Pierrot

Pierrot
la tristesse

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Amigos



Não se preocupe comigo,

Eu estou bem!

É que ás vezes

É necessário chorar

Para ser homem e excretar a mágoa.

Para ser forte e fugir da lembrança.

Quando choro,

Fico mais feliz

E de alma lavada.

Eu estou bem,

Vamos lá!



Qualquer Possibilidade


Já faz muito tempo
Que fico rezando para chover
Quase todos os dias.

Já faz, talvez, o mesmo tempo
Que, quando vejo animosidades
Entre países,
Torço pela guerra.

E tem, certamente, mais tempo ainda
Que, brigando os casais, ou os amigos,
Ou as instituições indispondo-se,
Ou os indivíduos rebelando-se,
Faço votos
Para que tudo acabe
Da pior forma possível.

A alguns dias
Fico pensando que a perdi,
Que caminhei a vida inteira em vão,
Que chutei o pote de ouro
No final do arco-íris
E um tolo qualquer o recolheu
Sem ao menos suspeitar o valor.
Talvez ela volte!...
Ontem o meu time nem jogou...
Uma ex-namorada se casou...
Acho que o câmbio oscilou...


terça-feira, 22 de novembro de 2011

sertaneja

por Cristiane Gandolfi, poetisa.


Do sertão eu vim.
Não foi da caatinga
Não foi do nordeste
Não foi do centro do Oeste
Foi do mais dentro de mim.

Vim dos agrestes que brotam de minhas minas d`águas
Pleno movimento insurgido de seus baixos.

Vim das rupturas que marcam minhas pegadas,
Vim dos enfrentamentos que insistem construir estradas.
Do sertão vim,
Vim do cabuloso, do nebuloso,
Ornado em faca, couro, chapéu e bala.
Pronto para guerra do bem contra o mal.
Pronto para goethear na madrugada.
Pronto para sertanejar na arena dos deuses que já morreram.

No sertão vi a terra rachada,
No sertão senti o cheiro da fome
No sertão toquei a seca dos olhos da criança quase morta
No sertão andei sobre a carcaça dos animais que clamavam por Água.

Foi lá no sertão que esperei,
Lá no sertão diante de todo niilismo,
De toda falta de fé,
Lá no sertão me reencontrei com meu humano,

Sigo com fé,
Não sei em que ou em quem,
Com fé sigo
No que há por debaixo das estações,
Debaixo dos sóis,
Debaixo da terra queimada no chão.

Fé no sertanejo,
Na força bruta de quem doma a natureza,
Fé na humanidade de quem se acostumou a ver a morte ao seu Lado.
Fé na divindade que nunca se afastou daqueles que mesmo Cansados buscam se levantar.

Do sertão vim,
No sertão nasci,
No sertão morrerei
E lá nunca deixei de ser feliz.