Pierrot

Pierrot
la tristesse

sábado, 29 de julho de 2017

Raias da loucura


Ficava olhando o chão pintado de verde:
Os sulcos, as rachaduras,
O contraste com meus sapatos,
Os outros,
As bitucas de cigarros...
Como os loucos fumam!
Manter o cérebro aceso incessantemente,
Viajar mil mundos...
Eu viajava olhando o chão pintado de verde:
Internações, liberações, os médicos,
O frenesi das visitas e das viagens:
Mil mundos num pequeno chão pintado de verde.
Era o ambiente estranho mais familiar
Que já visitei, e revisito a turnos.
Loucos. 
Chamam-me louco.
Chamam aos meus loucos
E, no entanto, foram os outros
- Os tais sãos -
Que pintaram o chão de verde
Sem nenhuma perspectiva.
Se nós não existíssemos,
Se não nos assumíssemos
E se não exercêssemos este direito inalienável,
Pouca coisa faria sentido, para todos.
Ah, os mundos que vemos, criamos e recriamos
Num simples pedaço de chão pintado de verde
- Sem eles, este mundo, desumano, irreal, insano
E sem cor, jamais subsistiria! 



sexta-feira, 28 de julho de 2017

Imensidade






Se tudo vale a pena



Quando a alma não é pequena,



Em ti encontrei a metade



Que torna a minha alma 





      IMENSA.




O mal do Século é não estar doente


Considero-me são, livre e normal.
É que as mentes tecnocratas
Deste modernismo pós-vida
Colocam em camisas de força
Qualquer um que não apresente
Os sintomas das síndromes
Deste século patético.
Não se pode mais correr pela rua,
Nu, gritando e agitando os braços no ar;
Jogar pedras na lua;
Correr atrás de sombra de avião;
Esganar companheiros de trabalho;
Atear fogo na casa;
Assassinar parentes, amigos e correligionários,
Dar um simples chilique:
Amar ou Odiar...
Nem se pode ser louco
Neste mar de loucura.



Pagarão, Não Pagarão...



Sonhar não é de graça
Dependendo da quantidade, da qualidade
Do lugar com o qual se sonha
Do lugar do qual se sonha
O preço é o máximo.
Desistimos de sonhar?
Não!
Mas calculemos a dose
Que nos será benéfica e suportável
E as formas de pagamento.
Acusamos os jovens de alienação
Mas, de fato, estamos todos sob o mesmo opiário
Ou em atitude de avestruz.
Só precisamos culpar outrem.
Sonhar nunca foi um conto de fadas.
Para sonharmos hoje,
Muitos viveram pesadelos,
Saltaram precipícios,
E alertaram:

O maior perigo para quem está no abismo
É habituar-se à profundidade.

Sonhar custa infindáveis lutas, preciosas vidas.



quarta-feira, 26 de julho de 2017

Verdade Filosoficamente Exposta



É preciso lembrar que poetas também esbarram em certos limites
Não tenho mais nada a acrescentar com a minha poesia
Os tempos exigem homens de ação
Eu, ou coloco em prática ou posso rasgar tudo que escrevi
A poesia, como a reza,
Pode até enganar a fome por um tempo
Mas o engano logo se desfaz
“Belo poema, Zezinho!
Mas, como já disse um seu colega:
Tem gente com fome.
Você teria uma gravata borboleta
Para me emprestar?”
Temos potencial para muito mais, entretanto, não agimos
Nossos egos se contentam
Com o que fazemos e só nós vemos.
Nossa esperança é apenas o culminar do desespero acomodado.
Somos a geração letárgica,
A primeira a se dispor mudar o mundo
A partir da acomodação.

existencialismo


Eu sou um gênio para mim mesmo:
Um quê-fazer solitário e inútil,
Uma produção egoísta e sem sentido;
A minha poesia, os meus sonhos,
O meu amor, a minha luta

-  Tudo de mim está morrendo comigo! 

Sartre



Na minha época,
Todos os que olham 
Introspectivamente
São considerados doentes,
Covardes,
E podem se tornar o mal em si.
Não se toleram poetas
Numa Era de bufões.



À Geração Letárgica



Não estamos combatendo.

Estamos apenas nos acomodando entre cadáveres,

À espera de um milagre,

Redenção,

Salvação individual,

Inertes e esperançosos


Em meio ao caos apocalíptico.

A Xangai e Elomar



Nada me impede
De subir ao cadafalso
Rezando
Para que a corda estoure
Antes de quebrar o meu pescoço,
Mas é um tanto arriscoso...
E aí d`eu sodade!

De curraleiro ao levantar do barbatão,
Até o boi se rebela contra a opressão.

Marasmo mata mais que guerras.

Uma bomba explodiu por lá,

Bem na cara dos meus bens.



sábado, 22 de julho de 2017

Prelúdio de um Pranto



QUANDO PASSARES POR MIM...

QUANDO PASSARES,

POIS AINDA NÃO PASSASTE.


último baluarte


O sistema 

- Suicida -

Tenta nos matar

A todo custo.

Para resistirmos,

Nós nos suicidamos.

- Êta, loucura! -

Mas não nos rendemos!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Ato Teu, Ateu.


Malditos sejam todos estes que dormem

Em tempos de possibilidades de mudanças!

Estes que sonham com uma democracia

Caída dos céus ou dada por esmola!

Todos estes cansados pela tv, no sofá,

Em tempos de lutas reais nas ruas!

Ausentes quando deveriam mostrar a que vieram!

Que o sangue dos tombados,

A agonia dos oprimidos

Não permitam que as suas consciências,

Doutrinadas em templos seculares e eclesiásticos

Descansem,

Nem de noite nem de dia,

Enquanto houver direitos sendo roubados,

Crianças institucionalixadas,

Presas e mortas 

Pelos crimes desta sociedade  genocida, careta e covarde!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Asas e Grades Invisíveis



A solidão só me pesa

Quando não consigo escrever.

Aí, penso que poderia sair mais,

Mas não tenho muitas opções.

Existem lugares nos quais eu certamente

Gostaria de estar,

Mas eu não os conheço,

Pois nunca me permiti ir lá.




Papel Social da Emoção




A minha poética é,
Antes de tudo,
Histórica, filosófica e política.
A arte não é do artista,
Do palco, do produtor, da plateia,
Não é da elite nem do povo.
A arte é de todo e qualquer
Que a sorve em essência
Usando todos os sentidos,
Por todos os poros, e funde-a consigo.
Eu não sei cantar todas as músicas
Que gosto,
Mas eu canto;
Eu não sei gostar
De tudo que ouço, toco, sinto,
Mas a tudo absorvo
Com igual avidez e ímpeto,
Com a mesma emoção
De quem criou
A equação para tocar a essência
Das coisas sem essência.
E a minha arte
Ainda nem atingiu o patamar
Da estética.

Eu não morro pela geração futura,
Eu vivo com meus pares contemporâneos.

Desde que existimos




O impossível é tudo que não nos permitimos
O que não queremos
Não permitimos aos outros
Nem sequer tentamos.
As possibilidades e potencialidades
Que matamos em tudo
Quando não cremos em nós
E nos escravizamos às ideias de outros
Outros homens, outros tempos – outros NADAS –
O impossível somos nós
O que realizamos cotidianamente
Só por existirmos.

Traição



O punhal do destino
(do amor)
Entra
Rasga
Fere
Corta
Torce
Sempre me atinge pelas costas,
Me deixando  com um pé no inferno
E outro na casca de banana,
Um punho atado
E outro amputado,
Saiba eu disto ou não.
Ai de mim!
Ai de mim!
As feridas, o mundo, a luta...
Nasci para isto.
É a frieza da mão
Que empunha o aço
Que fere
De uma dor que é morte em vida.

domingo, 16 de julho de 2017

Solidão de Domingo


Logo que aprendi a ser dois.
Voltei a ser um só,
Novamente...
E aos domingos
A solidão apavora!


sábado, 15 de julho de 2017

Quixotada


Um guerreiro merece inimigos honrados.

Seria bom saber que
Atrás das linhas inimigas
Existe alguém com honra e valor,

Pois quando combatemos mentes medíocres,
A vitória é pífia,
Um acordo é vergonhoso
E a derrota inominável;

Não há nada a se ganhar!

Comportamento de Rebanho


Quem segue o morto
Vai dar na sepultura.

Por favor!


Quem muito pede
Culmina por madar.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Veneno Antibipolaridade


Sou poeta
Lutar contra a opressão
E chorar ante a beleza
Atesta a minha sanidade
Fisiológica e psíquica.
O resto
É farmacodependência induzida.
Me deixa lutar
Cantar
Chorar!
Bem,
Se eu não estiver mentindo 
Para mim mesmo,
Estou muito feliz!