Pierrot

Pierrot
la tristesse

sábado, 29 de março de 2025

Fome de Guerra, Fome de Paz

 

Sendo econômica a essência da guerra 

E a nossa primordial necessidade comida,

Na guerra ou na paz

Os ricos comem o que querem

E os pobres,  o que conseguem.

E travam-se conflitos 

Para que os ricos comam mais

E os pobres,  menos...

Ou não comam!

Sobre escombros, sobras e desperdícios, 

A paz só é alcançada 

Quando este objetivo está consolidado 

E só dura enquanto ele apetece. 

Com Fome,

A paz é tão indigesta 

Quanto  é cáustica a guerra;

Estômagos são alvos e armas! 


Velho Hiato

 

Não escrever nada

Nem com o cansaço de hoje 

Nem com a expectativa de amanhã 

Nem pela saudade 

Nem pelo esquecimento 

Terá o meu cérebro 

Deixado a alma para trás 

Na batalha de ontem? 

Dura é a pena do poeta 

Que pena sem o poeta 

Penando duramente com pena de si

Sem pena para si.

Que pena? 

E a poesia clama:

"Que pena! 

Escreve e mostra todas as almas!

Declama e mostra a tua alma;

... ainda que penada!"



Esquina de Sampa

 

Não me vi preso na esquina

Defronte a todos os caminhos

Esperando alguém passar

De mão estendida 

Me convidando para me mostrar 

O que só eu posso ver 

Me encontrar por dentro 

Ver que sou mundos 

E que posso libertar 

O meu mundo interior 

Criar eus 

Que seguem todas as direções 

Transformando encruzilhadas 

Em círculos. 

Só devo ser esquina 

Quando tiver todos os horizontes 

Para mostrar 

Como possibilidades de caminhos 

Ser esquina de sonhos 

Dando vida às esquinas de concreto. 


OBJETO-HUMANO

 

TODA INSTITUIÇÃO 


É UM QUARTO DE DESPEJO 


DE OBJETOS HUMANOS.