terça-feira, 18 de outubro de 2011
Ofício
Um poema!
Versos tenho eu aos montes
Desconexos
Soltos como eu
Não
Não quero versos
Versos para quê
Tenho urgência de um poema
Completo
Unoindivisível
Como esta noite
Que é hoje até amanhã
Mas é uma noite só
Não mudemos de assunto
Depois de escrito e passado a limpo
Vou dormir
Não é bom me ter acordado
Tanto tempo, até tão tarde
O meu ócio dá que fazer
A muita gente
E eles acordam sempre de mau humor
A outros como eu
Crucificaram, queimaram vivos
Compraram com a televisão
Eu prometo ficar calado, anônimo
Não, ontem teve pão
Não tenho frio, ou medo
Eu não sei
Está tudo bem, obrigado
E o poema?
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
TRIBOS
Nos colocaram a todos no paredão de fuzilamento.
Se vamos resistir ou não,
Mãos dadas!
Daqui não sairemos mais;
Nem mortos, e principalmente, vivos!
Mãos dadas!
Não daremos mais
Nem o que é nosso,
E principalmente, o que não temos!
Mãos dadas, povo latino-americano,
Aí vêm eles,
Buscar o que desprezaram
Durante 500 anos ou mais:
O sangue do Índio fertilizou a terra,
O suor do Negro fez brotar metrópoles,
A Fauna morta criou espécimens raríssimos,
A Flora devastada cura com artigos de luxo,
E ainda há água.
Punhos cerrados, irmãos latino-americanos!
Aqui eles não ficam,
E principalmente, não saem:
Nem levando o que é nosso
Nem deixando o que têm de pior.
Aqui eles não entram
Nem enviam o seu lixo.
Não queremos espelhos nem computadores,
Nem pão nem pedra.
Não os queremos;
E que eles não nos queiram!
Não queremos nada do que já não seja nosso:
Nem inglês nem português,
Nem deodorant nem colônia.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Aos que ficarão
Pois é tudo que conhecem;
E seu mundo é temeroso!
Os vivos devem se fazer respeitar pela vida.
Viver é mais e é simples
E mais não sabemos.
Ah, viver! despertar paixões,
Perguntar, procurar, querer
O que não se responde, não está, quer ou não quer.
O inferno é onde os mortos sepultam os mortos.
Lá estão os mortais e os imortais,
Os grandes, os gênios, os sábios...
Os santos, os que não erram mais,
Aqueles a quem perdoamos;
Talvez perdoar seja matar!
Os que nascem têm a certeza da vida:
Um segundo, uma vida, uma eternidade,
Têm todas as possibilidades. Para que morrer?
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