No mesmo tempo, No mesmo lugar... Todo mundo mudou E nem vi o turbilhão Que me arrastou. No limite das minhas forças, Meu próximo passo Pode levar direto ao abismo. Na tentativa desesperada e vã De esquecer, Quis jogar tanta coisa fora, Até entender Que a felicidade Não é amiga Nem da escassez, Nem do excesso; Nem da posse, Nem da distância.
Sem me consultar, As pessoas próximas Costumavam me pincelar Com a excentricidade do gênio, Num futuro auspicioso! Ao traçar meu próprio rumo, Tento imaginá-las enganadas, Delirantes ou exageradas, Ou terei que admitir Não saber onde, Irremediavelmente, Perdi a genialidade e a inocência... Nem quando, nem como.
Das fogueiras de livros Dos nazistas A Fahrenheit 451, O triunfo do pensamento Talibanato Neopentecostal E seu legado Transformador De Artes, Culturas e Conhecimentos Em Cinzas e Esquecimento, Uma barbárie que incinerará Qualquer rastro de Civilização.
Segundo a fábula, Ícaro voa por necessidade E, após breve arrebatamento, Precipita-se. O voo, para mim, É a loucura de uma vida inteira, Desde tenra idade, Desde que vi libélulas Pela primeira vez. Hoje, voo como quem sonha, Como quem canta, Caminha, corre... Como quem cria Libélulas, Fábulas e Ícaros.