Pierrot

Pierrot
la tristesse

terça-feira, 11 de junho de 2013

O mundo da televisão


Eu sinto saudades do Rio de Janeiro
Um Rio que não existe mais
Um Rio romântico
De jovens negras de short´s
Subindo o morro
Um Rio muito Zico
Muito bossa-samba
Do pivete vivaz
De um Rio-canção
Maracanã, Mangueira
Um Rio-Cidade-Maravilhosa
Um Rio que talvez
Só tenha existido
Em mim
Que nunca estive no Rio de Janeiro.

Retorno


Eu atormento as pessoas que amo
E elas me lançam anátemas;

Deve ser reciprocidade de Amor.

A Casa de Orates


Lá em casa não tinha nada
Não tinha comida
Não tinha cama
Não tinha casa

Só tinha poesia
E era uma festa!
Mesmo sem ninguém.

E tinha um mundo
Uns sonhos
Fertilidade numa cabeça-alma
Que reanimava universos
Numa harmonia em descompasso
Um caos de Mautner.

Só não tinha microfone
Só não tinha dinheiro
Só não tinha sexo e tevê.

Só tinha a polícia lá fora
Sem um convite-desculpa
Para entrar.

Lá fora tinha chuva
E as pessoas esperando
Manchetes sangrentas
Ao vivo
Direto do quintal 'dos outros'.

Ler e Entender


Tire fogo das minhas palavras.
Eu não tiro o fogo das minhas palavras.
Minhas poesias
Além do abismo, aquém do divino.
O peito humano
Rasgado de dor, refeito em alegria:
Não tire o fogo das minhas palavras.

Sofisma

"Filósofo,
no final você sabe tudo sobre nada."

              Chuck Schauldner


A ferida aberta
O livro in-fólio
A porta trancada
E não sara nunca
Não muda nunca
Não esquece nunca

Nós amamos o que somos
E somos só uma mediocridade arrogante.


terça-feira, 4 de junho de 2013

De Campo Grande, com saudades.




As folhas secas na rua deserta
parecem um tropel
anunciando que eu deveria me evadir,
denunciando que soldados-árvores
invadirão esta casa de estranhos
onde, no entanto, eu sou o único ocupante.
Ventos amenos sopram vagabundeando
e eu, de passagem aqui,
sinto saudades de outros elementos,
em outras paragens.
Será que lembram de mim
como uma brisa ou redemoinho,
um rio, lago azul
ou desejo convulso de tempestade,
sonho ou pesadelo,
um mundo de natureza inolvidável, 
calmo em chamas,
a razão dos éteres  da paixão,
a quinta elementar essência
num cosmos por existir?

Pedra-Nova


Tantas emoções, tanta paixão,
Eu sou humano demais!
Preciso matar o que sou:
Ódio, intolerância, vingança;
A guerra geradora do tudo;
Transformismo, transmutação.
Experimentar sentimentos fortes...
E genuínos... Rupturas!
Peneirados treva e pó,
Se algo restar, sou eu:
Pedra-Nova moldada a mim
E não há lavor de joalheiro
Que me lapide!

Algo errado em nós


Quais são as cores
do que eu não vi,
absorvido em vapores
do que não bebi?

No céu, estrelas
parecem duvidar:
todo o bem
que você me faz
não paga o mal
que isso me traz.

Você bebeu
do seu próprio veneno
e fui eu
quem acordou no sereno.

Para que fugir?
já posso ver.
não vou te perseguir
nem te convencer,
não dou conselho:
saiba o que fazer
quando o seu espelho
não for mais você.

Fascinação


Caminhando por caminhos que eu fiz
Caminhando para te fazer feliz
Caminhando por caminhos que eu quis
Errando e acertando por um triz

Eu só buscava o nosso sol
Ou a noite a nos envolver, um lençol
Eu procurava ver na lua
A tua aparição, alma nua

Ilusão perdida
Mas não consigo te esquecer
Porque eu te amo pela minha vida.

Morte Familial


O lar é um edifício erguido
Cuja escada vai dar no céu.
Deus é fraternal.
Não deve conhecer a dor
De amar uma mulher.
Eu, se não tivesse me apaixonado,
Talvez fosse mais puro, como Ele.
Assim, estando vulnerável
A tal sentimento,
Quero a minha costela de volta.

Inferno


Eu conheci o Inferno!
Não é um lugar específico
Onde Demônios nos acusam e atormentam
Usando tridentes, cheiro de enxofre,
Com grandes labaredas que jamais se extinguem...
Não há Vale dos Suicidas, não há Rock...
Era Eu Comigo,
De dentro para fora, e me envolveu.
Onde quer que eu estivesse,
A consciência - não censurando -
Mas perguntando maternalmente,
Como uma Mãe acariciando seu Filho:
- "por quê?!:
Repelir as pessoas que me amam!
Magoar as que amo!
Não saber pedir perdão!
Não ser forte para perdoar!
Sofrer por egoísmo, vaidade, orgulho!"...
De joelhos, com o rosto no chão,
Tapar os ouvidos e ouvir os mesmos ais!
Cerrar os olhos e ver por dentro!
Calar a boca e o coração confessar!
Tentar chorar e gargalhar cinicamente!
Sufocar o amor e ele dizer: - "eu vivo!"
O Inferno é a solidão e o castigo
Para os que negam o amor;
Tudo o mais é Conto-de-Fadas.


Horizonte logo ali


Enquanto caminho
Vejo as pedras
Se encontrando e se entendendo.
Todos os meus horizontes
Estão logo ali;
Eu continuo caminhando.
O que está me faltando
Para fazer o meu mundo andar?
Alguém?
É ela? É ela?
Por que não consigo divisá-la?


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Indecifráveis






O que sei sobre mim
É só uma face do espelho
Ainda é o enigma
O que me devora
Indecifrável


Distante o olhar


Ela passou.
Bela, insinuante.
Buscou o meu olhar,
Mandou beijos;
Pena eu não estar.

beira-mar




Na África se cantava pro mar
E do mar
Veio a escravidão
E atravessou-se o imenso oceano
Até um outro mundo
Outra beira de mar
Onde não se podia
Cantar pro mar.

O Chamado de Damasco


De certo que as dificuldades virão.
Nelas, quero potencializar o Infinito que sou:
Lutar sozinho contra tudo,
Estar à beira do abismo sem-fim
Precisando dar o próximo passo
E só precisar de alguém que diga:
- "Caia, mas não recue!"
Eu sou algo bom
E vou tornar-me real, concreto.
Eu estive morto,
Agora, vivo,
Tenho nas mãos
Toda Luz do universo:
Uma Potência do Bem está em mim.

EU...


...No meu exército de apenas dois homens:
Um que já não sonha,
Outro que cansou de acreditar;
E seguimos adiante,
Um regimento inteiro
Guiado por uma loucura...
...Como um guerreiro abandonado
No meio do campo de batalha,
Aprendi a sarar a dor,
A curar as minhas feridas,
Excretando o ódio que se nos inflama;
E não desertei do amor:
Quando estava encurralado,
Louco inspirado por Ícarus,
Eu aprendi a voar!

Indo... Embora...


Eu te amo
Mas não tenho nada
Que possa te prender;
Você está livre!
Eu já te esqueci.
Eu já te esqueci.
Só me falta força
Para dizer que não te amo.
Às vezes é preciso deixar para trás
A quem mais amamos;
Na estrada não há tempo para hesitar.

24/10/2008


O mundo é dos outros, não meu!
Por que eu deveria consertá-lo?

Estou enlouquecendo... sem criatividade...
Já penso em datar o que escrevo...
Cansado, quase capitulando,
E ninguém me oferece peita...

Sem glória e sem dinheiro...
Os meus amigos morrendo...
Não sei quanto mais posso suportar!

Eu matei DEUS
E se não ressuscitá-lo presto,
Mais perfeito e poderoso
E menos tolerante,
Estarei perdido.

Máscaras Sociais



Caras como eu
Fazem coisas assim
Quando todos acham
Que coisas assim 
Não se fazem.