segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
A queda antes da queda
Quando vi
Amadureci
As asas derretidas
À beira do penhasco
Na terra batida
O pior dos pesadelos
Havia acontecido
Já velho, vencido
Não pude me espatifar
No mar
Nunca consegui avoá.
CADA-FALSO
Democracia,
Vem libertar este povo brasileiro.
Edson Gomes
Eu vejo a dor
Nas cabeças dos que não pensam
Enquanto as outras rolam.
Vem libertar este povo brasileiro.
Edson Gomes
Eu vejo a dor
Nas cabeças dos que não pensam
Enquanto as outras rolam.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Além do Véu da anulação e da Libido
As roupas das castas
Inspiram
Uma sensualidade tal
Que, se elas o soubessem,
Só se apresentariam em público
Despidas.
RAÍZES D`ÁFRICA
Sou filho de uma Macumbeira
- Médium de receber entidade -
E de um velho Feiticeiro analfabeto
Que possuía um 'São Cipriano Capa de Aço',
E, dizem: "se envultava."
Sou médium,
Filho de Vô Preto Velho
E com ares de Zé Pilintra,
E devo ser filho de Jorge,
Não do Jorge inglês
Ou do Jorge da novela,
Mas do Jorge Capadócio:
Eu luto todos os dias
Contra o Dragão do preconceito.
pequenos infinitos
frívolo,
Mas de um jeito alegre.
Louco,
E comedido.
Um instante de riso.
O quê que houve?
Novos planetas? Sei lá!
O cacho de abelhas.
A árvore do riacho.
Diabos!
Febre.
E febre não quer explicação.
Outros sonham,
Mas só enquanto dormem.
Frio,
Com uma paixão palpitante,
Uma loucura que sara
Mundos e mundos e mundos,
E muito se tem de tão pouco:
Do tão pouco que sei,
Do tão pouco que sou;
O que fiz,
O que pensei
Parecia tão pouco
E era tanto!
ah, estes poetas...
A poesia é um hospício de caras como eu
Que, para fazer um poema
Sofre, sangra e sua.
E Pessoa, louco grita:
- Arre! hei lá!
E Chico Miguel canta:
- arre! irra! urra!
E nem pontua.
Outra alma desordenada
De quem o espelho partiu...
E eu, que nada tenho que ver,
Sou só cacos refletindo eus partidos;
E eu, que era tão uno,
Como testemunharia Abdera:
Íons, eletrons, neutros.
Neutro não!
Indiferente talvez.
É que me perguntam o que não quero responder,
Falam do que não me interessa
E eu afirmo o que não entendo,
E eu nem era espelho p´ra ninguém...
A poesia me enlouqueceu
Porque é livre e tem correntes,
É leve e como chumbo
E é louca,
Louca, comedidamente louca,
E fez uma festa em mim.
to be/alive
ser ou estar.
somos vivos, estamos vivos.
nem mortais, nem imortais.
nada temos com morte ou imortalidade.
nós não morremos.
nós apenas vivemos
ou vivemos a plenos pulmões,
ainda que conjuguemos o verbo
erradamente,
nós vivemos!
-"seu chato!"
Tenho debochado
dos mortos
ou dos que amam
os mortos
porque os mortos
e os que os animam
querem me enterrar
na mesma cova
onde jazem
de corpo, intelecto
e vontade.
umbral
...E reclamaria a DEUS:
- Ó Deus,
Por que me atiraste
(pérola)
A estes porcos?
E DEUS responderia:
- Tu te arrojaste a eles.
A lama é o último resquício
Da vossa ligação;
Livra-te do teu passado lodal
Ou esquece o teu futuro de jóia!
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
putos
pane
pânico
penico
pantomima
pão
pan
panamericano
pandemônio
Mãe solteira
O filho nas costas
Cagado, fedendo a bosta
Remelento
O nariz escorrendo
Filho sujo
O tiro nas costas
Portas lacradas
Censura imposta
Caras fechadas
Tudo fachada
perigo
patrão
pátria
pária
patrulha
pantanal
poeta
palhaço
pacato
PANACA!
Vontade
Vontade de falar de mim
ou de qualquer coisa tola para não ser lembrado
dos homens armados que me guardam
dos homens que pensam e falam por mim
das instituições que me moldam.
Vontade de ser eu sem eles
sem algo de mim como eu sinto
talvez ser o que sonham de mim
ou não ser
ou não sentir
ou não falar
só querer
enquanto vivo.
in vogue
Quando raspei a cabeça
cabelos já não importavam.
Quando comprei um coturno
ele já não pisava ninguém.
Quando escrevi este poema
poetas me causavam nojo.
Eu não tinha televisão
e nunca apareci em comerciais.
Magia
talvez tenha sido o medo
de dizer o que eu sentia
e ser interpretado como mentira
agora ela se foi
e nada
nem coragem nem verdade
nada do que eu disser
trará novamente
o encanto que se perdeu
do olhar
sábado, 5 de janeiro de 2013
Primavera Esperando Setembro
Um louco
Com o rosto banhado em lágrimas
Um farrapo humano
Num corpo que, até um minuto,
Era a juventude.
Foi quando o tempo parou
Para ver a vida passar
Tinha um gosto de felicidade
Algum cheiro de sonho
Mas eu te vi chorar
Sufocando o riso
Fechando as portas perceptivas...
E fui deixando agosto sem voltar.
Celebração
Não foi ao baile.
Não pode mais compartilhar
Daquela alegria tola.
Não, não estava esperando
Ninguém especial.
Ficou o tempo todo
Olhando para o vazio.
Não planejava ir a outra
Comemoração.
Não havia luto.
Outra revolução.
Lá pelas tantas horas
Veio um verso,
Um único e mísero verso...
E houve uma festa.
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