Pierrot

Pierrot
la tristesse

terça-feira, 23 de agosto de 2016

HOMENS-BOMBA-SEM-RAZÃO



Nós,

Homens-bomba ocidentais,

Quando explodimos,

Só matamos

A quem amamos,

Aos que lutam ao nosso lado.




Homens Azuis




Diante do consumismo,


Num país elitista como o Brasil, 

Todos somos ricos.

Há apenas uma sensível diferença intraclasse:

Há ricos que comem demais e ricos que morrem de fome;

Há ricos que escravizam e ricos escravizados, e escravos;

Há ricos que matam e ricos que são mortos;

Há ricos que mandam na polícia e ricos subjugados por ela;

Há ricos que controlam e ricos que são controlados;

Há ricos que roubam e ricos que são roubados;

Há ricos que criam deuses e ricos que os servem;

Tudo isto se dá porque há ricos que pensam e ricos manobrados,

Ricos que sabem que são ricos e ricos que não sabem quem são,

De onde vieram, o que têm... ou não têm.





quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Panfleto


"Meu olhar, minha visão é de guerra." 

ktarse. in: Inflamando a Insurgência.



Na periferia,
O diálogo entre
A polícia e a população
É um monólogo
Monossilábico
Em três atos:

Pow! Pow! Pow!

Tatuagens, dialetos, pele, roupas...
São como uniformes de um exército inimigo,
Elevando  à máxima potência o etnocídio
Numa democracia civil-militarizada
De um país sujo e higienista.

Mas nossos mortos têm vozes
Que assombram seus algozes!

Desmilitarize já!
A polícia!
A política!
A escola!
A igreja!
O campo!
A fábrica!
A arte!
A sociedade!

Já acabou? 
Tem que sumariar!



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Criacionice



Um dia, 
a divindade criou a vida
e concedeu-lhe um mecanismo
autônomo.

Em seguida,
criou a morte, 
como mecanismo autômato
que se autonomiza
ao automatizar 
a autonomia.

Introspecção



Fui fundo

Tenho sede de profundidade

Em tudo

Na fundura do poço

Do posso

Do quero

E do faço


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Antes cedo do que nunca



Os mortos estão livres.
Não obedecem a homens nem deuses.
Mas, uma liberdade póstuma
É demasiado tardia.
Só é livre quem tem vontade própria,
Decide por si mesmo
E assume as consequências
De seus quereres, sentires, pensares e agires,
No tempo de sua Vida.
Eternidade é só uma noção,
Um devaneio do efêmero
Ante a mediocridade do ser não-ser.

Classe C



Nós, os pobres,
nos vestimos como ricos,
pensamos como milionários,
dormimos como reis,
comemos como mendigos,
trabalhamos como escravos, 
nos educamos como estúpidos.

Relatividade



Tempo e Espaço são palcos.
São nossas ideias, pensamentos e ações
Que dão vida ao drama, modificam as realidades.

"Eu não quero este!"
"Eu não quero aquilo!"

Uns têm ideias libertárias,
Outros escravizam-se às ideias de terceiros.

Assim caminha a humanidade...
Ou não.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Um poema de sonho e sangue




Perdido com um guerreiro que entra
voluntariamente
no fogo de guerras que não são suas,
às vezes há dificuldades enormes
em escrever um verso,
pois ele exige a dor que descreve;
às vezes, eu só queria chorar,
abraçar alguém;
às vezes eu só queria morrer,
como se solidão só fosse pouco;
às vezes, eu ando pelas ruas de diversas cidades
e paro defronte de casarões antigos,
como um em que morava um amigo de infância, 
fazendo elucubrações de ópio,
pensando ser ali a minha casa;
às vezes, eu só (notem o 'só' novamente)
eu só queria ir para casa;
às vezes, eu só queria,
realmente,
saber onde é a minha casa.



O que é o Amor



Só existe um deus
Onipresente
Plenipotente
E que não quer saber de nada
Que transforma pecado em virtude
Sexo em sublimidade
Corpo em Corpo
Num só desejo
Puro e humano
Fazendo que o eterno inveje o efêmero
Que se eterniza por se permitir
Como plenitude sem fulminação
Que rompe tempo e espaço
Não criando, mas desafiando
Para que possíveis e impossíveis
Sejam um só
eternamente juntos e felizes



Intelectualidade Mínima




Eu sou um espírito livre
Um livre pensador
Exercendo trabalho escravo
Numa sociedade tradicionalmente escravocrata.

Um intelectual que escreve
Com o pulso algemado.

Um sonhador que sulca mundos
Preso a bola e corrente.

Um super vivente que apenas subvive.

Resisto, logo Existo!