Ficava olhando o chão pintado de verde:
Os sulcos, as rachaduras,
O contraste com meus sapatos,
Os outros,
As bitucas de cigarros...
Como os loucos fumam!
Manter o cérebro aceso incessantemente,
Viajar mil mundos...
Eu viajava olhando o chão pintado de verde:
Internações, liberações, os médicos,
O frenesi das visitas e das viagens:
Mil mundos num pequeno chão pintado de verde.
Era o ambiente estranho mais familiar
Que já visitei, e revisito a turnos.
Loucos.
Chamam-me louco.
Chamam aos meus loucos
E, no entanto, foram os outros
- Os tais sãos -
Que pintaram o chão de verde
Sem nenhuma perspectiva.
Se nós não existíssemos,
Se não nos assumíssemos
E se não exercêssemos este direito inalienável,
Pouca coisa faria sentido, para todos.
Ah, os mundos que vemos, criamos e recriamos
Num simples pedaço de chão pintado de verde
- Sem eles, este mundo, desumano, irreal, insano
E sem cor, jamais subsistiria!





