quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Verbo In-Transitório
Por que Partimos?
Ficar é uma inércia.
Partir é uma ação,
Uma emoção,
Outra im-possibilidade.
terça-feira, 28 de novembro de 2017
Carpe Diem
Cada momento é único,
Jamais se repetirá.
Vivo cada um com esta convicção,
Sugo todo prazer e felicidade
Possíveis e Impossíveis,
O que me é ofertado
Sem me importar com o depois,
Com o que dizem,
O que pensam,
Como julgam.
Se houvesse pecado, eu assumiria;
Se fosse crime, eu cometeria,
Sem arrependimento nem remorso
Do Efêmero-Eterno no Eterno-Efêmero.
Veneno na Letra
Quando os saraus tratam a poesia tão atropeladamente,
O palco expande-se ou reduz-se a púlpito e palanque,
Do qual o tal poeta
Se presta a repetir modismos em voga
E a recitar poemas fingidos e alienados
Anti isto e pró aquilo que esteja em pauta,
Seja lá o que isto for...
... Num mundo onde tudo é
Pró,
Pós,
Pré,
Néo
E incorporou-se o Anti como fiel,
Nada mais é o que é ou poderia vir a ser,
Escrevo uma poesia sem lugar no mundo,
Neste mundo de palcos, púlpitos e palanques
E pessoas com voz de ventríloquo, sob cordas de marionetes...
... Fico calado,
Enquanto procuro um lugar para gritar:
Salve lindo poema sem esperança!
Pena Envenenada
A minha poesia é forte demais
Para se restringir a mim.
Se ficar confinada no meu quarto,
Explodirá radioativamente,
Matando, primeiramente a mim
E, sabe-se lá
Do que mais será capaz
Livre do meu domínio!
Olhos em chama
Foi só instinto.
Lobo solitário,
Como sempre vivi,
E como não sei
Quanto tempo dura
Esta brincadeira
De animal de matilha,
Vezes uivo para a Lua...
E me debato, quando está cheia!
OVERDOSE
Meus camaradas e eu
não temos dinheiro
para comida nem drogas;
overdose aqui,
só de indignidades e resistências.
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Os Cinco Horizontes
Liberdade
é qualquer estar
ao qual nos prendemos
por vontade
e nos deixa
todas as aportas abertas
In-tolerância
Tolerar o intolerante
Nos torna intoleráveis.
Tolerar o intolerável
Nos torna intolerantes.
Sendo tolerante,
Não tolere.
Certas coisas são e não são!
terça-feira, 14 de novembro de 2017
Lei Antiavareza
viva o momento.
o passado não retorna
e o futuro
pode não ser nada
e, se pode não ser,
por que (não) seria?
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Purulência
Resolvi ficar
agora
ela partiu
meu coração
e foi embora
Muita coisa mudou
desde a última vez
que ergui a cabeça
há pessoas
que nos amam
mesmo quando
não merecemos
Amor à revelia
ou ácido puro?
Estou lambendo
minhas feridas
e, se for encurralado,
mordo a língua.
domingo, 12 de novembro de 2017
Caminho Bifurcado
Eu te odiei por quase um segundo
Agora te amo mais,
Portanto, você está livre.
Vá, e não esqueça de ser feliz:
Me deve isto, e cobrarei.
Foi um sonho que se realizou.
Agora sabemos que felicidade a dois
Tem um tempo
E a validade está em guardar
O que foi bom
Para tempos de solidão.
Vamos, e que as portas fiquem abertas
Para qualquer forma de amor, novo ou velho,
Importa mais ser feliz.
Sei que preciso seguir,
Entretanto,
Deixar você
É como perder
A maior metade de mim.
Poderíamos ter vivido
Mais coisas, mais lugares, mais sentimentos
E esta incompletude
Não está me deixando em paz.
Agora parte
Levando um pedaço de mim
S.D.I.E.
O Mal do Século
Não é a solidão!
Vivenciamos os sintomas
Dos males de todos os Séculos
Reunidos
Homogênea e hegemonicamente
Neste Século que se inicia:
A ignorância, o preconceito, a religião,
A intolerância, a moral
O Estado, a propriedade,
O isolamento individual,
A massificação,
A alienação, entre outros;
Não se trata de um mal específico:
É a Síndrome da Deficiência Imunológica do Existir!
sábado, 11 de novembro de 2017
Se vier...
Venha,
Não importa se
É o sonho pela metade
Ou não venha,
Não importa
Se é o pesadelo
Por completo.
Superviventes
Livres pensadores,
O que para outros é fantasia,
Apenas idealizado
Em divindades
E outras monstruosidades,
Para nós é rotineiro:
O Impossível é o nosso cotidiano;
O cotidiano deles nos sufocaria,
Potencializaria a lenta agonia
Da morte dos que não vivem.
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
Adolescentes Assustados
Esta solidão voluntária
Ainda vai dar em nossas cabeças.
Este ficarmos nos olhando,
Nos encostando como tímidos
Que nunca tiveram o que tivemos,
Este sonharmos sem agir,
Dormimos juntos
Sem nos tocar
Parece um destes testes,
Um sadomasoquismo macabro...
Só estar aqui
Só ser
Só ter
É muito pouco.
E, zangados com nós mesmos,
Guardamos rancores que envenenam.
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