Como me tornei poeta?
Dizem que foi por um beijo.
Mas o beijo nem houve;
Alguns dizem que me apaixonei;
Há quem diga que havia
Uma faca entre os dentes
E outra na garganta;
E, também, quem sustente
Que simplesmente enlouqueci,
Que não tomei o remédio corretamente...
Doses excessivas, talvez...
Fato é que choro e canto,
Rio, sofro e sinto,
Suo, sangro e danço ,
Convalesço e estiolo,
Mato e imortalizo:
Doi em mim
E faço doer nos outros,
Toca em mim e floreio...
E vou metendo poesia em tudo.
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