Pierrot

Pierrot
la tristesse

domingo, 7 de novembro de 2021

Raphael Du Gueto

 Ao poeta Guilherme Siqueira de Andrade, em congratulação.


Canto e Liberdade


Canto de cantar


Canto de ficar


Liberdade de cantar


Sobre o seu


Canto.


Canto do Povo


É um grito de Liberdade


Raízes de nossas Lutas


Nossa Ancestralidade


Frutiferando.


domingo, 17 de outubro de 2021

Audácia

  

Eu sempre sinto medo,

Mas a realidade

Nunca me dá escolha

Senão lutar.


Já tenho inimigos suficientes

Para uma vida de guerras sem fim:

Não preciso combater

A quem amo, a quem me ama.


Tenho quase meio século

De vida e lutas:

Eu sei quanto

A minha cabeça não vale.


Solidão de Pensar

 

Dói pensar

Que ela prefere

Estar sozinha,

Como se houvéssemos nascido

Para esta solidão

A dois.

Tem que ter sobrado

Algo com ela.

Não é possível

Amar tanto assim, sozinho!

Eu não consigo seguir em frente.

Não sobrou nada para mim.

Não sobrou nada de mim.

E me perco da realidade

Muito facilmente.


ENQUANTO OS INTELECTUAIS RECLAMAM ÓCIO

 

I - Enquanto a intelectualidade reclama ócio, 

O discurso da não-violência

É a principal arma prática

Dos violentos.


II - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,

Armas são correntes, 

Nós corrediços;

Não ponhas teus pulsos

Nem teu pescoço nisso!


III - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,

Nas redes sociais,

Vence o debate quem profere

A maior ou a última estupidez.


IV - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,

Apropriar-se não só dos termos,

Mas dos conceitos, aplicações e implicações.


V - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,

Será que um dia

Os pobres se cansarão de alimentar os ricos?


VI - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,

O STF ainda reza missa em latim.


VII - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,

Os representantes do povo, na democracia,

Ainda habitam suntuosos palácios.


VIII - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,

Bolsões de miséria são bolsões de violência:

A criação da miséria é violenta.

A manutenção da miséria é violenta.

O massacre da miséria é violento.

A paz na miséria é violenta.

E a tudo a miséria reage violentamente,

Entre pares,

Quando deveria reagir violentamente

Contra a violência

Que a cria,

Que a mantém,

Que a massacra 

E a apazigua!


IX - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,

Soltemos os presos políticos!

Prendamos os políticos de carreira!


X - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,

Eu sou um dinossauro

Ansiando por um meteoro.


segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Flores Plúmbeas

 

O beija-flor

Voava com um buquê

Quando foi abatido

Por um tiro na asa.

Eu acorri a ela

Com chocolates e poemas

E esbarrei num olhar frio,

Numa atitude indiferente.

Os chocolates derreteram,

Os poemas se desfizeram

Em minhas mãos.

Preferira um punhal no peito;

Ah, que inveja do beija-flor!


Marximizando

 

Sem propriedade privada

Não há escravidão.

Afinal,

O escravizado é uma propriedade

Privada

De Humanidade,

Utilizada na mais-valia

Da acumulação exorbitante.


Deus é um déspota absolutista.

O Diabo, 

Um underground conservador

Que inspira e não pratica

Para depois acusar.


Resta a Humanidade.


E os poetas.


Entre a televisão e o eito:

Senzala ô, senzala.

Favela ê, favela.


"Liberdade, Liberdade..."


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Mais uma sobre a Relatividade

 

Presente e Futuro

Se confundem

A cada milésimo de segundo.

O Passado é cumulativo.

Dele, nada decresce

E, mesmo dando tudo ao Presente

Para se projetar no Futuro,

Acumula ainda mais,

Engloba, alimentando-se

Das arestas surgidas

Da tensão

Presente-Futuro.


Da Relatividade

 

Um milésimo de segundo

Antes da tragédia

Tudo ainda tem volta.

O pensamento e o primeiro gesto

São atos-reflexos.

É depois,

Quando só há o remorso,

O "devia ter..."

Que algo já está partido,

Que o tempo se esvai...

E, se volta,

Traz as cicatrizes,

As feridas latentes

De um perdão não ouvido.



terça-feira, 5 de outubro de 2021

Fúria e Sensibilidade

 

Sendo o prazer do artista

Criar

E sua necessidade

Expor,

A minha poesia

Tem uma veia estética

E cumpre um papel social

Que, por vezes,

Se chocam e se fundem.


ABsoneto/OBsoneto

 

Escrever... E pensar...

E ainda... Existir...

Aos diabos!

Quem poderia me exigir tanto?

Produzir arte

Em determinadas condições

É mais um aborto

Do que um parto.


Todas as Saudades

 

De tanto ser deixado

Para esquecer,

Às vezes,

Eu só quero esquecer.

Pois,

De tanto ser deixado

Para esquecer,

Também eu,

Aprendi a deixar;

Só não esqueço.


Momentos Se Vão

 

Viva o momento!

Posto que,

Nada dura para sempre,

Quando o momento se for,

Você terá

Algo bom para lembrar

Ou algo ruim

Para tentar esquecer.

Mas, o momento...

Nunca mais o momento.


terça-feira, 14 de setembro de 2021

Choramos Sozinhos

 

Eu fui feliz com alguém.

Antes, eu era feliz sozinho:

O Impossível era o meu cotidiano.


Serei hoje

A solidão

De alguém?


Na solidão,

No desespero e desamparo

Qualquer miragem encanta,

Qualquer mentira acalanta.


Tão perto e tão longe!

Juntamos duas solidões

E choramos separados.


Teu Silêncio Grita Em Mim

 

Às vezes, 

Gostaria de pensar

Que estou apaixonado,

Talvez, por outra moça.

Mas é por tua lembrança

Que o meu pensamento treme.

Me dói mais não poder

Dizer que a amo,

Não poder dizer

O quanto é bela,

O quanto é especial,

Não poder compartilhar

Momentos bons e difíceis...

E este meu silêncio

Grita em mim

Louca, irracionalmente.

Nossa Dança

 

Eu sinto você

Dentro da minha própria pele

Toque e silêncio

A emoção toma o momento

Num momento de quietude

Amo teu gemido

Amo teu arfar

Como ouvisse um jazz ao fundo

Num quarto fora do tempo e do espaço

Um céu de prazer e luz

Uma dança sem compasso

Apenas a sensação de dois

Tornando-se um

E amanhã, se existir amanhã

Seremos a inspiração de quem ama e sente

Seremos o deleite de quem é amado

E goza o amor

Como quem ouve estrelas

Em pleno dia

Sem abrir as janelas

Amo dançar, amo jazz

Amo a música e a dança

Que é você.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Mesmo sabendo que o certo está errado?

 

Quem cultua deuses

De púlpitos e palanques

Não pode admitir

Que errou ou foi enganado.

Isto contraria 

A perfeição dos deuses

E o justo caráter de seus servos.

Daí, advém,

Tanto na religião como na política,

A defesa do indefensável.


Mesmo errado, certo é do meu jeito!

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Inolvidável


Toda vez que como,

Penso se você está comendo bem;

Toda vez que deito ou levanto,

Penso se você está dormindo ou acordando bem;

Toda vez que sorrio,

Penso se você está feliz;

Toda vez que choro,

Espero estar chorando por nós dois,

E fico torcendo,

Toda vez,

Que você não se lembre de mim,

Que você não se importe comigo,

Que você não sofra da mesma saudade,

Da mesma distância,

Que eu sofro por ti.



sábado, 10 de julho de 2021

Eis Outra Questão

 

O Poeta

 

É Apenas Um Ser


Com Toda A Sua Gama


De Infinitas Possibilidades De 


SER


E NÃO SER.

Baixou a Distopia

 

Hoje é apenas


Dia 28


Ainda

 

Tem Junho pra caramba


Este mês!



Diarreia Verborrágica

 

Discutir filosofia, política e artes

Aos socos e pontapés

Ou comendo farinha seca

É um tanto obscurecedor.


Calor e Frio

 

A minha alma

Tem altos relevos

Profundos sulcos

Planícies estéreis

Chuvas tempestuosas

Ventos de solidão

- Depressões -

Uma quinta Estação

Onde Tempo e Temperatura 

São Relativos.

Canto Triste

 

Quando escrevi

Última Canção de Dezembro

Sonhei jamais escrever

Canto de Solidão

Canto de Desamparo

Mas sabe como são 

Os Sonhos de um Triste

Hoje, restam-me

Esta Solidão

Este Desamparo

E Eu Cantar

TEMPOS TENEBROSOS, TEMPOS DE LUTA

 

Descolonize

        Descristianize

                Descapitalize

                        Desnazifique


Os mundos

As vidas

As ontologias

Proletários do mundo, uni-vos!

E, lutando contra o dragão genocida capitalista,

Anarquizando-o e barbarizando-o,

Humanizai-vos;

Levantai-vos;


TEMPOS TENEBROSOS SÃO TEMPOS DE LUTAS!



ATOS DOS POETAS



Amo os pecados da carne


Do churrasco ao sexo


Tudo regado a vinho 






 



Fogo Em Wall Street, Bombas Em Davos

 

Não somos servos

Escravos

Subordinados

Propriedades de ninguém!

Não somos senhores

Mestres

Reis

Donos de nada!

Somos Pares

Numa sociedade desigual

Párias

Numa sociedade desumana

Nadas

Numa sociedade monetarizada!

A sociedade nos degenerou

Em roubos e posses e coisas

Nos desmundou ao colonizar-nos

Nos barbarizou ao classificar-nos

Nos assassinou ao capitalizar-nos:


A sociedade é o 'Lobo do Homem'!

Cortar O Mal Pela Cabeça

 


No destino do rebanho


Não há diferença


Entre lobos e pastores.





Quadros de Solidão


Já ao dia,

Era uma verdade turva.

Aí, vem a noite

Lançar novas escuridões

Aos meus olhos de poeta louco.

A exemplo de Edward Hooper,

Eu sou um cantador de solidões,

Vivendo em silente agonia,

Numa solidão desamparada,

Cujos cantares

Eu não sei desabrochar.

Direi que a amo todos os dias.

Se ela não me der ouvidos,

Direi a mim mesmo,

Não carregarei por epitáfio

Este "devia ter...":

A amarei por mim mesmo,

Amarei a minha solidão por ela.

Quem resgata alguém à solidão

Nunca mais será sozinho.

Eu sigo como um acúmulo

De ansiedades e frustrações.




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Louco afã

 

Não posso ser teu amigo. 

Eu seria um amigo covarde,

Infiel, desleal, ardiloso e malicioso. 

Ficaria o tempo todo 

Desejando tu corpo,

Teus beijos,

Teus abraços,

Teu íntimo;

Cada curva, cada suspiro,

Cada olhar, cada pelo, cada poro.

Eu te desejo tanto 

Que chega a ser crime,

Pecado. 

Cada riso, cada pranto,

Teu inferno e teu céu,

Teu gozo e teu martírio,

Cada lágrima,

Cada suor,

Todo poro.

Eu te desejo tanto 

Que nem sei se é direito 

Desejar alguém assim 

ou ainda,

Que aquele que ganhar 

Teu venturoso afeto

Seja tão bom para ti

Como eu apenas posso sonhar ser. 

LAPSOS E LAMPEJOS

 

Para os que amam efemérides,


Pensar em eternidade


É uma loucura momentânea. 



terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Pôr-do-Sol

 

A cada pôr-do-sol,

Revolve-me em dentro 

Uma lembrança de chumbo.

Ela se foi,

Ainda vivíssima em mim,

Deixando algo de saudoso 

Que eu não sei recriar,

Ou esquecer,

Nem com palavras,

Nem com lágrimas. 



sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Dentes-de-sabre, ou os 3 Poderes.

 

Se,

Para entrar em buraco de rato,

De rato você tem que transar,

Cuidado para não confundir 

Buracos de ratos

Com tocas

De leões, hienas e chacais!

A sordidez pode até ser a mesma,

Mas as mandíbulas...


quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Estraga-prazeres

Quando entrei na tua vida

Eras feliz e eu não sabia 

Se soubesse 

Teria te evitado 

Mudado de calçada

Dobrado esquinas 

Levado a minha solidão 

A outros descaminhos 

Não era a minha intenção 

Estragar uma felicidade 

Que não me pertencia


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Obituário

Faleceu hoje 

Ou amanhã, ou ontem 

Anônimo 

Aos 42 anos 

Covid-19 

Deixou companheira, filhos 

Emprego extenuante 

Contas impagáveis 

Cobranças 

Ameaças, pesadelos 

Sonhos e promessas vãos 

Está livre, enfim 

Lamenta-se apenas 

Ser esta a única forma de liberdade. 


sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Luta por dois

 

Por ela,

Enfrentei 

Não o mundo,

Mas a mim mesmo:

Luta insana,

Desigual, suja!

E, fraco, covarde,

Venci-me a mim 

E, derrotado,

Chorando inconsolável,

Volvi à solidão 

Que sempre fui.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Space Oddit By Glass


Para nós,

Que degustamos pequenos instantes,

 A velocidade da luz 

Seria se perder no tempo. 

Vivemos já 

Num mundo tão acelerado,

Que parece nunca ter havido 

Ontem 

Nem haverá amanhã;

Onde o tempo é perda de tempo,

Onde o tempo se perdeu do tempo. 

Arquétipos


Se as coisas 

E as pessoas 

Fossem 

Como gostaríamos 

Que fossem,

O mundo seria

Algo insuportável!

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

domingo, 3 de janeiro de 2021

Meu Casulo

 

Como me tornei poeta?

Dizem que foi por um beijo. 

Mas o beijo nem houve;

Alguns dizem que me apaixonei;

Há quem diga que havia 

Uma faca entre os dentes 

E outra na garganta;

E, também, quem sustente

Que simplesmente enlouqueci,

Que não tomei o remédio corretamente...

Doses excessivas, talvez...

Fato é que choro e canto,

Rio, sofro e sinto,

Suo, sangro e danço ,

Convalesço e estiolo,

Mato e imortalizo:

Doi em mim

E faço doer nos outros,

Toca em mim e floreio...

E vou metendo poesia em tudo.