Pierrot

Pierrot
la tristesse

quarta-feira, 21 de maio de 2014

FINADOS


Cadê tu, Jesus?

Tem sempre alguém oprimindo o mundo,

Empunhando a tua cruz!


tudo ou nada


Peguei todo o meu dinheiro 
E apostei numa rodada de alegria.
Devo ter ganho uma ou duas vezes
E fui pago com mão dupla de mentiras.
Venci ou não venci?
Nem mesmo sei o quanto arrisquei.
Assim se forjam os heróis 
Dos nossos tempos.
Se é que não foi assim sempre:
Uns fingem para si mesmos,
Outros têm quem minta por eles
E todos se enganam.
No final, os dados rolam
E o resultado do jogo da vida
É uma suave mentira
Que inebria e conserta o mundo...
Até a banca ficar com tudo.
São cartas marcadas, dados viciados:
Eu arrisquei porque tudo é arriscado.



terça-feira, 20 de maio de 2014

pedra-coração


Alguém que me amava:
Uma pessoa que se espelhava em mim,
Seguia os meus passos, observava:
Talvez me conhecesse mais do que eu mesmo.
Alguém que me amava:
E me remetia à minha solidão,
Não dividia comigo as suas lágrimas.
Quando eu chovia: um país submerso.
Alguém que me amava:
E guardava o seu amor na inocência,
Onde eu não pudesse chegar.
Um mistério para o coração,
Diário em branco, sentimento a sete chaves:
Minha vítima no jogo do amor.
Alguém que me amava:
Um amor que morrerá sozinho, 
Um planeta inexplorado.
O rosto dela, alma minha,
Será o branco da mina memória.
Alguém que me amava:
E pensava em mim nas noites
Em que eu não tinha mais ninguém,
Quando havia morrido
E quando a dor no peito se abrandava,
Talvez ela estivesse mais perto de mim.

Lunáticos


Eu não sou um deus,
Não sou um astronauta,
Sou alguém no escuro da sala,
Alguém esperando a lua.

Às vezes tenho medo de mim.
Ela me pergunta quem sou.
Eu não me conheço,
Não lembro a última vez que desci da lua.

Lembro de quando vivíamos ao sol
E tínhamos desejos claros,
Íntimas confissões
Sem nenhum medo da lua...

Agora somos a sombra de uma amor
Numa noite fria, ao luar,
O inverno de uma solidão.
Eu preciso da primavera do teu amor.

domingo, 18 de maio de 2014

sábado, 17 de maio de 2014

Volterianas Brasileiras


I    -  Penso,
        Logo incomodo.

II  -  Quero,
        Logo posso.

III -  Posso,
       Logo faço.

IV - Existo,
       Logo contesto.

V - Sei,
      Logo transformo.

domingo, 11 de maio de 2014

tacto


Já não tenho tato
quando as minhas mãos assassinam,
não sinto  a dor
do semelhante,
o remorso do meu desprezo
e a minha tendência suicida
são um fingimento.
Será que é aqui
que começa o monstro
e termina o poeta, 
em definitivo?


Materialismo além-túmulo


Na rua
da minha felicidade
a única casa aberta
é a funerária,
mas me repele
o aviso de:
"pague adiantado".

Sociedade Civil-Militarizada


Democracia Tupiniquim
Paraíso infernal
Ruas patrulhadas por
Soldados-de-chumbo
Ogros que encantam criancinhas
Por parecerem os bonecos
Que, por fim,
Suas ações e pensamentos
Consagram.

domingo, 4 de maio de 2014

O momento em que espero por você


E ela chega para dormir
Com seus encantos e seduções.
Temos todo o tempo do mundo, 
A vida inteira, se quisermos.
Ela divide por dois as minhas frustrações,
Eu lhe devo as minhas glórias.
Ela não é uma fantasia,
Ela é a minha solidão.

Eu, às vezes, a mando embora
Por acreditar na ilusão
De que você volte a caminhar comigo.
Você me pergunta por quê?
Você é alguém que eu amo, e partiu.
Ela está aqui quando não tenho mais ninguém.
Ela não é uma ilusão,
Ela é a minha solidão.

Tome o seu lugar,
Ocupe esse vazio,
Venha multiplicar alegrias;
Sabemos que tudo é questão de tempo:
Ela não é uma eternidade,
Ela é apenas a minha solidão:
O momento em que espero por você.

Resposta ao Ministro

"Eu quero lutar!
Mas não com esta farda!

Núcleo-base, Ira!


Eu era um menino.
Não sei porquê tentaram
Fazer de mim um monstro.
Me meteram num uniforme,
Jogaram um fuzil nas minhas mãos
E quiseram me impor ideias absurdas
Sobre intrigas e guerras mercenárias.
A minha revolução não se dá 
Com bombas nem carabinas:
Eu sou um poeta
E não um bárbaro!


diário da automorte


No momento não há vida.
Há apenas
A expectativa da morte,
Da qual você não pode
Privar este autor,
Por ser esta
A sua única certeza.

Estórias do mundo adulto


um dia sairemos
das páginas destas fábulas
e visitaremos o autor.
então saberemos
se deuses existem
e qual é mais errado:
viver ou amar

pedaços de uma vida inteira


Daquele dia
Restou apenas uma vaga lembrança.
Não deve ter existido
Uma conspiração do universo
Para que eu fosse feliz ou infeliz.
Foi só um instante de luz
Nos meus olhos,
Algo difícil de entender.
Era a outra face do amor;
Eu dei as duas.
Depois da segunda visão do céu,
Tudo desmoronou:
Os sonhos, a felicidade, a esperança...
E a menina dos olhos
Me fez cegar.
Memórias do olhar
E de uma tarde sem fim
E o pranto em mim
É a dor em mim
E tudo em mim.

onde os loucos se escondem


Estou pensando em fugir
Ir bem longe
Um lugar que nunca visitei
Não aguento mais esta casa.

Mas como chegar até a lua
Se a minha mãe
Não me deixa nem atravessar a rua?

Eu quero viver um amor efêmero
Uma aventura com rock e cerveja
Deve haver sol longe daqui
Estou preparando um foguete.

Mas como chegar até a lua
Se a minha mãe
Não me deixa nem atravessar a rua?

Aos Vivos


Os jovens contam os dias
E chutam os seus diários
Rasgam seus calendários
Morrem à juventude;
Os velhos as agonias
Contidas em suas dores
Perdidas em seus amores
Vivem à plenitude.

Os jovens cantam batalhas
Lutando contra opressores
Dizendo-se defensores
De alguma teoria;
Os velhos as agonias
De povos tão sofridos
De países divididos
Pela nossa hipocrisia.

Os jovens morrem tão jovens
Drogados pela virtualidade
Comprando a realidade
Do "Maldito Senhor da Guerra";
Os velhos com sabedoria
Perplexos com tudo isto
Sem esperança que um "Cristo"
Venha apascentar a terra.

Maquina e Marcha


Deixe-o sair pelo mundo.
Que explore cada limite.
deixe aos corações românticos
Sofrerem as suas dores parados;
Nós precisamos voar céleres.
Suportasse eu ficar no mesmo lugar
Somente se o tempo parasse;
Deixasse eu de partir todos os dias
E não teria julgamento pela vida.
De forma alguma deixe-o ficar:
Tantos mundos para se descobrir!
Fragmentos de seres e espíritos
É só o que fica para trás.
Eu não sei a que vim,
Então saio sem saber
Aonde realmente ir.

Teorias


Eu tenho um problema
Que está além da minha poesia.
Eu preciso ser egoísta e maldoso,
Eu preciso ser humano.
Daria um perfeito leitmotivem,
No entanto, não há inspiração alguma;
Ou há?
E agora, José?
Eu que declamei mundos perfeitos,
De patamares inatingíveis,
Pasmo diante desta simples realidade.
Ah, se eu soubesse amar!

con-versando com Zeca


Sabe?...
É estranho...
Parece loucura...
Eu sei que é...

Eu não sei dizer
O que vou dizer.

olhos desiguais


... Cortejei-lhe o corpo.
Nela,
Mente, olhos e coração
Ignoraram
A minha côrte.

Cinzas II


ponha a máscara.
a minha pantomima
não quer mais saber
quem é você.

preces quebradas


Felizes são os outros,
Que veem e sentem estas coisas.
Eu não vejo e não sinto
E crer nisto está além da loucura.
Nunca vi deuses, não posso crê-los!
O que vi foi a vida
E amei-a;
O que vi foi a morte
- Este enigma que atrai.