo tronco.
Sou fruto da árvore que é você.
E não há como ser maçã no cajueiro.



A Mulher No Meu Caminho


Olhos inexpressivos.
- "Encanta-me ou te devoro, ou não!"

Sorriso indecifrável.
- "Corresponde-me ou te devoro, ou não!"

Rosto enigmático.
- "Adora-me ou te devoro, ou não!"

Corpo insinuante.
- "Deseja-me ou te devoro, ou não!"

Alma intranstornável.
- "Ama-me ou seremos devorados, e fim!"



Anjo


Um dia, cruzou o meu caminho,
Toda adornada de motivos azuis
Passou por mim,
Fazendo reviver as esquinas...
E, entre as amaras obrigações,
Trouxe todos os quereres:
Mudou a minha melodia,
Pintou na minha vida
Um quadro novo, diferente de tudo;
E, de todos os sonhos
Que deixei ir embora,
Corro atrás desta sagrada inspiração
E já não vejo obstáculos
Que me possam deter
E já não vejo o fim!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Um silêncio contra dois


Eu não sei o que falar.
Você fica tão calada.
E eu me perco
A cada silêncio.
E sigo me perdendo
Entre copos de álcool
E pedidos de socorro.
Eu tenho esperado
Por alguém que me amará
Sem que eu diga palavra:
A frase certa, a palavra certa:
O que já não sei dizer.

Aos Sem-Destino


No frenético vai e vem das andanças, morreu!
- Uma parte de mim ficou pelo caminho! -
A estrada aberta é uma armadilha.
Os que me seguiram
Pararam na fronteira deste engano
E criaram raízes
E, como lhes morreu o espírito,
São os zumbis
Plantados por todo o itinerário
Me perguntando se há recompensa
Pela longa jornada.
Respondo-lhes que não é necessário.
Não que não me seja nada
Uma eternidade a engendrar
Tão dura caminhada;
Mas se não encontrei um prêmio,
Não me deparei também
Com o arrependimento.