domingo, 23 de fevereiro de 2014
Hesitação
Tenho quase certeza
que a vi aqui
outro dia...
ou era noite..
ou estava chuvoso.
Bem, isso não importa!
O fato é que voltei
e não a encontrei.
Já não sei se ela vem.
nem mesmo sei se existe,
se olhará para mim,
mas já me sinto esperando.
Solidez
Sim, fugir das paixões
- Este caminhar por estradas
De lágrimas e sonhos
Sob uma fina lâmina de água cósmica
Que fere como faca
Acalenta como o amor
E foge
Trazendo a saudade como alívio
A solidão como companhia.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Febre de mundos
Uma música
Qualquer
E ela dançando à minha frente
Uma dança que já não se dança.
Ela, inexistente também.
Só eu, a minha cabeça,
Um pouco de dor...
Zás! é preciso doer a cabeça,
O corpo dançar,
Um riso doentio,
O caderno vivo,
Os sonhos... Ah´sonhar depois...
Agora, o riso idiota,
A convulsão que cura,
A febre inspiradora,
A morte como glória:
Imortalidade!
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
O meu coração bate em descompasso com o mundo
parece não haver mais nada
que me revolte
nada mais para escrever
nada que valha a pena viver
as músicas de sempre
as coisas de nunca
não quero fugir
pois já me tornei
prisioneiro da estrada
nada nada nada
algo aqui deve morrer
e começar qualquer coisa nova
a solidão me abandonou
?loucura !sei lá
tudo é tão certo
só eu sabotando a vida
: o meu coração bate
em descompasso com o mundo
Púlpitos
De cima do palco é fácil protestar.
O palco é um pedestal
- Intocável! -
Quero ver descer às ruas,
Se misturar aos mortais,
Desafiar os deuses:
Transformar palavras em ações.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
linha evolutiva do pensamento universal
O vai-e-vem da história:
adiante e atrás
antes e depois
vanguarda e retaguarda
nas mentes vazias
tudo é
retrossexo.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Cavalaria-Errante
Uma cavalaria em manobras de campanha.
Cada um imerso em seus próprios pensamentos
- Profundíssimos -
Nautas de cavalos de uma linhagem cósmica,
Nautas de absurdos tempos e espaços.
Alguém à beira do caminho
Atrai o meu olhar por um instante
E logo desaparece.
Não tenho retrovisor.
Alguém assim
Não compreenderá a minha saga.
hoje tem menos nuvens
Me prometeu o céu
Alguém
Que não tinha
Uma única nuvem para si
E me trouxe um universo.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
MÁ SINA
Vinha pela rua,
Cantarolando mentalmente uma canção,
Quando, em meio a um solo imaginário,
Me vieram estes versos;
Caso alguém se reconheça neles,
Tome muito cuidado!
Há pessoas
tão mesquinhas
com os seus sentimentos
quanto os avarentos
com o seu dinheiro;
E não rasgam nem quando enlouquecem!
Não doam, não se doam!
Não rasgam, não se rasgam!
Não entregam, não se entregam!
Nããããããaoooo!!!!
Ahhhhhhhhhh!!!!
Cinzas sobre cinzas
Quando nada mais restar
Haverá um poeta
Praguejando e tripudiando
Sobre as cinzas de Tudo,
As cinzas do velho Cosmo.
mordaça e venda
Devemos mais do que temos!
Demos mais do que devemos!
Outros não se rebelam
E é preciso uma revolução por dia!
Eis aqui
O grande nada da existência,
Em tudo por tudo.
Mas a indignação não é permissível
E o vento
- Incapaz de guardar segredos -
Revelou nos seus sussurros
Toda a podridão que havíamos
Testemunhado.
Aliens
Eu pertenço a este mundo.
Às vezes penso que só eu
Pertenço a este mundo.
Outros criaram
Para si um mundo
Diferente, um mundo
De excessos.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Idílio
deixa chover lá fora.
os outonos existem
para acalmar a natureza
da convulsão
que os homens provocam
ao seu redor.
eu penso no amor
como o serenar de minhas asas;
de cima, vi as pessoas
a buscar seus afins,
e agora, que o ar esfria,
é preciso mais que alento,
é preciso acalanto
para aquecer os corações,
antes do inverno
-que vem!-
exigindo calma e calor
e nos empurra para cada casa,
toca, caverna, antro que seja,
e nos inspira a formar um lar.
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