Pierrot

Pierrot
la tristesse

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Entre mil amigos eu escolhi você


A nuvem que brincava comigo
Foi apanhada por um vento alto...
Lá ao longe já é noite.
Aqui, um instante é muito tempo
Para quem é escravo.
Tudo veio a seu turno.
Cativou. Mas não soube cultivar.
E tudo deu errado
Pela ascendência de uma casa astral 
Que está sempre próxima
Mas que nunca é a minha.
Felicidade existe, 
Mas está distante de você.
Eu quero ter alguém
Que me permita ser o que não sou
E que me aceite mudar;
Eu quero ser alguém
A quem se ama tanto assim.

Eu também falei de flores, beija-flor


Mesmo falando de flores
Tenho expressado amarguras.
Flores são armadilhas.
Têm no odor
O magnetismo dos espinhos,
E os beija-flores,
De tão inocentes,
transvoam  outros jardins.
Eu - ou amei demais,
Ou excedi na ingenuidade,
Pois, segurando-as com paixão,
Tive a alma estraçalhada
Por espinhos-espadas.


Conto-de-Fadas Terminando


Um gozar maldito, igual à dor.
...E sentir na face fria o teu toque
Como ferramenta de iludir;
E morder o lábio, acalorado pelo beijo,
E o corpo, estremecendo contigo,
Queima e gela,
Até a saliva tornar-se fel.
Que solidão é esta?
O que foi que eu fiz?
Às vezes dá vontade de te abraçar,
Pedir desculpas pela confusão.
A ilusão no sonho...
A agonia na insônia...
É duro ser deixado para esquecer.
Vá embora!
Farei de conta que nunca esteve aqui.

De Fábula e Tragédia


Era uma vez no amor...


Tem gente que a gente não esquece.
Eu vou guardar no coração
Uma loucura
Que um dia eu fiz por mim.
Estou sentindo solidão
E não é a sua falta.
Vai, 
Sem hesitar nem calcular
O que o amanhã será talvez.
Para curar a minha cegueira
Eu comecei toda esta estória,
E agora que você me ajudou
Na minha cura,
Estou terminando toda esta estória.


Era uma vez... e nunca mais.

Equinócio


Eu fiquei contando as estações
(como se estivesse arraigado)
Eu fiquei esperando as primaveras,
Fiquei sentado na varanda...
Não posso dormir
Ou o tempo passa e me deixa.
De ti, já parti há muito.
O fantasma é o seu reflexo.
O que te persegue é o que você é
E o que você pensa ser
É o que fez de si.
Comigo não aconteceu nada...
...E eu mudei.

Por um instante de alento


Eu sou o poeta do tédio.
Há dias não alço voo.
A normalidade acorrentou-me a mim
E se abro as portas
Não consigo sair
E se saio, a minha alma fica
E não posso visitar as dimensões
De onde emana a inspiração,
De onde me acode o gênio.
Mudar, mudar.
As mãos cheias de sonhos...
De uma geração tudo dorme.
A indiferença já não alimenta;
A verve se rebelou da rebeldia: 
Uma força sem direção.
Agora, sem forças,
Sou dirigido ao Não-Ser.

Uma Saudade Relutante


Pense em mim
Quando estiver tudo  bem.
Eu me lembro de você
Enquanto ando em círculo,
Assim, tudo se desfaz mais rapidamente.
Ligue para mim um dia destes;
Eu não tenho nada para fazer,
Não gosto de falar ao telefone,
Mas atenderei.
Pensei em te escrever outro dia...
Se esta preguiça terrível me permitisse.
Eu ando dormindo mal,
Sem entender o que se passa,
E invoco a tua memória
Para dizer-me que já estive pior.
No mais, tenho ido bem.
É que, às vezes, uma paz me incomoda.
Quando estávamos juntos
Não me recordo de haver tido sossego
E me arriscaria a
Ligar, pensar ou escrever para você
E espantar este tédio.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Poder do Silêncio


Após ouvir o meu sermão, amordaçaram-me,
Levaram-me ao tribunal,
E fui em silêncio;
Acusaram-me
E não disse palavra;
Insultaram-me
E não lhes repliquei;
Flagelaram-me e crucificaram-me
E não lhes roguei anátemas.
Hoje, da Altura em que me vejo,
Faço o meu Verbo ecoar
Até aos confins do sem-fim
E eles tremem
Com a mais simples menção ao meu Nome.

Dois Passos


Considera este céu estrelado,
Nós dois caminhando nesta estrada enluarada;
Contempla um instante:
Parece que o mundo inteiro está em paz
E apenas nós dois
Quebramos o silêncio da noite, suavemente.
Algum dia, você admitirá 
Que nestes dias de enorme efervescência
Apenas eu trazia a calma necessária 
À sua alma convulsa...
Rebuscando nos quadros mais recônditos da memória,
Lá estarei eu...
E você recordará que
Caminhamos lado a lado sob um céu estrelado
Enquanto o mundo inteiro estava em paz
E apenas nós dois
Quebrávamos o silêncio da noite, suavemente.



O menestrel na penumbra


Apologias do abismo
Cânticos soturnos
Poesias lúgubres
Narração dos sonhos fingidos
Que abrem a antessala abismal
Sob o rumos arfado
Dos desesperadores suspiros últimos
Da farândula nefasta
Numa cantilena rouca que diz:
- Ainda não é o fim!
Estou trazendo flores vivas
Para alegrar as exéquias.
Até que elas sequem
E as velas coloridas se apaguem...
Ainda há sangue
Cânticos serenos
Poesias mórbidas
Ainda é festa!

Cais dos Desencantos


Ah, que ânsia de lançar-me ao mar!
Almirante sem barco,
Sem as amarras da saudade,
E sem salva-vidas
(porque aqui não há mais nada a salvar),
Deixar-me levar pelas vagas.
Aliás, sempre fui uma vaga neste continente,
E se já não estou cativo
Lançar-me-ei ao mar!
Deslizarei nas suas águas superficialmente
Para não levar ou deixar marcas.
Talvez eu volte,
Talvez procure um barco,
Quem sabe outro continente.
Agora não tenho o que lembrar,
Sinto apenas este afã:
Um mistério em mim quer seduzir-me,
E, esta noite,
Eu desejo ardentemente lançar-me ao mar!



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Parafraseio

aparências (Santana, o cantador)


Quem me vê sorrindo
Cantando o meu baião
Não sabe a tristeza que bem fundo
Se instala no meu coração
Foi uma morena que foi embora me deixando
Ai! nessa solidão.