sábado, 11 de janeiro de 2014
Beleza Monstro
Em geral, elas me dizem
Que a única coisa bonita em mim
São os dentes.
Não o sorriso.
Só os dentes.
Mas há quem diga
Que tenho cílios bonitos,
Há quem fale das sobrancelhas,
Da pele, das pernas, bumbum...
E até do sorriso;
Tudo
S-E-P-A-R-A-D-A-M-E-N-T-E.
Em suma,
Eu sou um Frankenstein de beleza.
INVEJA
Querer ser alguém a quem se ama
Tanto assim!
Um noite eu sonhei
Que alguém me amava:
Era uma felicidade igual,
Mas era só um sonho mentiroso.
Sabe como são os sonhos de um perdedor.
Fico imaginando se fosse verdade,
Se fosse você...
Talvez eu morresse dormindo.
domingo, 5 de janeiro de 2014
ninhos abandonados
Felicidade esteve aqui
Foi um outono apenas
Na estação seguinte
As flores murcharam
Por quê?!!!!
Porque não quisemos...
...Era pecado.
Enquanto o tempo destilasse tempo
Desde que já não sonhávamos mais
Uma fé em nome do desespero
Tivéssemos medo, fôssemos malditos
Condenados à indiferença
Sem o prazer ou a dor dos vivos
Fizéssemos amor
Sob a sombra
De anjos caídos
Perdidos
No frio da noite
Sobras de Nós
Sou eu que vou embora
Fica aí como todos os escombros
Pode lamentar o que se perdeu
Eu me perco em outros nortes
Tudo acaba, tudo fica para trás
Que se faça à tua vontade
Porque você não veio
Passei a pensar no eu
cultivar o espinho e abandonar a rosa
Está chegando.
Devo estar preparado,
Pois vou querer consertar o mundo novamente.
Sempre me pega como uma surpresa,
Ainda que eu espere,
Como um sonho que se realiza,
Ainda que não feche os olhos,
Que não desfaça o sorriso,
Ainda que reze de pé:
É um sonho bom que assusta.
Já disse algumas vezes não querer mais,
Tentei escrever canções de guerra
E, no meio das palavras de fogo,
Ela me veio como uma surpresa...
Respirei fundo o azul que a cercava,
Menti um pouco para mim
(menti não, fantasiei)
Mas o seu sorriso
Me tomou o fôlego
Como me acordando de um pesadelo
E o sonho vindo com ela
Me pegou de surpresa
Provocando um sorriso bobo
De felicidade realizada.
Poema Nuclear
Como já disse,
Me encontrei aos pedaços,
Um de cada vez
E em lugares longínquos.
Certa vez
Achei um nascedouro de mim;
Muitas partes,
Mas em tempos distintos;
Uma nascente:
Pedaços que jorram
Sem que nada precise morrer.
ópio necessário
Drogas que entontecem.
Eu não sei de onde vem
o vício ou a coragem,
a necessidade ou a loucura,
a insana resistência
antes que o mundo saia do eixo
e algo volte ao estado de fábula;
algo que é mundo em mim
ou talvez uma morte
no desafio de viver
e recompor um sonho sem sonhos,
um sono que nunca vem.
A verdade de um duelo:
o corpo no chão,
o perdedor de pé, a vida a brotar
de volta ao pó...
Tudo isso foi real?
Agora a sobriedade me inebriou.
desertos da alma
Será ilusão?
Ela estava lá!
Serei eu passando?
Eu que não faço parte de nenhum lugar
Eu que passo pelas ruas uma vez só
Eu que nunca fico
Eu que vou embora
Lembro de ter passado numa rua
Em que havia muitas pessoas.
Recordo bem de uma delas;
Era especial; meus olhos a viram,
Outra parte de mim respondeu
Algo irracional - seria real? -
É verdade que não voltei. Mas eu volto!
É que os dias passam compassadamente
E eu ou tenho pressa ou tenho tédio;
Eu me lembro dos lugares, amo as pessoas...
Esqueço só de voltar. Mas eu volto!
Às vezes mesmo sem lembrar.
Mas eu perguntava sobre o que sinto,
O que vejo, esta confusão que eu sou;
Eu perguntava sobre ela.
O que será que ela acha?
Será que as pessoas me veem,
Ficando ali, sempre?
Dizem que as ruas não mudam.
Dizem que as ruas mudam.
E as pessoas passam, ficam, mudam.
Não mudam?
Passam, acho que só passam:
Uma multidão de solitários.
olhos abertos
É um viajar por mundos maravilhosos
E é fantástico,
Mas chega a hora de aterrissar...
É quando a blindagem despe,
A carapuça cai,
O pedestal se parte...
Diante de si, após o delírio,
Quando já não há o que tínhamos,
Se não tivermos o que somos
E nos reinventarmos,
Estaremos aniquilados.
Severina
A faca metafórica
como sina ou verve
como dom de ferir e ser ferido
como dom de combater a sina
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
meus passos
um dia, fiz-me poeta
e a dor do mundo fez-se sobre mim
e pelo que choravam
chorei também
e pelo que morriam
morri também
e quando eu disse 'chega'
disseram-me
'uma vez que dói
não sara nunca"
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