Ao poeta Guilherme Siqueira de Andrade, em congratulação.
Canto e Liberdade
Canto de cantar
Canto de ficar
Liberdade de cantar
Sobre o seu
Canto.
Canto do Povo
É um grito de Liberdade
Raízes de nossas Lutas
Nossa Ancestralidade
Frutiferando.
poesia marginal
Ao poeta Guilherme Siqueira de Andrade, em congratulação.
Canto e Liberdade
Canto de cantar
Canto de ficar
Liberdade de cantar
Sobre o seu
Canto.
Canto do Povo
É um grito de Liberdade
Raízes de nossas Lutas
Nossa Ancestralidade
Frutiferando.
Eu sempre sinto medo,
Mas a realidade
Nunca me dá escolha
Senão lutar.
Já tenho inimigos suficientes
Para uma vida de guerras sem fim:
Não preciso combater
A quem amo, a quem me ama.
Tenho quase meio século
De vida e lutas:
Eu sei quanto
A minha cabeça não vale.
Dói pensar
Que ela prefere
Estar sozinha,
Como se houvéssemos nascido
Para esta solidão
A dois.
Tem que ter sobrado
Algo com ela.
Não é possível
Amar tanto assim, sozinho!
Eu não consigo seguir em frente.
Não sobrou nada para mim.
Não sobrou nada de mim.
E me perco da realidade
Muito facilmente.
I - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
O discurso da não-violência
É a principal arma prática
Dos violentos.
II - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Armas são correntes,
Nós corrediços;
Não ponhas teus pulsos
Nem teu pescoço nisso!
III - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Nas redes sociais,
Vence o debate quem profere
A maior ou a última estupidez.
IV - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Apropriar-se não só dos termos,
Mas dos conceitos, aplicações e implicações.
V - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Será que um dia
Os pobres se cansarão de alimentar os ricos?
VI - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
O STF ainda reza missa em latim.
VII - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Os representantes do povo, na democracia,
Ainda habitam suntuosos palácios.
VIII - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Bolsões de miséria são bolsões de violência:
A criação da miséria é violenta.
A manutenção da miséria é violenta.
O massacre da miséria é violento.
A paz na miséria é violenta.
E a tudo a miséria reage violentamente,
Entre pares,
Quando deveria reagir violentamente
Contra a violência
Que a cria,
Que a mantém,
Que a massacra
E a apazigua!
IX - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Soltemos os presos políticos!
Prendamos os políticos de carreira!
X - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Eu sou um dinossauro
Ansiando por um meteoro.
O beija-flor
Voava com um buquê
Quando foi abatido
Por um tiro na asa.
Eu acorri a ela
Com chocolates e poemas
E esbarrei num olhar frio,
Numa atitude indiferente.
Os chocolates derreteram,
Os poemas se desfizeram
Em minhas mãos.
Preferira um punhal no peito;
Ah, que inveja do beija-flor!
Sem propriedade privada
Não há escravidão.
Afinal,
O escravizado é uma propriedade
Privada
De Humanidade,
Utilizada na mais-valia
Da acumulação exorbitante.
Deus é um déspota absolutista.
O Diabo,
Um underground conservador
Que inspira e não pratica
Para depois acusar.
Resta a Humanidade.
E os poetas.
Entre a televisão e o eito:
Senzala ô, senzala.
Favela ê, favela.
"Liberdade, Liberdade..."
Presente e Futuro
Se confundem
A cada milésimo de segundo.
O Passado é cumulativo.
Dele, nada decresce
E, mesmo dando tudo ao Presente
Para se projetar no Futuro,
Acumula ainda mais,
Engloba, alimentando-se
Das arestas surgidas
Da tensão
Presente-Futuro.
Um milésimo de segundo
Antes da tragédia
Tudo ainda tem volta.
O pensamento e o primeiro gesto
São atos-reflexos.
É depois,
Quando só há o remorso,
O "devia ter..."
Que algo já está partido,
Que o tempo se esvai...
E, se volta,
Traz as cicatrizes,
As feridas latentes
De um perdão não ouvido.
Sendo o prazer do artista
Criar
E sua necessidade
Expor,
A minha poesia
Tem uma veia estética
E cumpre um papel social
Que, por vezes,
Se chocam e se fundem.
Escrever... E pensar...
E ainda... Existir...
Aos diabos!
Quem poderia me exigir tanto?
Produzir arte
Em determinadas condições
É mais um aborto
Do que um parto.
De tanto ser deixado
Para esquecer,
Às vezes,
Eu só quero esquecer.
Pois,
De tanto ser deixado
Para esquecer,
Também eu,
Aprendi a deixar;
Só não esqueço.
Viva o momento!
Posto que,
Nada dura para sempre,
Quando o momento se for,
Você terá
Algo bom para lembrar
Ou algo ruim
Para tentar esquecer.
Mas, o momento...
Nunca mais o momento.
Eu fui feliz com alguém.
Antes, eu era feliz sozinho:
O Impossível era o meu cotidiano.
Serei hoje
A solidão
De alguém?
Na solidão,
No desespero e desamparo
Qualquer miragem encanta,
Qualquer mentira acalanta.
Tão perto e tão longe!
Juntamos duas solidões
E choramos separados.
Às vezes,
Gostaria de pensar
Que estou apaixonado,
Talvez, por outra moça.
Mas é por tua lembrança
Que o meu pensamento treme.
Me dói mais não poder
Dizer que a amo,
Não poder dizer
O quanto é bela,
O quanto é especial,
Não poder compartilhar
Momentos bons e difíceis...
E este meu silêncio
Grita em mim
Louca, irracionalmente.
Eu sinto você
Dentro da minha própria pele
Toque e silêncio
A emoção toma o momento
Num momento de quietude
Amo teu gemido
Amo teu arfar
Como ouvisse um jazz ao fundo
Num quarto fora do tempo e do espaço
Um céu de prazer e luz
Uma dança sem compasso
Apenas a sensação de dois
Tornando-se um
E amanhã, se existir amanhã
Seremos a inspiração de quem ama e sente
Seremos o deleite de quem é amado
E goza o amor
Como quem ouve estrelas
Em pleno dia
Sem abrir as janelas
Amo dançar, amo jazz
Amo a música e a dança
Que é você.
Quem cultua deuses
De púlpitos e palanques
Não pode admitir
Que errou ou foi enganado.
Isto contraria
A perfeição dos deuses
E o justo caráter de seus servos.
Daí, advém,
Tanto na religião como na política,
A defesa do indefensável.
Mesmo errado, certo é do meu jeito!
Toda vez que como,
Penso se você está comendo bem;
Toda vez que deito ou levanto,
Penso se você está dormindo ou acordando bem;
Toda vez que sorrio,
Penso se você está feliz;
Toda vez que choro,
Espero estar chorando por nós dois,
E fico torcendo,
Toda vez,
Que você não se lembre de mim,
Que você não se importe comigo,
Que você não sofra da mesma saudade,
Da mesma distância,
Que eu sofro por ti.
O Poeta
É Apenas Um Ser
Com Toda A Sua Gama
De Infinitas Possibilidades De
SER
E NÃO SER.
Discutir filosofia, política e artes
Aos socos e pontapés
Ou comendo farinha seca
É um tanto obscurecedor.
A minha alma
Tem altos relevos
Profundos sulcos
Planícies estéreis
Chuvas tempestuosas
Ventos de solidão
- Depressões -
Uma quinta Estação
Onde Tempo e Temperatura
São Relativos.
Quando escrevi
Última Canção de Dezembro
Sonhei jamais escrever
Canto de Solidão
Canto de Desamparo
Mas sabe como são
Os Sonhos de um Triste
Hoje, restam-me
Esta Solidão
Este Desamparo
E Eu Cantar
Descolonize
Descristianize
Descapitalize
Desnazifique
Os mundos
As vidas
As ontologias
Proletários do mundo, uni-vos!
E, lutando contra o dragão genocida capitalista,
Anarquizando-o e barbarizando-o,
Humanizai-vos;
Levantai-vos;
TEMPOS TENEBROSOS SÃO TEMPOS DE LUTAS!
Não somos servos
Escravos
Subordinados
Propriedades de ninguém!
Não somos senhores
Mestres
Reis
Donos de nada!
Somos Pares
Numa sociedade desigual
Párias
Numa sociedade desumana
Nadas
Numa sociedade monetarizada!
A sociedade nos degenerou
Em roubos e posses e coisas
Nos desmundou ao colonizar-nos
Nos barbarizou ao classificar-nos
Nos assassinou ao capitalizar-nos:
A sociedade é o 'Lobo do Homem'!
Já ao dia,
Era uma verdade turva.
Aí, vem a noite
Lançar novas escuridões
Aos meus olhos de poeta louco.
A exemplo de Edward Hooper,
Eu sou um cantador de solidões,
Vivendo em silente agonia,
Numa solidão desamparada,
Cujos cantares
Eu não sei desabrochar.
Direi que a amo todos os dias.
Se ela não me der ouvidos,
Direi a mim mesmo,
Não carregarei por epitáfio
Este "devia ter...":
A amarei por mim mesmo,
Amarei a minha solidão por ela.
Quem resgata alguém à solidão
Nunca mais será sozinho.
Eu sigo como um acúmulo
De ansiedades e frustrações.
Não posso ser teu amigo.
Eu seria um amigo covarde,
Infiel, desleal, ardiloso e malicioso.
Ficaria o tempo todo
Desejando tu corpo,
Teus beijos,
Teus abraços,
Teu íntimo;
Cada curva, cada suspiro,
Cada olhar, cada pelo, cada poro.
Eu te desejo tanto
Que chega a ser crime,
Pecado.
Cada riso, cada pranto,
Teu inferno e teu céu,
Teu gozo e teu martírio,
Cada lágrima,
Cada suor,
Todo poro.
Eu te desejo tanto
Que nem sei se é direito
Desejar alguém assim
ou ainda,
Que aquele que ganhar
Teu venturoso afeto
Seja tão bom para ti
Como eu apenas posso sonhar ser.
A cada pôr-do-sol,
Revolve-me em dentro
Uma lembrança de chumbo.
Ela se foi,
Ainda vivíssima em mim,
Deixando algo de saudoso
Que eu não sei recriar,
Ou esquecer,
Nem com palavras,
Nem com lágrimas.
Se,
Para entrar em buraco de rato,
De rato você tem que transar,
Cuidado para não confundir
Buracos de ratos
Com tocas
De leões, hienas e chacais!
A sordidez pode até ser a mesma,
Mas as mandíbulas...
Quando entrei na tua vida
Eras feliz e eu não sabia
Se soubesse
Teria te evitado
Mudado de calçada
Dobrado esquinas
Levado a minha solidão
A outros descaminhos
Não era a minha intenção
Estragar uma felicidade
Que não me pertencia
Faleceu hoje
Ou amanhã, ou ontem
Anônimo
Aos 42 anos
Covid-19
Deixou companheira, filhos
Emprego extenuante
Contas impagáveis
Cobranças
Ameaças, pesadelos
Sonhos e promessas vãos
Está livre, enfim
Lamenta-se apenas
Ser esta a única forma de liberdade.
Por ela,
Enfrentei
Não o mundo,
Mas a mim mesmo:
Luta insana,
Desigual, suja!
E, fraco, covarde,
Venci-me a mim
E, derrotado,
Chorando inconsolável,
Volvi à solidão
Que sempre fui.
Para nós,
Que degustamos pequenos instantes,
A velocidade da luz
Seria se perder no tempo.
Vivemos já
Num mundo tão acelerado,
Que parece nunca ter havido
Ontem
Nem haverá amanhã;
Onde o tempo é perda de tempo,
Onde o tempo se perdeu do tempo.
Se as coisas
E as pessoas
Fossem
Como gostaríamos
Que fossem,
O mundo seria
Algo insuportável!
Como me tornei poeta?
Dizem que foi por um beijo.
Mas o beijo nem houve;
Alguns dizem que me apaixonei;
Há quem diga que havia
Uma faca entre os dentes
E outra na garganta;
E, também, quem sustente
Que simplesmente enlouqueci,
Que não tomei o remédio corretamente...
Doses excessivas, talvez...
Fato é que choro e canto,
Rio, sofro e sinto,
Suo, sangro e danço ,
Convalesço e estiolo,
Mato e imortalizo:
Doi em mim
E faço doer nos outros,
Toca em mim e floreio...
E vou metendo poesia em tudo.