Em Memória
O monstro
está fora da jaula,
julgando,
aprisionando
e exterminando
a dignidade da Vida.
ELE ESTAVA FUGINDO
DESTAS NONSTRUOSIDADES!
poesia marginal
Em Memória
O monstro
está fora da jaula,
julgando,
aprisionando
e exterminando
a dignidade da Vida.
ELE ESTAVA FUGINDO
DESTAS NONSTRUOSIDADES!
O Estado
Só combate dois crimes:
Etnia e classe social:
Eu - preto e pobre -
Tenho o uniforme e o CPF
Do inimigo mortal.
Na exploração do homem pelo homem,
o mecanismo que gera emprego
também gera mais opressão
e, nesta roda do infortúnio,
o Mal se faz "Necessário".
Numa Era
Na qual os imbecis
Ganharam tanta notoriedade,
Quem se conformará
Com o anonimato?
O meu amor
É uma espécie
De monstruosidade sincera
Que, quando não me faz
Dizer
O que faço
O que penso
O que sinto
Revela o que sou
Por inteiro.
Nem só de fome e protesto
Viverá o poeta.
Sinto outras fomes
E, nas horas vagas,
Para sacia-las,
Faço qualquer desgraça…
Até trabalhar.
Agora, pague o meu dinheiro.
Eu vou de roupa velha mesmo
Qualquer uma
De lá eu volto para casa
Ou vou para o trabalho
Não sei
Demais, já encontrei um novo amor
Dizem até que casei
Quem vai se importar com o que visto
Ou deixo de vestir?
Fiquem as roupas novas
Coloridas
Para os jovens
Que ainda não sabem quem são
Que ainda sonham
Que ainda querem impressionar
Eu vou mais à vontade
Desnudo
De tudo que é moda.
A vida é sofrimento
E o sofrimento virá integralmente.
Mas, há algo a gozar
Goze integralmente!
Quanto ao resto?
Esqueça!
O resto é nada!
O resto é sofrimento!
Não queira viver de restos!
Não queira viver de sofrimento!
Aprimora a tua religião,
a tua religiosidade,
a tua espiritualidade
na busca da tua
ANCESTRALIDADE.
Perscruta na tua
ANCESTRALIDADE
conhecer-te a ti mesmo,
conhecer-te por ti mesmo.
Projeta da tua
ANCESTRALIDADE
a tua vocação ontológica para ser mais,
e seja ancestralidade
para as gerações vindouras.
Não há outra divindade,
além desta,
dentro ou fora do teu SER.
A dureza da História
É pior que a da Estória
Mas a Realidade não deixa Escapatória.
Ato teu, Ateu!
Quando elegemos algo ou alguém,
real ou imaginário,
e depositamos-lhe todos os nossos
anseios de virtudes,
criamos um deus.
Quando são depositadas
as nossas vicissitudes,
forjamos um demônio.
Mas ambos somos nós mesmos.
As verdades
- Absolutas -
Dos deuses são fictícias.
Na verdade,
Só as mentiras dos poetas
Transpõem
As leis mesquinhas
Dos mortais.
Com o advento
da mecanização/robotização
na construção civil,
o elemento humano tornou-se máquina,
operando sem cuidados e sem manutenção,
para cumprir metas sobre-humanas,
tendo como garantia apenas o descarte.
TESOUROS,
NA VERDADE,
SÃO BAUS DE QUINQUILHARIAS
E FRUSTRAÇÕES
A CAIXA DE PANDORA
DAS MISÉRIAS.
Aconchega o alaúde ao peito
E o coração vibra!
Play, minstrel, play!
Depois da última dança,
Ela vem bailar no meu pensamento...
Uma dançansa simbiótica
Que faz a Lua
Pratear o terreiro num compasso
Que faz o Sol
- Apolo enciumado -
Olhar Ci,
Por sobre a Terra,
Com mais calor,
Com mais brilho,
Sonhando ser Humano, Mortal,
Chorante e Cantante,
Desejando que nada mais Gire.
O fantástico
Só existe
No meu delírio
E o transformo
No óbvio, no tedioso, no cotidiano
E, por vezes,
Faço o roteiro oposto.
Os meus demônios
nunca falam aos meus ouvidos.
Eles falam
à minha consciência
ou, mais romanticamente,
ao meu coração:
eles falam de dentro,
nunca de fora.
Falam de mim,
nunca do outro.
Os meus demônios
são demônios-interiores,
essência.
São, no mais das vezes,
a minha melhor metade.
Penso, logo inexisto.
Penso, logo questiono a existência.
Penso, será que existo?
Será que este meu pensar é um existir?
Será o pensar (des) cartesiano?
Quem lê, viaja.
Viajando, escreve.
E, escrevendo,
Engendra todas as viagens
... No óbvio.
O bar
Como a igreja
É um abismo
Onde se paga
Tudo que se tem
Por uma ilusória
Sensação de paz.
Hoje, tomei fluoxetina e tiamina e,
Ouvindo pearl Jam,
Me vieram fragmentos de poemas que,
Sem um minuto para rascunhar,
Deixei maturar,
Para não contaminar a minha poesia
- O que me torna um monstro.
Num deles, alguém falou:
Canto uma solidão
Tão fantástica
Que não a troco por ninguém,
Não a divido com nada,
E, no entanto, choro!
A minha poesia
É a maior de todas as solidões
E, sós,
Somos as nossas melhores companhias.
Toda vez que a vida do outro
Te incomodar,
Leia ou escreva um poema,
Um livro, um roteiro de cinema;
Viaje para outra Cidade, outro Estado, País, Continente, Planeta...
Componha uma música,
Uma ópera, um musical;
Faça um documentário,
Um curta, um longa;
Pratique um esporte, uma aventura,
Um trabalho voluntário;
Toda vez que a vida do outro
Te incomodar, lembre-se:
O problema do mundo
Nunca é o outro,
É sempre você:
Melhore-se a si mesmo
E o mundo será melhor...
Para você e para o outro.
Toda leitura é apenas NECESSÁRIA.
Leitura obrigatória e leitura opcional
Criam dificuldades que crescem
Ao infinito e além.
No final do dia,
Nada é mais importante
Do que aquela frase,
Com todos os erros gramaticais
Possíveis e imagináveis,
Rabiscada
Na porta do banheiro de um bar,
Por um autor anônimo :
"imàjine".
MERITÍSSIMOS, MERITÍSSIMAS,
COM A DEVIDA VÊNIA
E PROTESTOS DE RESPEITO...
NO ALTO MERETRÍCIO
A PUTARIA É BEM PIOR
QUE NO BAIXO.
O horizonte é uma ilusão.
É o que está
Entre mim e ele
Que dá sentido à Vida.
Será o Tempo apenas a linha
Entre o horizonte e eu?
Será esta linha
O tempo materializado
Que rege o Etéreo Mecanismo do Tudo?
Se não há respostas,
Busque dúvidas!
O processo civilizatório brasileiro
É novo, tardio, lento
E sofre revezes catastróficos:
O Brasil não é uma sociedade,
O Brasil é uma tragédia social.
O fundo do poço
É o meu destino traçado,
O lugar mais seguro do mundo.
Mas, o que é o destino?
Em busca de respostas
Cavoco cada vez mais fundo.
Se não me prendem
Ou matam
Por conta das minhas ideias
É pelo simples fato
De já terem prendido
E matado
Aqueles a quem as dirijo.
Não tenho capacidade/poder
Para mudar a minha condição humana,
Tenho necessidade/vontade
De ressignifica-la
A todo instante
E, ressignificando-a,
Abro todas as possibilidades
De mudanças.
Se olharmos por muito tempo
Para o abismo
Ele nos olha de volta.
Também não é aconselhável
Fechar os olhos,
Dar as costas ao abismo.
Será o abismo
O estágio mais Constante
De nossas Essências?
Sendo econômica a essência da guerra
E a nossa primordial necessidade comida,
Na guerra ou na paz
Os ricos comem o que querem
E os pobres, o que conseguem.
E travam-se conflitos
Para que os ricos comam mais
E os pobres, menos...
Ou não comam!
Sobre escombros, sobras e desperdícios,
A paz só é alcançada
Quando este objetivo está consolidado
E só dura enquanto ele apetece.
Com Fome,
A paz é tão indigesta
Quanto é cáustica a guerra;
Estômagos são alvos e armas!
Não escrever nada
Nem com o cansaço de hoje
Nem com a expectativa de amanhã
Nem pela saudade
Nem pelo esquecimento
Terá o meu cérebro
Deixado a alma para trás
Na batalha de ontem?
Dura é a pena do poeta
Que pena sem o poeta
Penando duramente com pena de si
Sem pena para si.
Que pena?
E a poesia clama:
"Que pena!
Escreve e mostra todas as almas!
Declama e mostra a tua alma;
... ainda que penada!"
Não me vi preso na esquina
Defronte a todos os caminhos
Esperando alguém passar
De mão estendida
Me convidando para me mostrar
O que só eu posso ver
Me encontrar por dentro
Ver que sou mundos
E que posso libertar
O meu mundo interior
Criar eus
Que seguem todas as direções
Transformando encruzilhadas
Em círculos.
Só devo ser esquina
Quando tiver todos os horizontes
Para mostrar
Como possibilidades de caminhos
Ser esquina de sonhos
Dando vida às esquinas de concreto.
Vou direto ao ponto
O ponto do faminto
É o prato
A fome do pobre
É o ponto
Agudos males
Circunflexos os joelhos
Craseada a Humanidade
Chave sem mistério
Entre parênteses presos
Entre aspas raspas
Travessão travesso atravessado
Entre barras barrado
Entre colchetes emparedado
Reticências sem continências
Dois pontos a se pensar
Interrogado torturado
Exclamado execrado
Ponto e vírgula Virgulino
Todos os pontos da revolta
Oração
Parágrafo
Artigo
Inciso
Final.