Pierrot

Pierrot
la tristesse

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A Verdade é a Dúvida



No princípio

Era a dúvida.

Aí inventou-se

A verdade;


Verdade é tudo aquilo

De que se pode duvidar.

Ande Vivo



Quem teme a morte

Acaba por desperdiçar a vida.

Quem teme a vida

Já está morto.

É apenas uma sombra

A vagar entre os mortos

Sobre o chão da terra,

Um corpo

(ainda vivo)

Entre o apenas existir

E o não-ser.

Ande com os vivos;

Quem anda comigo

Só morre uma vez.

Estamira



A sublimidade da loucura
É o homem declarar-se deus
Superado pela sua humanidade.

Gramacho é uma serra pelada
onde garimpa-se lixo ao invés de ouro,
- mas indignidade é a mesma -
tirando o ouro, a filosofia, do lixo.
trocadilo – trocadilho – distorção:
o único mal que existe é a ignorância,
- uma interatividade inerte -
prefiro a loucura ao moralismo
- esta morte dos normais!


Ardor



O que em nós acende
Uma chama tão ardente
É o desejo:
Nos vermos, nos querermos
Sem cessar, o tempo todo.
A distância não ama.
A distância destrói sentimentos.
Aliás, dê tempo à distância
E ela apagará qualquer coisa.
Quem ama deseja abraçar,
Beijar, estar perto...

E não é só um desejo vago.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

"Mãos na cabeça!"



Honrar a farda.

Desonrar a farda.

Aqui o hábito faz o monge

O exotraje faz o robô

O uniforme faz o assassino

Diferencia quem obedece e mata

Do que resiste e morre

:O pobre é o lobo da classe.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Tentáculos de Estado



Na periferia,
A internet e o outdoor
Têm sido mortais para os jovens
E o crack, a cocaína e o crime
Não são páreos
Nem mesmo para as igrejas
- suas coirmãs neste genocídio –
Onde são condicionados
A um consumo de segunda classe,
Ou a um subconsumo,
A uma sub-humanidade
Que entra nos shopping`s
Só para olhar as vitrines,
Alimentar uma sub alma
Sem valor de mercado;
Já não se vendem ideias libertárias!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Trogloditas das Cavernas Cibernéticas


(Like Rat`s)


As pessoas sem trabalho
Têm medo de encarar as vitrines
E entram nos bares
- Ruas sem saída -
O mais próximo do nosso cotidiano
De asfalto e dor,
Na selva de homens-robôs,
Trogloditas das cavernas cibernéticas,
Almas danificadas pelo efeito corrosivo
De seus sonhos de consumo
E descartabilidade.


Corpos produtos
Almas perecíveis
Amores efêmeros
Excedentes
Consumíveis
Supérfluos
Luxo
Lixo

Trogloditas das cavernas cibernéticas.
Almas danificadas
Pelo efeito corrosivo
De seus sonhos de consumo
E descartabilidade.

Sonhos de consumo e descartabilidade.

Sonho

Consumo

Descartabilidade:


Homens-lixo!

A Passarela

transformando Frederico Nietzsche em poesia


"Estivemos uma vez tão perto um do outro
na vida
que nada parecia entravar
nossa amizade e nossa fraternidade
e que só havia entre nós
uma pequena passarela.
Exatamente no momento
em que tu ias colocar nela o pé,
te perguntei:
"Queres atravessar a passarela"?
- Mas então não quiseste mais,
e como eu te pedia,
não respondeste nada.

Desde então,
montanhas, rios
e tudo o que pode separar
e tornar estranho
se acumulou entre nós e,
se quiséssemos nos reencontrar,
já não seria possível.
E agora,
quando pensas nessa pequena passarela,
não sabes mais o que dizer,
e soluças, de espanto."

Todos os abismos d`alma:
nós de um lado, os corações do outro
e nossos pés e pensamentos
sempre a um passo de nós,
prostrados num inexistir.