Pierrot

Pierrot
la tristesse

domingo, 25 de março de 2012

Estagnação


Existem novidades?
Hoje não li os jornais.
Entretanto, trago comigo
A maior das novidades:
As coisas velhas de sempre,
O cansaço das coisas normais.
Fora isto,
Se há alguma outra,
Isto, para mim,
É uma surpresa!

Cortina de Mentiras


A escravidão do homem moderno
A servidão do homem-robô
A escassez em pleno inverno
A seca em que tudo acabou
A solidez do muro que ruiu
A aversão ao sistema que caiu
A insatisfação do que tem tudo
A voz do que fizeram mudo
A solidão de quem está perto
A prisão com seu portão aberto
A morte em versão perfeita
A algema e seu fio de suspeita
A noite que dorme em insônia
A consciência já não tão idônea.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Para não mudar


Desde que dispus-me a combater o tempo
Esta é a primeira vez
Em que sou eu quem atira.
Por favor, não saia da mira.

Nenhuma agressão ficará sem resposta
Portanto, não retire este alvo
Desenhado às suas costas:

Não quero repetir erros!

Escritórios filiais do inferno


Espalhados por aí
Estão palácios suntuosos
Onde se reunem homens nobres
Que não resolvem nada.

São Paulo me assusta
Como um monstro de concreto
Frio e calculista, tão capitalista
Quanto Washington ou Brasília.

Flores mortas


Quem sabe o que é a verdade
Conhece o abismo da crueldade
Mostre o bem que você faz
E eu digo o mal que isto traz

Flores mortas mortas mortas
Flores mortas
Flores mortas flores flores
Flores mortas

...E enquanto não conseguia
Tudo aquilo que queria
Nada nada nada queria
De tudo aquilo que conseguia

Flores mortas flores mortas
Flores flores flores mortas

Só terei cor
Quando tu fores
Quem me flore

segunda-feira, 5 de março de 2012

Os mortos também mentem


Tens um amor?
Então senta aqui ao meu lado
E falemos como vivos!
Os mortos mentem.
Mentem o que foram.
O que fizeram.
O que tiveram.
Mentem o que viveram
(se é que viveram!).

Qual é a imagem
Que o teu espelho revela
Nesta manhã?
Ontem eu não estava em casa.
Fui me ver no espelho dos outros.
Um reflexo sem cor,
Como areia a escorrer
Das mãos de um tolo
Que olha em volta
E não se vê.
Conhecer a mim,
Juntar fragmentos de verdade...
E mentir.

...Mas foi o erro de pensar
No que seria o mal para nós dois
Que nos levou a insistir
Em negar tais erros:

Os mortos também mentem!


Abismo a um passo


Não consigo ver sentido em nada
E só encontro prazer em coisas fúteis,
O que faz me chamarem Louco.
Estar só e solidão dão na mesma?
Eu adquiri o vício do Outro;
Só é pouco e pouco é demais!
Se existe um lugar, é aqui;
Se existo, preciso me encontrar:
As mentiras só valeram
Enquanto os sonhos dormiam.
E os que dormem não têm sonhos, nem paz!
Sinto ser só uma tênue linha
Entre os que vivem
E os que apenas vivem.