Pierrot

Pierrot
la tristesse

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Dimensão do Humano


Certa feita,
Enviaram-me um anjo
Quando eu não estava em casa.
Ela entrou, trouxe um vento de felicidade
Que varreu todos os cômodos,
Os meus discos, meus livros,
Espalhou os meus poemas pelo chão...
Desarrumou a cama,
Largou a geladeira aberta
E, Como para me divinizar,
Deixou a pena da asa
Com a qual escrevo estes versos.

o que agora sou




Apenas me abrace.

O teu abraço é algo

Que me torna mais vivo,

Mais humano,

Mais gente e menos pedra.


O beijo e a brasa

Quero sentir na pele.



A minha MÃE entoava sempre




Uita, companheiro Uita,
Uita vamos pelejar.

Uita, companheiro Uita,
Uita vamos pelejar.

Oi lá no mar
Quem não tem canoa
Passarin avoa
Passo avoador na beira do mar.

Oi lá no mar
Quem não tem canoa
Passarin avoa
Passo avoador na beira do mar.



domingo, 11 de dezembro de 2011

PANTHEON DOS AMANTES


Chegar, de mãos dadas com ela,
Segurando-a pelos ombros
E sendo seguro por ela,
Em qualquer lugar, tempo ou circunstância
É uma entrada triunfal!

Entrar na guerra, de mãos dadas com ela,
Faria o inimigo retroceder, render-se,
Pedir perdão pela discórdia,
Engajar-se na minha causa.

Entrar no inferno, abraçado com ela,
Faria o Demônio ajoelhar-se e rezar,
Oferecer-me todos os tipos de subornos
Para que eu sentisse aversão, e saísse.

Entrando no Céu, segurando-a pela mão
E sendo seguro por ela,
DEUS sorriria, dizendo:
Este é o meu Filho,
Eternamente Humano e Menino;
Alegremo-nos na sua alegria!

Chegar, de mãos dadas com ela,
Segurando-a pela cintura
E sendo seguro por ela,
Em qualquer lugar, tempo ou circunstância
É uma entrada triunfal!

MUDANÇA


Ela quis partir e eu deixei.
Estávamos entrando numa de cotidiano.

Eu vi defeitos
Na sua perfeição física,
Na sua conduta inconteste,
Na exatidão da sua intuição.

Ela quis se ver livre
E eu permiti que ela se fosse.

Não posso pedir que ela me ame
Se ela não mais vir em mim
Aquele a quem ela amou.

SOLIDÃO II


Eu preciso de companhia
Para contar estrelas
Nas noites mais solitárias
Quando consigo vê-las.

Eu preciso de toda a paz
Que o desejo me levou
Para sanar em mim
O vazio que ficou.

Eu preciso de todas as pessoas
Que já estiveram ao meu redor
Porque a saudade delas
Tem sido cada vez pior.

Eu não preciso de mais veneno
Pois não quero vingança
E se você me erguer o braço
Tiro-lhe para uma dança.

Eu não preciso que me digam
Que eu preciso de esquecimento
Enquanto houver esperança
De um novo sentimento.

Eu preciso esquecer que houve um dia
Para esquecer de um dia
Para esquecer outro dia
E eu não esquecia.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

KEPLER

Por Cristiane Gandolfi, poetisa.


Dia nublado, branco acinzentado me encobre.

Tantas luzes do passado não acendem mais.

Pisca-piscas verdes, azuis, vermelhos já não iluminam

O dia que vivemos juntos.

Não há luz, estrelas não brilham.

Um planeta é descoberto:

Há um novo azul

Distante daqui.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fragmentos


I

Aqui jaz um espírito.
O corpo ainda vive.
O pulso pulsa.

II

A dor íntima necessitava
Desta tortura externa...

III

Passei da infância à senectude
Sem jamais viver o presente
E o tempo não soube me enumerar.

IV

Por ser poeta, perdi o presente
Ansiando o futuro.
Quando percebi que já havia acontecido,
Estava morto e sem memória:
Um gigante irrevolto!...

V

E não consegui juntar os cacos
Das muitas coisas que quebrei.

VI

Tenho, sim, uma das mãos mirrada.
Opero neste mundo
Apenas com a mão que destrói
E não sinto mais nada
Das inúmeras coisas que fui.

VII

Porém, mesmo vestido
De forma imprópria
E não subtraindo bens materiais
Dos ajuntadores de tesouros,
Trago sempre comigo algo de que
Alguém vitalmente necessita.

VIII

Esta é a imagem do poeta:
O Cristo arrastando a cruz do mundo
Sobre seus ombros
Quando Este se cansar
E fizer com que cada um
Carregue o peso de sua alma.

IX

Não se cantam réquiens
Nem se poetizam as epopeias
Deste que, em vida,
Tão pouco viveu.

X

Era um magnífico enterro.
E eu ali, no caixão,
Ao centro de tudo,
Apenas resumido à minha mediocridade.

XI

Mas não estou aqui para te ferir;
Só não abaixe o escudo
E nem me dê as costas.

 

REFÚGIO



Toda vez que venho a este lugar

Encontro uma parte de mim

Como se os fragmentos do meu ser

Estivessem nascendo aqui;

E volto para me reconstituir,

Me recompor,

Agrupar átomos de mim.

Um Molambo em volta do Quadril


Me visto assim
Porque as Roupas de Lord
Não me caem bem.


Elas ficam muito aquém
Do meu Biotipo empertigado;

Elas ficam muito aquém
Do meu Raciocínio enorme;

Elas ficam muito aquém
Da minha Atitude isenta.


Por isso me visto assim:
As roupas de lord
Não me caem bem.

Revoluções Descartáveis



Foi a inversão da Ordem da Lei.
Eu não sei como eles conseguiram.
E nos pusemos a lamentar.
Justamente nós, Juízes e Verdugos
Das Santas Inquisições,
Entramos em polvorosa,
Agora encolhidos nos cantos das celas,
Temendo a consumação
Da nossa própria arte:
Os assassinos estão vindo!
Não vêm nos julgar,
Posto que, assim como nós,
Também execram estes Mecanismos;
Somente vêm nos executar.
E jamais saberemos
Se isto ou aquilo foi mais abominável.

O Livro Eterno


As meninas do meu tempo
Queriam um menino que,
Ao menos, aparentasse estar vivo.
Por isso foram todas embora
E eu fiquei sozinho com o meu livro.
Eu gostava dela.
Acho que ainda a amo,
Mesmo vivendo em realidades paralelas...
Sempre estive só.
Às vezes, me juntava às pessoas,
Ainda assim, estava distante.
O meu espírito nefelibata a buscava
E, encontrando apenas um vácuo,
Continuava sozinho.
Ah, o livro?!
O livro ainda está comigo
- In-fólio e impublicável -
E é por ele que aparento estar vivo.


cursos naturais


Tranquei as portas
(eu já não cabia na paz)
E fui viver o amor.
Me arrisquei... me feri...
Tanto menti que enganei a mim mesmo,
E fui traído,
Sabe Deus como ou por quem!
E, após chorar e perder
Tudo que havia
Para ser chorado e perdido,
Dei cabo de mim
E, ao terceiro dia
Não houve ressurreição.
O meu irmão ficou em casa
Contando medalhas e honrarias,
Planejando ganhar mais e mais e...
Não sei que pior fim terá levado.